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A coleção Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira década do século XX

The Marciano Azuaga collection: Gaia and Porto in the second half of the 19th century and the first decade of the 20th century
João Luís Fernandes

Resumos

Marciano Azuaga (1838-1905), natural de Valença do Minho, fixou-se em Vila Nova de Gaia a partir da chegada do caminho de ferro às Devesas, em 1864. Durante a sua vida, este chefe de estação e colecionador amador constituiu um espólio eclético de 1865 objetos, que doou à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia em 1904, quando o mesmo se configurava já como museu particular, aberto gratuitamente ao público. O presente artigo procura contextualizar a formação desta coleção e demonstrar como esse processo nos elucida relativamente às orientações intelectuais dos vultos dominantes da produção científica, artística, literária, política e académica com as quais Marciano Azuaga contactava. Estes mesmos, compunham uma sociedade ilustrada que fluía por entre as instituições e círculos de intimidade de Gaia e Porto. O inventário da coleção produzido em 1904 (que acompanhou a sua doação e que serviu de registo de incorporações posteriores até 1934) é uma fonte que permite não apenas reconstituir a coleção, mas sobretudo conhecer alguns dos seus doadores, que se foram registando até 1909. Se a diversidade e o ecletismo aparente dos objetos prenunciavam uma coleção motivada pelo gosto particular do colecionador, as tipologias de objetos contemplados e os respetivos doadores revelam uma sensibilidade positivista do conhecimento e colecionismo que corrobora a caraterização desta sociedade e o seu impacto sobre o espólio recolhido pelo colecionador. O estudo do inventário, em conjunto com abordagens biográficas do colecionador e doadores da coleção, bem como de outras fontes e periódicos de época referentes às instituições e iniciativas que integraram, constituíram os principais recursos utilizados para criar um cruzamento de dados que demonstra as circunstâncias sociais, económicas, profissionais e geográficas que propiciaram a constituição desta coleção.

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Notas da redacção

Artigo recebido a 27.01.2023

Aprovado para publicação a 24.06.2023

Texto integral

O colecionador

1Natural de Valença, Marciano Azuaga (1838-1905) deslocou-se para o Porto aos 19 anos de idade para trabalhar na tipografia de José Lourenço de Sousa, proprietário dos periódicos O Ecco Popular, Archivo Juridico e Almanach do Porto. Matriculou-se na Escola Industrial do Porto em 1862 e dois anos depois ingressou na Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, na qualidade de escriturário da estação ferroviária das Devesas, fixando-se assim num território que o acolheu e que o próprio assumiria como sua terra querida (Cópia fiel… 1904). Passando pela estação de Abrantes em 1872 como chefe de 2.ª classe, regressou rapidamente às Devesas, onde decorreu a sua restante carreira que terminou como chefe de 1.ª classe (Moncóvio 2019, 25).

Fig. 1 – Marciano Azuaga, fotografia sobre papel [1888-1904]

Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende

2Corolário da sua dedicação às diversas iniciativas que integrou, foi distinguido como cavaleiro da Ordem de Cristo (1882), com a comenda de Isabel, a Católica (1887) e com o colar da Sociedade de Geografia de Lisboa (1888) (Moncóvio 2019, 26), instituição da qual se tornaria sócio ordinário em 1893 (Actas1893, 14).

3A sua posição nas Devesas – à data da inauguração a estação mais a norte no país – possibilitou-lhe durante décadas um lugar privilegiado numa das mais importantes artérias de circulação do País, a qual beneficiava da rede de estações ferroviárias nacional. Esta ligação estreitou-se ainda pelos seus laços familiares: o seu irmão Joaquim, também colecionador, foi chefe das estações da linha do Minho de Vila Nova de Famalicão e de Barcelos (Vinagre 2019, 63; Revista… 1884b, 472); o cunhado Eduardo Pereira de Meireles (desde 1895, data do casamento de Marciano com Bernardina Pereira de Meireles; Vinagre 2019, 66 e 132) foi revisor fiscal das linhas do Minho e do Douro; e ainda outro cunhado, Adriano Pereira de Meireles, foi chefe dos elevadores de Gaia, equipamento que ligava o cais à estação das Devesas, permitindo o transporte de mercadorias desde e para a zona ribeirinha (Moncóvio 2019, 26). A barra do Douro constituía à época um importante porto comercial, ligando ambas as margens a todos os continentes (Guimarães e Guimarães 2018, 3).

Entre o signal de partida badalado a um comboio e a communicação telegrafica lançada à estação proxima, elle achava sempre meio e tempo de arrancar ao visitante fortuito a dadiva ou a promessa de objectos interessantes ás suas queridas collecções variegadas. Fosse o que fosse: um bicho ou um machado neolithico, um prato de velha faiança ou uma azagaia africana [...]. (Fortes 1909, 89)

  • 1 O símbolo “*” assinala doadores da coleção Marciano Azuaga.
  • 2 O escultor Joaquim Meirelles*, primo dos filhos Teixeira Lopes, também foi doador da coleção (Grand (...)

4Completando a análise dos laços familiares de Marciano Azuaga, importa referir que a sua cunhada Raquel (irmã de Bernardina) era casada desde 1857 com o escultor José Joaquim Teixeira Lopes*1, pai dos irmãos António* e José Teixeira Lopes (Moncóvio 2019, 26)2.

5Estas circunstâncias familiares despertaram interesse em estudar as ligações institucionais e de amizade do colecionador. Juntaram-se-lhe ainda questões levantadas pelo seu testamento, onde lega, além de a familiares, peças ao então presidente da Câmara, Joaquim Augusto da Silva Magalhães, e ainda a Maria Paulina de Sousa Carqueja, filha de Bento de Sousa Carqueja (Vinagre 2019, 136).

  • 3 Os estudos existentes sobre esta coleção e seus núcleos (c. 30 títulos) encontram-se elencados em G (...)

6Os estudos referentes à coleção têm privilegiado abordagens sobre objetos ou núcleos deste espólio, em detrimento da coleção enquanto manifestação de um ímpeto pessoal (do colecionador) mas também de uma envolvente social e geográfica que o potenciou3. Estudos como os de J. A. Guimarães e Susana Guimarães (2018), Susana Moncóvio (2019) ou Maria Inês Pires Vinagre (2019) apresentam abordagens biográficas do colecionador e caracterizações gerais da coleção, destacando igualmente a sua participação nas principais exposições do seu tempo. Ainda que de forma complementar, estes estudos lançaram linhas de investigação que demonstravam a pertinência da coleção enquanto fonte para a caracterização da sociedade gaiense e portuense da respetiva cronologia. Paralelamente, as obras de Susana Moncóvio (2014) e Elisabete Pereira (2018) ofereceram referências metodológicas para o estudo de redes de conhecimentos e de colaboração entre agentes culturais, fundamentais para o presente estudo.

