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26 | 2024
Inv(i)erno 2023

Notas de la redacción

No presente número, o leitor encontrará as versões revisadas por pares dos trabalhos apresentados no colóquio “Eu e o mundo na filosofia clássica alemã”, ocorrido na Universidade Federal de São Carlos em novembro de 2023. Tendo este pano de fundo, o leitor perceberá como cada uma das contribuições varia esse tema comum, seja para um lado, seja para outro – seja dando ênfase ao eu, seja voltando seu olhar prioritariamente ao mundo. É assim que o artigo de Martone mostra como Jacobi se apropria do conceito de pessoa, que remonta a Cícero, para enraizar nele sua concepção filosófica de que a filosofia de um autor se revela em sua forma de vida e que, por isso, deve ser criticada toda tentativa – como a kantiana e a fichtiana – de identificar o indivíduo a um eu transcendental e reduzir a história da filosofia a uma história a priori da razão humana. É assim também que, procurando reconstruir um dos conceitos centrais da concepção de eu e de subjetividade de Fichte, Gaspar pretende delinear o modo como a doutrina da ciência se apropria do conceito de intuição intelectual – proscrito por Kant – para integrá-lo em sua compreensão da consciência da liberdade própria a todo ser racional. O artigo de Hoffmann, por sua vez, recupera a reflexividade do saber como princípio próprio do idealismo alemão, em especial de Kant, Fichte e Hegel, mostrando como não é possível pensar o eu e o sujeito, bem como fundar o saber em sua completude sem recorrer a uma necessária autorreferência do saber; seu alvo é combater a redução do homem e da racionalidade em geral ao determinismo naturalista e mesmo computacional vigentes na atualidade. No artigo de Corbanezi a ênfase recai, de um lado, sobre o conceito de mundo, o qual é discernido pelo tratamento da noção fundamental de “relação”: Corbanezi mostra que não só o mundo não passa de um conjunto de relações, de modo que relação e vontade de poder têm a mesma extensão conceitual e se recobrem, como também que o próprio conceito de relação é, em Nieztsche, relativo; mas é relativo do ponto de vista humano, de modo que, de outro, aqui também o sujeito não é desconsiderado. Por fim, no artigo de Licht, um poema de Trakl, “Untergang” (“Ao fundo”, na tradução proposta), é a ocasião para enfrentar problemas de tradução e apresentar aspectos centrais da poética de Trakl – incluindo noções como de “mundo” e “meu mundo” – , como também, e sobretudo, para discutir problemas estéticos em geral, mais especificamente, a ideia – muito própria da filosofia kantiana e pós-kantiana – de que a obra traz em si mesma seu princípio de reflexão e que ela, em suma, é um mundo que, mediada pelo leitor, reflete em si.

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