Antecedentes museológicos

7O colecionismo dos finais de Oitocentos é devedor de uma tradição que recua às galerias das grandes famílias do Renascimento europeu, dedicadas ao culto e à consagração do seu estatuto familiar e exaltação do seu potentado, sob o qual se reuniam as mais diversas fontes de conhecimento, exotismo e elevação cultural. Assumindo um caráter enciclopédico e eclético, resultavam do desenvolvimento de valores humanistas e, de forma secundária, manifestavam pretensões colonialistas europeias, cujos reflexos se manifestaram nos colecionadores.

  • 4 Terminologia à qual reconhecemos caráter anacrónico, mas utilizamos dado que as coleções que se seg (...)

8A consciência museológica4 dos espólios particulares enquanto ferramenta instrutiva constitui uma das principais intenções do espaço museológico. Neste sentido, destacamos o Gabinete Amerbach, coleção familiar adquirida pela cidade de Basileia (1661), tornada pública e administrada pela Universidade dessa cidade (Kunstmuseum Basel, s/d); a Coleção Ashmolean, doada à Universidade de Oxford (1683) e que originou o seu Museu (Ashmolean Museum Oxford, s/d); os legados das coleções de John Woodward (1728) e do 7.º visconde de Fitzwilliam (1816) à Universidade de Cambridge, sobre os quais se fundaram, respetivamente, o Museu Sedgwick e o Museu Fitzwilliam (University of Cambridge Museums & Botanical Garden, s/d); The Fitzwilliam Museum – Cambridge, s/d); e o de John Leigh Philips, cuja coleção, postumamente, daria origem à Sociedade de História Natural de Manchester (1821), precursora do Museu de Manchester (Manchester Museum, s/d).

9Em território próximo relembramos o primeiro museu público em Portugal, o Museu Portuense, inaugurado em 1834. Instituído por D. Pedro IV no rescaldo da Guerra Civil, o monarca possibilitou que nele se recolhesse o património das extintas comunidades religiosas e o expropriado a famílias miguelistas portuenses, pese embora a tentativa dos visados de alienar património clandestinamente (Ferreira 2016, 2-7). A rainha D. Maria II reafirmou o propósito educativo do Museu em 1835, através da criação da Associação Portuense, dos Artistas de Pintura, Escupltura e Architectura – Dos Amigos das Artes (Moncóvio 2014, vol. I, 80). Neste contexto de instrução promovida pela Coroa havia já o precedente da Aula da Esfera ou os setecentistas da Aula Náutica e da Aula de Desenho e Debuxo, instituições régias através da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro associadas às necessidades de formação dos marinheiros da Marinha Mercante e comerciantes portuenses (Bernardo 2012, 10).

10Relativamente ao colecionismo particular, destaca-se a coleção de João Allen, comprada em 1850 pela Câmara Municipal portuense, cujo espólio originou o Museu Municipal (Ribeiro 1879, 179) e atualmente integra o Museu Nacional Soares dos Reis (Santos 2005); outra coleção que integra o acervo deste museu é a de Manuel Maria Lúcio*, também colecionador e fundador da Misericórdia de Gaia (Moncóvio 2018, 176). Outro dos fundadores da Misericórdia gaiense, Ramiro Bastos Mourão*, republicano, vereador gaiense e conservador-ajudante do referido Museu, fundara os Amigos da Serra do Pilar (aos quais pertencia António Teixeira Lopes*) e detinha uma parceria comercial com Camilo José de Macedo, irmão de Diogo José de Macedo Júnior* (Guimarães, Teixeira e Guimarães 2018b, 211).

11Aberto o Museu Municipal portuense ao público em 1853, assumia que o «seu fim é tornar-se um estabelecimento verdadeiramente civilizador: seu objeto será, portanto, enciclopédico» (Ribeiro 1879, 183). Em 1877, Joaquim de Vasconcelos salientava esse importante papel didático, registando 146.631 visitantes desde a abertura e um relevante investimento na aquisição e salvaguarda de objetos com valor patrimonial (Vasconcelos 1877, 30-32) – uma das preocupações expressas no seu texto Reforma de Bellas Artes, no qual salientava a necessidade de se criarem «museus de artes industriaes e escolas de applicação sobretudo, mesmo antes de quaisquer Academias» (Ibid., 49), bem como museus locais (Ibid., 25).

  • 5 Era também sócio da S.G.L. (Henriques, s/d).
  • 6 Maçon e associado da S.G.L. (Zúquete 1989, vol. III, 519; Ventura 2013, 261).
  • 7 Visconde (1882) e 1.º conde de Moser (1890). Comerciante, cônsul da Suécia e Noruega no Porto, foi (...)
  • 8 Contribuiu em 1884 (por intermédio do «snr. Macedo Araujo», provavelmente o engenheiro José de Mace (...)
  • 9 Botânico especializado na briologia, cujo herbário constitui um dos principais fundos do Herbário d (...)
  • 10 Pertenceu ao Colégio Portuense e foi sócio fundador da S.I.P. (Revista… 1881, 276). Depreende-se pe (...)
  • 11 Promotor da entrada de Diogo Cassels* como sócio efetivo da S.I.P. (Revista… 1884a, 244).
  • 12 Também sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa [S.G.L.] e da Real Associação de Arquitetos e Arqu (...)
  • 13 Salientam-se as passagens de Diogo José de Macedo Júnior* sobre a predileção de Soares dos Reis pel (...)
  • 14 Apesar da referência de doador ser «José de Vasconcelos», parece-nos plausível tratar-se do mesmo, (...)

12Em 1881, seria a Sociedade de Instrução do Porto [S.I.P.] – da qual Joaquim de Vasconcelos era fundador5 (Revista… 1881, 40) – a promover a criação do seu Museu de Instrução Nacional, composto por várias subsecções como História Natural, Cerâmica ou Educação. Dependeu da contribuição de particulares, entre os quais Alfredo Allen6, Eduardo Moser7, Alfredo Douguet Lopes8, Augusto Luso, Júlio Henriques, Eduardo Sequeira, Isaac Newton*9, Manuel José Felgueiras10, Wilson Rawes11 ou, posteriormente, Augusto Nobre* (Cardoso 2003, 149-151). Sobre este último, relembramos que foi através da coleção malacológica do Museu Municipal do Porto que encetou as primeiras incursões na Zoologia (Grande Enciclopédia … vol. XVIII, 803-804). A artista Laura Pereira Nobre, sua familiar, foi assinante do Álbum Fototípico e Descritivo das Obras de Soares dos Reis, realizado por ocasião do suicídio do escultor Soares dos Reis e eminente carência da viúva e filhos, também subscrito por Marciano Azuaga. Laura Nobre expôs com António Teixeira Lopes* e apoiou diversas causas sociais, associando-se a Bento de Sousa Carqueja12 e ao Commercio do Porto (Moncóvio 2014, vol. II, 398). Entre todos os estudiosos referidos, salientamos a sua ligação generalizada às ciências naturais, confluente com os princípios científicos naturalistas e positivistas do final do século13. Estes princípios eram também partilhados pela Escola de Antropologia do Porto (Guimarães 1995b), na qual se enquadraram várias gerações desde Carlos Ribeiro, Oliveira Martins, José Leite de Vasconcelos*14, Basílio Teles, Alberto Sampaio, Ricardo Severo, Fonseca Cardoso a Rocha Peixoto e cujas investigações consolidaram um corpus teórico eminentemente alicerçado numa sólida metodologia e prática científica (Guimarães 1995b, 63).

  • 15 Filho de Frutuoso José da Silva Aires, responsável pela urbanização da Granja, e irmão de D. Antóni (...)
  • 16 Maçon e republicano, sócio da S.G.L., Professor da Academia Politécnica do Porto e à data Vice-pres (...)
  • 17 O filho José Amadeu*, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, foi um destacado (...)
  • 18 Formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foi vice-provedor e provedor interino da Misericórdi (...)

13Marciano Azuaga tornou-se sócio efetivo da S.I.P. em 1882, proposto por Eduardo Sequeira (Revista… 1882, 32). Participativo, integrou diversas iniciativas como organizador, expositor e júri (Moncóvio 2019, 25). Recuperamos como exemplo a visita dos sócios à «escola de desenho e de modelação das Devesas» em 1883, inaugurada no ano anterior e cuja aula era lecionada por Teixeira Lopes (pai)*, sócio da Fábrica de Cerâmica e Fundição das Devesas (Revista… 1884b, 565-568). Aberta na sequência da Exposição de Cerâmica organizada pela S.I.P., visava a formação dos operários nas artes respetivas (Moncóvio 2014, vol. I, 192; Revista… 1884b, 149). Nesta visita, entre outros, participaram José Frutuoso Aires de Gouveia Osório15, Joaquim de Azevedo Albuquerque16, Wilson Rawes, Joaquim de Vasconcelos, António Joaquim dos Reis Castro Portugal17, Isaac Newton*, José de Macedo Araújo Júnior, Bento de Sousa Carqueja e Artur Ferreira de Macedo*18; foram recebidos «pelos proprietários da fabrica […] representantes das fabricas de louça de Massarellos e da da Viuva de Soares Rego», ocasião que demonstra como diversas associações culturais e industriais se mesclavam através dos seus sócios (Revista… 1884b, 565-568).

  • 19 Destacamos Marcellino de Almeida Lucas*. Outro familiar, Alberto de Almeida Lucas*, foi também doad (...)
  • 20 Firma familiar internacionalmente reconhecida como produtora de fogões metálicos e pioneira na cons (...)
  • 21 Destacamos Júlio Pereira Soares*.
  • 22 Pároco de Mafamude, batizou Emílio Castelo Branco*, fundador e diretor do Clube Ginásio de Mafamude (...)
  • 23 Maçon e republicano. Apoiante das Creches de Santa Marinha e das escolas de Diogo Cassels*, foi cun (...)

14No final da visita, o presidente da S.I.P. anunciava que «o Club de Villa Nova de Gaya deliberára crear um premio de 15$000 reis para a Sociedade de Instrucção conferir ao alumno mais distincto da escola» (Ibid.). Fundado em 1877, entre outros, por Artur Ferreira de Macedo*, o Clube* notabilizou-se através de iniciativas sobretudo vocacionadas para o fomento da instrução pública, a «única base de felicidade dos povos» (Relatorio… 1882, 6). Pertenciam-lhe personalidades destacadas da sociedade gaiense, notando-se a recorrência de laços familiares, como o caso dos Macedo, Almeida Lucas19, Thomaz Cardoso*20 ou Pereira Soares21. Entre outros, foram sócios Diogo Leite Pereira de Mello, abade Santana22, João Thomaz Cardoso, José Gonçalves da Silva Matos*23, Eduardo Augusto dos Santos*, João da Costa Caldas*, Domingos Gonçalves de Castro* e os irmãos Diogo José* e Camilo de Macedo, filhos legitimados pelo segundo casamento de Diogo José de Macedo (Guimarães 2018c, 95; Relatorio… 1880; 1881). Na casa deste último, na Bandeira, «espécie de cenáculo artístico e literário», entretinha-se a sociedade do tempo, desde Francisco José de Rezende e Soares dos Reis, a Ramalho Ortigão e Ricardo Guimarães, a Emília das Neves, António Bernardo Ferreira (III)*, visconde de Vilar de Allen, abade de Santana, aos próprios reis D. Pedro V, D. Luiz I e príncipes D. João duque de Beja e (italianos) D. Augusto e D. Humberto (Macedo Júnior e Macedo 1989 [1937], 49).

15Em 1884, Marciano Azuaga assinava uma petição com Artur Ferreira de Macedo*, Teixeira Lopes (pai)*, abade Santana, António Bernardo Soares e António Almeida da Costa, para que a S.I.P. intercedesse para que a fundação de uma das três escolas de desenho industrial previstas para o Porto no Decreto de 3 de janeiro de 1884 se instituísse antes em Gaia. A 5 de dezembro instituía-se em Gaia uma tal escola, designada Passos Manuel (Revista… 1884a, 62). Recordamos que foi por ação do governo Regenerador de Fontes Pereira de Melo que estas escolas foram criadas; Artur Ferreira de Macedo* dirigiu o periódico Vida Nova, de 1887 a 1899, que advogava políticas progressistas – partido o qual (Progressista) havia sido formado em 1876, na Granja (Lacerda 1984, 535).

16Todos os casos supramencionados revelam a profunda ligação da academia e das instâncias locais e intelectuais ao domínio das coleções particulares, bem como a sua importância para a consolidação dos respetivos espólios. Desvendam uma sociedade culturalmente empenhada na sua disponibilização pública, pretendendo que contribuíssem para o avanço científico, artístico e industrial da comunidade que lhes acedia, promovendo o museu como local de reflexão dessas disciplinas (Cardoso 2003, 149-150).

Museu Marciano Azuaga

  • 24 Foi secretário de Eça de Queirós na Revista de Portugal a partir de 1891 e viria a publicar em 1902 (...)

17Era este o contexto que circunstanciava a coleção Marciano Azuaga, de pendor universalizante e cuja orientação partiu da curiosidade e gosto próprios. Contudo, o caráter ilustrado do colecionador reconheceu-lhe potencialidades instrutivas: «Venho pois offerecer as minhas collecções […] reunidas e resguardadas, mas constantemente accessíveis ao publico, que deseje instruir-se» (Cópia fiel… 1904). Nesse sentido, a coleção encontrava-se aberta ao público gratuitamente e custeada pelo colecionador num edifício nas Devesas, constituindo assim o primeiro museu público da cidade. Posteriormente à doação, o Museu foi realocado para um andar alugado pela Câmara Municipal, onde a sua exposição foi reorganizada pelo colecionador e por Rocha Peixoto24. Este último, em conjunto com Ricardo Severo e Fonseca Cardoso, encabeçava a revista Portvgália, que se tornara no recetáculo por excelência das investigações antropológicas nacionais, granjeando reconhecimento internacional e pautando as principais linhas de desenvolvimento desta área científica em Portugal (Guimarães 1995b, 66). Em 1909, um dos secretários da revista, José Fortes, criticava a situação deficiente do Museu, que albergava os 1865 objetos da coleção, com proveniência de quase todos os continentes e representativos de realidades tão díspares como alfaias agrícolas ou cabeças mumificadas de indígenas Munduruku do Brasil (Fortes 1909, 89).

Fig. 2 – Museu Marciano Azuaga (provavelmente quando situado nas Devesas), fotografias impressa em jornal, publicadas in Museu Azuaga. «Branco e Negro – Semanario Illustrado», n.º 66, Lisboa, 4 de Julho de 1897, 2.º ano, pp. 209-210.

Fig. 3 – Museu Marciano Azuaga (provavelmente quando situado nas Devesas), fotografias impressa em jornal, publicadas in Museu Azuaga. «Branco e Negro – Semanario Illustrado», n.º 66, Lisboa, 4 de Julho de 1897, 2.º ano, pp. 209-210.

  • 25 Integrou-se na Biblioteca Popular, anexa à coleção, uma coleção bibliográfica de Adolfo Maria de Sá (...)

18O Museu encerraria em 1934 por falta de condições. Lança-se a primeira pedra para um novo edifício da biblioteca e museu municipal, mas, contudo, adquirira-se o espólio de António Teixeira Lopes* dois anos antes, que se privilegia em detrimento dos planos do novo Museu25; em 1979 inaugura-se a nova «Biblioteca Municipal/Museu Etnográfico Marciano Azuaga» que, contudo, nunca concretizou o seu intuito museológico. Relegada para arrecadações e deteriorando-se muitos dos seus elementos orgânicos, a coleção foi recuperada em 1987 e depositada no Solar Condes de Resende, onde se reenquadrou museologicamente e permanece em reserva, pese embora algumas peças em exposição noutros equipamentos municipais.

Fig. 4 – Museu Municipal Marciano Azuaga (quando situado na rua da Fervença) [1904-1934]. Fotografias em chapa de vidro

Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende

Fig. 5 – Museu Municipal Marciano Azuaga (quando situado na rua da Fervença) [1904-1934]. Fotografias em chapa de vidro

Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende

Gaia e Porto na segunda metade do século XIX

19No decorrer de Oitocentos, a questão da instrução pública irá perpassar tanto a esfera privada como pública, igualmente comprometidas no seu fomento como alavanca para o desenvolvimento do País. Já em 1841 Alexandre Herculano lhe dedicara um Opúsculo, reconhecendo que «nos países livres, não pode deixar de ser tida em conta de garantia pública e ao mesmo tempo individual» (Herculano 1901, 107-108).

20Imbuída deste espírito, a sociedade da segunda metade do século fomentou iniciativas que visaram instruir os cidadãos, numa renovada consciência que associou ao progresso industrial e tecnológico as realizações artísticas do seu tempo. Sendo a industrialização o motor desse desenvolvimento, tornou-se perentória a readequação dos núcleos produtores à nova realidade, esforço pelo qual também passou a qualificação dos operários, recorrendo-se ao associativismo nos seus tempos livres.

21O governo de 1864 previa já a «a necessidade absoluta e imperiosa, de se estabelecerem nos centros industriais museus tecnológicos» (Ministério das Obras Públicas 1865, 958 apud Henriques 2019, 12), mas foram sobretudo republicanos, socialistas e anarquistas que mais se empenharam na sensibilização para a importância da instrução enquanto meio de elevação da sociedade e consequente nivelação mais igualitária (Santos 2017, 149). O crescimento demográfico gaiense durante o século resultara no aumento de 24.675 para 74.072 habitantes (Cirne 2007, 56), dos quais apenas 12.516 homens e 6.363 mulheres sabiam ler (Arroyo et al. 1909, 93). Gaia constituía assim terreno fértil para essas mesmas representações político-intelectuais.

22O fomento da instrução pública será concretizado através múltiplas personalidades e associações, as quais não só constituíam aulas de alfabetização para diferentes faixas etárias, mas também gabinetes de leitura. Alguns particulares, como Júlio Gomes dos Santos*, instituíram aulas noturnas; neste caso, a par de alfabetização, ensinava escrituração e contabilidade comercial, uma vez que foi funcionário público de finanças e chefe de Contabilidade de uma das «mais importantes casas exportadoras de vinhos» gaiense (“Julio Gomes dos Santos” 1930). Outro doador, Álvaro Lambertini Magalhães*, também manteve relações com o mundo vinícola, enquanto Presidente da Assembleia Geral da Empresa Vinícola do Douro (Diário do Governo… 1946, 568).

  • 26 A dissertação apresentada pelo gaiense Inocêncio Osório Lopes Gondim* em 1887 à Escola Médico-Cirúr (...)

23É também este o tempo da consagração da pedagogia em Portugal, que se concretiza através de periódicos como o Froebel (Brás e Gonçalves 2014), da Cartilha Maternal de João de Deus e do interesse científico que se lhe associou26; ou por esforços de alfabetização de iniciativa particular, como os da escola primária instituída em Canelas pelo 5.º conde de Resende (Moncóvio 2016; Baptista 2017, 71) ou das escolas gaienses da Igreja Lusitana de Diogo Cassels* (Peixoto 2001a; Peixoto 2001b; Afonso 2007; Afonso e Silva 2017) – apenas um de vários exemplos de como as esferas religiosas, evangélica e católica, convergiam neste propósito, revelando individualidades eruditas e conscientes da mentalidade do seu tempo. Outro caso, de pendor mais social, foi o da instituição do Círculo Católico de Operários e da Conferência de São Vicente de Paulo em Gaia pelo bispo de Argos D. António Moutinho*, na década de 1890, enquanto pároco de Santa Marinha (“D. António Moutinho...” 1910, 96; Grande Enciclopédia… vol. XVIII, 37).

24Paralelamente, o associativismo manifestava-se na organização de atividades lúdicas e na prestação de serviço assistencial, panóplia atrativa para cidadãos necessitados desses apoios. O caso da Associação das Creches de Santa Marinha (1888) evidencia inúmeras personalidades comprometidas na sua fundação e gestão, como o conde de Campo Belo, Bento de Sousa Carqueja, João Thomaz Cardoso, Artur Ferreira de Macedo*, Rodrigues de Freitas ou Diogo José de Macedo Júnior* (Baptista 2018c, 70, 213, 215, 50), sendo notório o empenho de membros da maçonaria (sociedade à qual Marciano Azuaga pertencia) para a prossecução dos objetivos dessa associação (cf. Baptista 2018c, 215). O colecionador contribuiu através da organização de uma visita ao seu museu, em 1896, mediante pagamento de uma verba simbólica (mínima) de 50 réis, cujo proveito reverteria em favor das creches (Ibid.). A sua ligação ao mutualismo gaiense estreitou-se ainda através da Associação Vilanovense – Fé, Esperança e Caridade, fundada em 1859, da qual foi vice-presidente (Ibid.; Azevedo e Santos 1995 [1881], 428):

Possue este cavalheiro em Villa Nova de Gaya (Devezas) aonde reside a mais de 18 annos uma família numerosa… são os pobrezinhos do logar. É sempre com um bondoso sorriso que os attende nas suas supplicas e quando a do [no] lhes invade as pobres habitações e ainda o sr. Azuaga que os [visita] procura remediar nos seus soffrimentos.» (“Secção Noticiosa” 1882, 2)

25A esta associação pertencia também Alberto d’ Almeida Lucas, tio de Bernardo Lucas* – maçon prestigiado e republicano, reconhecido advogado, deputado e diretor do Ensino Primário Superior em Gaia na década de 1920 (Grande Enciclopédia… vol. XV, 549; Baptista 2018d, 177). Amigo de Joaquim de Vasconcelos e António Nobre (irmão de Augusto Nobre*), Bernardo Lucas destacou-se pela valorização da perícia forense em Portugal; também outro doador se destacou neste âmbito, no contexto do crime da rua das Flores: Alcino Ferreira da Cunha* foi um dos responsáveis por exumar e autopsiar o cadáver de José António Sampaio Júnior (Dinis-Oliveira 2019).

  • 27 Cf. Marques e Dias 2003-2004, 277, dos 263 maçons portuenses, «193 (73%) haviam sido iniciados a pa (...)

26Outras instituições acercaram-se da comunidade académica e intelectual correspondendo a outra realidade associativa, pautada por ideologias convergentes: juntava-se ao Positivismo de Comte e Taine, cujas lições tanto impressionaram Soares dos Reis (Moreira 1989 apud Queiroga 2011, 17) o Realismo de Courbet ou da Geração de 70, que viria a tomar o Anarquismo de Proudhon como assunto de deliberação nas Conferências do Casino (Jorge 1989). Dessa mesma Geração, que sintetizava uma multiplicidade de correntes filosófico-políticas, intensificavam-se os sentimentos republicanos (Catroga 2010), aos que se acresciam os de pendor socialista de Sousa Brandão ou Henriques Nogueira (Mesquita 2009 e Lacerda 1984, 513) que ecoavam pelos prolíferos periódicos que a segunda metade do século viu despontar (Mónica e Matos 1981; Carvalho 2013; Sá 1991). Adicionalmente, latentes, residiam ainda os ideais liberais e iluministas da viragem de século, que se prolongaram através dos círculos maçónicos que refloresceram no Porto a partir de 188027 e aos quais se associou recorrentemente a ideologia republicana (Marques 1986, vol. I, 324-331) – que se expressava em Gaia pela fundação das primeiras lojas gaienses Fraternidade Universal (1898) e São João (1903), por Artur Ferreira de Macedo* (Baptista 2018b, 152).

27Neste sentido, entendemos particularizar o caso do C.A.P., fundado em 1880 sob o ímpeto renovador de Soares dos Reis, Joaquim de Vasconcelos, Manuel Maria Rodrigues e Francisco Aguiar dos Santos. Marciano Azuaga terá reconhecido o destaque artístico de Soares dos Reis, pois colecionou vários medalhões por ele executados e a própria mão e máscara fúnebre do escultor. Recolheu também um esboço inicial da planta da casa-oficina de Soares dos Reis, oferta do amigo do escultor, Diogo José de Macedo Júnior* (Macedo Júnior e Macedo 1989 [1937], 8).

28O C.A.P. disponibilizou aos associados, profissionais e amadores, homens e mulheres, em regime de ensino livre, um programa letivo que assumia como referências Roma e Paris, materializando as alterações curriculares que a Academia viria a frustrar a Soares dos Reis (Moncóvio 2014, vol. I, 106). Reportando ao «lazer culto» (Ibid., 107), ofereciam aos associados um atelier com modelo vivo, gabinete de leitura, jornal ilustrado, conferências e exposições-bazar anuais (Ibid., 119). Contudo, para Joaquim de Vasconcelos e Manuel Maria Rodrigues a ação do Centro mostrava-se inconsequente. Procuravam que o seu currículo enquadrasse as artes industriais e trabalhasse ativamente para alterar a mentalidade e gosto da população (Ibid., 116) – nesse sentido, surgiu a Escola do Centro (Ibid., 119). A cargo de Francisco Aguiar dos Santos ficou a direção do periódico ilustrado A Arte Portugueza (Ibid., 111), publicado a partir de 1882 e rapidamente consagrado como caso paradigmático dos periódicos de cultura artística nacionais, coligindo contribuições recorrentes dos associados acima referidos.

  • 28 Sabemos que o editor publicou n’A Alvorada versos de Ana Plácido, conforme indica Luiz Fagundes Dua (...)

29A multiplicação de periódicos e progressiva especialização afirma-se como um dos principais órgãos, sintomas e produtos desta renovação oitocentista. No caso portuense, a criação da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto em 1882 consagrava a relevância da imprensa na sociedade dos finais de século (Sousa e Teixeira 2011, 25). Destacamos dois exemplos, pela próxima ligação ao colecionador: A Alvorada e Via Férrea, fundados em 1885 e 1892 por Joaquim Azuaga. O primeiro, assumia-se na «extrema esquerda da imprensa portuguesa» (Gonçalves 2006, 133) e contou com contribuições de Camilo Castelo Branco28. Joaquim de Azuaga contribuiu também para a publicação de tiragem única Porto-Andaluzia, organizada pelo caricaturista Sebastião Sanhudo (sócio do C.A.P.), em proveito das vítimas dos terramotos na Andaluzia entre 1884 e 1885 (Duarte 2017, 646). O caricaturista fundara em 1877, no Porto, a Litografia Portuguesa, em cujas instalações se reuniam em tertúlia diversos amigos, entre os quais Bernardo Lucas* (Basto 2012, 58). E com Sebastião Sanhudo colaborara ainda outro doador, Agostinho Albano*, como diretor do periódico Pae Paulino (Duarte 2017, 624). Agostinho Albano, por sua vez, colaborara na década de 70 no Diário da Tarde, editado por Urbano Loureiro, irmão do artista Artur Loureiro (sócio do C.A.P.) e amigo do abade Santana.

30Outros periódicos sistematizavam a atividade científica, política e didática associativa, como O Ensino, publicado pelo Colégio Portuense e dirigido por Patrício Teodoro Álvares Ferreira. Nele, Joaquim de Vasconcelos expressou as suas considerações relativas à reforma do ensino do Desenho. A coleção regista como doador Pedro Amorim*, que ponderamos poder tratar-se de «Pedro José Amorim», sócio do Clube de Gaia* (Relatorio … 1881) ou do Professor Pedro Amorim Viana, reconhecido filósofo e matemático da Academia portuense, também colaborador deste periódico.

  • 29 Pelo que supomos ter sido chefe de contabilidade da Casa Ferreira, com a qual Diogo José de Macedo (...)

31O plano letivo do Colégio previa vários níveis de instrução, disciplinas teóricas e práticas e várias Línguas (Moncóvio 2014, vol. I, 91). Integrava também a Escola de Ensino Prático, fundada em 1878, com cursos práticos a baixo preço, que decorriam das 19h às 21h, dirigidos, entre outros, por Augusto Luso, Patrício Teodoro Álvares Ferreira, Joaquim de Vasconcelos e Rodrigues de Freitas. Entre docentes e colaboradores encontravam-se «figuras próximas do positivismo, do republicanismo e da maçonaria, o que nos coloca perante um perfil político-ideológico» (Ibid., 92) e, acrescentaríamos, científico. Entre os docentes encontramos nomes como Basílio Teles Ribeiro, Ricardo Jorge e Manuel José Felgueiras; nos alunos, o filho do 2.º conde de Samodães, Leopoldo de Oliveira Mourão, José Leite de Vasconcelos*, Eduardo Sequeira e António José Santos Pousada (Ferreira 2006 apud Moncóvio 2014, vol. I, 92). O Colégio encabeçou diversas iniciativas, como a campanha contra a fome provocada pela crise na Covilhã na década de 80, instituindo duas comissões presididas por Diogo José de Macedo e às quais pertenceu, entre outros, Júlio Gomes dos Santos*29 (Moncóvio 2014, 94).

32Também as Exposições se revestiram de particular importância para a disseminação do conhecimento e de vanguardas tecnológicas e artísticas – prenunciando os preceitos positivistas que dominariam a atividade intelectual do século XIX. Em Portugal, decorria em 1775 a primeira exposição de manufatura portuguesa (Homem 1984 apud Moncóvio 2014, vol. I, 44), inaugurando esta prática fundamental para a evolução das indústrias nacionais, principalmente cultivada na segunda metade de Oitocentos. Marciano Azuaga participaria com a sua coleção nas seguintes:

  • 30 O inventário da coleção identifica o doador com «Augusto Gonçalves», que conjeturamos tratar-se do (...)

a) 1881: Exposição de História Natural e a Exposição-Bazar do C.A.P., impulsionadas por Joaquim de Vasconcelos (Moncóvio 2019, 25); nesta última e na seguinte participou o Professor de Coimbra António Augusto Gonçalves*30 (Revista… 1881, 229 e 235-241; Revista… 1882, 681; Revista… 1884b, 193), maçon e republicano (Marques 1986, vol. I, 645), amigo de Joaquim de Vasconcelos e impulsionador da museologia e ensino livre e industrial conimbricense (Grande Enciclopédia… vol. XII, 552-553; Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis apud Universidade de Coimbra, s/d.). Foi também responsável por assegurar os apoios régio e episcopal para o restauro da Sé Velha, ponto de origem da maioria dos azulejos hispano-árabes integrados na coleção Azuaga (Vinagre 2019, 97);

b) 1882: Exposição de Cerâmica Nacional, proposta por Augusto Luso (Cardoso 2003, 138) e que Joaquim Azuaga, António Augusto Gonçalves* e Manuel Joaquim Correia da Gama* integraram (Guimarães 1995a, 7). Marciano Azuaga pertenceu ainda à comissão executiva organizadora em conjunto com, por exemplo, António Almeida da Costa, Joaquim de Vasconcelos, Patrício Teodoro Álvares Ferreira e José Frutuoso Aires de Gouveia Osório (Moncóvio 2019, 26), mas integrou também o júri com Eduardo Sequeira, Augusto Luso, José de Macedo Araújo Júnior, Bento de Sousa Carqueja, Rodrigues de Freitas, Conde de Samodães, entre outros (Vinagre 2019, 65); um dos premiados com Diploma de Progresso nesta exposição foi Manuel Joaquim Correia da Gama*, ourives portuense que integraria uma comissão da S.I.P. instaurada em 1883, encarregue de estudar a validade económica de um projeto de ensino industrial por parte dos ourives da cidade (Revista… 1884b, 576; 583);

c) 1883: Exposição de Ourivesaria e Joalharia Moderna (Moncóvio 2019, 26);

d) 1894: Exposições Agrícola e Industrial de Vila Nova de Gaia e Insular e Colonial Portuguesa, tendo sido na última vogal da comissão promotora e auxiliar dos trabalhos da Exposição (Ibid.). Na primeira, participaram também a firma familiar João Thomaz Cardoso*, Albino Barbosa e João da Afonseca Lapa*, sendo este último residente em Gaia a partir da década de 1860, altura em que assumira a oficina de Manuel da Fonseca Pinto. Ambos trabalharam em colaboração e com António Teixeira Lopes*, cunhado de Afonseca Lapa (Queiroz 2018a, 135). A exposição gaiense evidenciava o desenvolvimento industrial do município ao longo do século, que culminaria com a fundação de uma Associação Comercial em 1897 (Guimarães 1997, 79).

Considerações finais

33Os círculos sociais, intelectuais, profissionais e familiares de Vila Nova de Gaia e Porto evidenciam as incontáveis camadas que constituíam esta tessitura social. Estas entrelaçavam-se entre afinidades, negócios, instituições e também pelos grandes temas que norteavam a intelectualidade e o compromisso social da viragem do século XIX para o seguinte. Entre ambas as margens estreitavam-se as ligações com a construção das pontes D. Maria II em 1843, Maria Pia (ferroviária) em 1877 e Luís I em 1886 (Ribeiro 2011, 78), mas sobretudo através dos espaços de encontro como a academia, clubes, lojas maçónicas, ateliers de artistas e museus.

34O cruzamento dos dados apresentados permite aferir os círculos mais determinantes para a formação de opinião intelectual dos visados no texto, ainda que a sua manifestação textual necessite de uma análise crítica. Primeiramente, o inventário apenas regista doadores a partir de 1904, o que não invalida que outros dos mencionados também o possam ter sido anteriormente; se a maçonaria não surge com a representatividade presumível, talvez assim seja pelas condicionantes de acesso a arquivos maçónicos e a falta de estudos sobre os mesmos; referências à academia e Sociedade de Instrução do Porto são recorrentes, dado o seu compromisso com a investigação e desenvolvimento científico – já a representação da Sociedade Carlos Ribeiro não reflete o impacto real dos seus trabalhos para o desenvolvimento científico nacional; por outro lado, o Centro Artístico Portuense e Club Musical de Villa Nova de Gaya demonstram a relevância dos centros de atividades de lazer culto e recreação; a imprensa surge também com notória frequência, pelos motivos já expressos anteriormente.

35A metodologia utilizada oferece uma sistematização relevante para o estudo do colecionismo e da museologia, uma vez que torna explícita as sobreposições institucionais e sociais de determinados agentes culturais e, assim, as próprias redes de contacto, partilha e debate estabelecidas entre os mesmos.

  • 31 Integra vestígios do Mosteiro da Batalha e azulejaria da Sé Velha de Coimbra. Ambos casos evidencia (...)
  • 32 Maçon, grão-mestre da Grande Loja Provincial do Oriente Irlandês de 1851 a 1853, cf. Marques (1986, (...)

36A coleção Marciano Azuaga permite aferir a permeabilidade desta sociedade aos temas mais relevantes da atividade científica coeva que, imbuída de um espírito positivista e moldada por emergentes áreas científicas, foi imprimindo sobre este colecionador a sua influência. Dada a crescente valorização de estudos da Pré-História, encabeçados pelo papel fundamental de Carlos Ribeiro e a descoberta dos concheiros de Muge, não será estranha a existência de um relevante núcleo malacológico na coleção Marciano Azuaga, bem como mineralógico, paleontológico e algum espólio osteológico proveniente dos tholos do vale de São Martinho de Sintra. Estas áreas, a que se podem juntar a botânica e a zoologia, começavam a ser assumidas pelas academias e sociedades científicas, tornando-se focos de interesse para naturalistas como Augusto Nobre*, Isaac* e Francisco Newton ou Júlio Henriques; como demonstram as fotografias dos antigos museus Azuaga, o espólio era também rico em espécimes do mundo natural, sendo particularmente expressivos alguns animais embalsamados. A consagração da arqueologia fica também patente nos vestígios arqueológicos e de alguns monumentos nacionais que a coleção integra31. Demonstram-nos uma crescente sensibilidade motivada pela ação de Possidónio da Silva32, por exposições como a de Arqueologia e Objetos Raros Naturais, Artísticos e Industriais (1867) e pela própria predileção de Soares dos Reis pela Arqueologia. O município gaiense viria a contribuir para esta crescente valorização com a solicitação do presidente da Câmara Joaquim Augusto da Silva Magalhães a José Fortes, em 1908, para encabeçar a escavação da necrópole de Gulpilhares (Silva 2015, 2). José Fortes e os restantes homens da Escola de Antropologia do Porto e Sociedade Carlos Ribeiro encontrariam também ecos do seu interesse pela etnografia colonial na coleção, que integra núcleos etnográficos africano e de indígenas do Brasil; mas também o interesse pelo exotismo do mundo oriental, que tanto Ricardo Guimarães como Eça de Queirós e o 5.º Conde de Resende experienciaram nas suas viagens ao Oriente, se faz refletir no núcleo de objetos asiáticos ou no pequeno núcleo egípcio da coleção, que materializa o fenómeno da egiptomania, mas também o interesse por um Oriente progressivamente desvelado de mistério e aberto ao desenvolvimento turístico do Grand Tour. Por último, a coleção integra um núcleo considerável de peças cerâmicas contemporâneas do colecionador. A par da sua amizade com Joaquim de Vasconcelos e com os sócios da Fábrica das Devesas, do seu papel ativo na implantação de uma escola industrial em Gaia, da participação e organização de exposições e da abertura gratuita do seu museu ao público, torna-se evidente que Marciano Azuaga partilhava da conceção social e instrutiva prevista para os museus do final de Oitocentos – particularmente no contexto das artes industriais, pelas quais Joaquim de Vasconcelos clamou na Reforma das Bellas Artes, no Museu de Instrução Nacional, no Centro Artístico Portuense e no Colégio Portuense.

37Estes interesses científicos eram também partilhados por José Leite de Vasconcelos*, que visitou em dezembro de 1892 esta «collecção ethnographica bastante cursiosa», cujo relato publicou no primeiro número do Archeólogo Português. Posteriormente, em 1912, aí voltou a publicar considerações sobre o mesmo espólio, com as quais concluímos:

Dotado de inteligência e gosto não vulgares, dominado pela paixão artística, atacado pela mania de coleccionador, conseguiu organizar um curiosíssimo museu e nada pequeno, para ser propriedade dum particular […] Oxalá que o exemplo de Marciano Azuaga seja seguido por algumas pessoas que possuindo boas colecções as deixem por sua morte a colectividades que as conservem, estimem e tornem conhecidas do público [...] É muito interessante uma visita ao Museu «Azuaga», à saída do qual nos sentimos presos de admiração, saùdade e respeito pela memória do benemérito fundador e oferente (Vasconcelos 1912, 179).

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Notas

1 O símbolo “*” assinala doadores da coleção Marciano Azuaga.

2 O escultor Joaquim Meirelles*, primo dos filhos Teixeira Lopes, também foi doador da coleção (Grande Enciclopédia… vol. XVI, 751).

3 Os estudos existentes sobre esta coleção e seus núcleos (c. 30 títulos) encontram-se elencados em Guimarães e Guimarães (2018).

4 Terminologia à qual reconhecemos caráter anacrónico, mas utilizamos dado que as coleções que se seguem prefiguraram a instituição de museus.

5 Era também sócio da S.G.L. (Henriques, s/d).

6 Maçon e associado da S.G.L. (Zúquete 1989, vol. III, 519; Ventura 2013, 261).

7 Visconde (1882) e 1.º conde de Moser (1890). Comerciante, cônsul da Suécia e Noruega no Porto, foi sócio fundador da S.I.P., do Centro Artístico Portuense e doador do Club Musical de Villa Nova de Gaya*. Deve-se-lhe a tradução do Livro de Oração Comum para português (Relatório… 1881; Moncóvio 2014, vol. II, 97; Zúquete 1989, vol. III, 37).

8 Contribuiu em 1884 (por intermédio do «snr. Macedo Araujo», provavelmente o engenheiro José de Macedo Araújo Júnior) com objetos de indígenas do Zaire, cf. Revista… (1884a, 195).

9 Botânico especializado na briologia, cujo herbário constitui um dos principais fundos do Herbário da Universidade do Porto. Sócio fundador e tesoureiro da S.I.P. (Revista… 1881, 40-44; Catálogo… 1916; Vieira e Hespanhol 2019-2021, 16).

10 Pertenceu ao Colégio Portuense e foi sócio fundador da S.I.P. (Revista… 1881, 276). Depreende-se pelo teor das suas contribuições que se especializou no estudo de fetos (plantas).

11 Promotor da entrada de Diogo Cassels* como sócio efetivo da S.I.P. (Revista… 1884a, 244).

12 Também sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa [S.G.L.] e da Real Associação de Arquitetos e Arqueólogos Portugueses (Grande Enciclopédia…, vol. V, 992).

13 Salientam-se as passagens de Diogo José de Macedo Júnior* sobre a predileção de Soares dos Reis pela botânica, realizando digressões com o intuito de observar espécies naturais; esse gosto valeu-lhe a alcunha de «Celidónia», cunhada pela cozinheira dos Macedo, cf. Macedo Júnior e Macedo (1989 [1937], 14-17).

14 Apesar da referência de doador ser «José de Vasconcelos», parece-nos plausível tratar-se do mesmo, dada a proximidade entre a coleção Azuaga e Leite de Vasconcelos*. Sócio da S.G.L. e da S.I.P. desde 1882 (Revista… 1884, 45).

15 Filho de Frutuoso José da Silva Aires, responsável pela urbanização da Granja, e irmão de D. António Gouveia Osório. Lecionou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foi presidente e vereador da Câmara Municipal do Porto, diretor da Associação Comercial do Porto e presidente da Direção da Associação Industrial Portuense. Sócio fundador e Presidente da S.I.P. (Grande Enciclopédia..., vol. I, 684; Castro 1973, 74).

16 Maçon e republicano, sócio da S.G.L., Professor da Academia Politécnica do Porto e à data Vice-presidente do Clube*. Foi Presidente da S.I.P. entre 1884 e 1885 (Grande Enciclopédia… vol. I, 754; Marques 1986, vol. I, 32).

17 O filho José Amadeu*, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, foi um destacado mineralogista e promotor da prática agrária associada às novas tecnologias mecânicas e químicas (Baptista 2018f, 191).

18 Formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foi vice-provedor e provedor interino da Misericórdia do Porto e vice-presidente e vereador da Câmara Municipal gaiense. Associou-se ao Centro Artístico Portuense [C.A.P.] e S.I.P. Amigo próximo da família Teixeira Lopes. Vd. Teixeira Lopes (1968, 79-80); Moncóvio (2014, vol. II, 94) e Baptista (2018c, 49-50).

19 Destacamos Marcellino de Almeida Lucas*. Outro familiar, Alberto de Almeida Lucas*, foi também doador, não havendo registo da sua associação ao Clube*.

20 Firma familiar internacionalmente reconhecida como produtora de fogões metálicos e pioneira na construção de cofres resistentes ao fogo. Participou nas Exposições de Paris (1878) e do Rio de Janeiro (1879). Vd. Queiroz (2018b, 103).

21 Destacamos Júlio Pereira Soares*.

22 Pároco de Mafamude, batizou Emílio Castelo Branco*, fundador e diretor do Clube Ginásio de Mafamude (frequentado pelos irmãos Diogo José* e Camilo José de Macedo), autor de memórias de personalidades gaienses (Conde 2018, 187), publicadas n’ O Tripeiro, periódico fundado por Alfredo Ferreira Faria* (Grande Enciclopédia… vol. X, 912). Outro fundador deste Clube foi Alfredo Antunes da Silva Cunha, filho de Alfredo José da Silva Cunha* (Guimarães 2018b, 239), que se encontra na lista de assinantes do Álbum Fototípico... (Moncóvio 2014, vol. II, 396).

23 Maçon e republicano. Apoiante das Creches de Santa Marinha e das escolas de Diogo Cassels*, foi cunhado de Bernardo Lucas* (Baptista 2018g, 162).

24 Foi secretário de Eça de Queirós na Revista de Portugal a partir de 1891 e viria a publicar em 1902 o Guia do Museu Municipal do Porto (do qual foi gestor), em colaboração com Joaquim de Vasconcelos (Câmara Municipal da Póvoa de Varzim 1975; Pizarro 2018, 120).

25 Integrou-se na Biblioteca Popular, anexa à coleção, uma coleção bibliográfica de Adolfo Maria de Sá Monteiro*, atualmente integrada na Biblioteca Pública Municipal de Vila Nova de Gaia. Este, foi secretário da Associação Católica do Porto e vogal da comissão administrativa da Biblioteca do Ateneu Comercial do Porto entre, pelo menos, 1895 e 1898, da qual Rocha Peixoto era bibliotecário (Câmara Municipal da Póvoa de Varzim 1975; Gonçalves 1990).

26 A dissertação apresentada pelo gaiense Inocêncio Osório Lopes Gondim* em 1887 à Escola Médico-Cirúrgica do Porto intitulava-se “Luz Natural e Artificial nas Escolas”. Viria a tornar-se vereador da Câmara gaiense, tendo proposto dotar o Museu Azuaga de uma biblioteca pública (Silva 2007, II.13; Guimarães, Teixeira e Guimarães 2018a, 170).

27 Cf. Marques e Dias 2003-2004, 277, dos 263 maçons portuenses, «193 (73%) haviam sido iniciados a partir de 1887». São recorrentes no texto as referências a membros da maçonaria, o que demonstra a sua preponderância na respetiva cronologia; por limitação de espaço, não é possível abordar esta questão com maior profundidade.

28 Sabemos que o editor publicou n’A Alvorada versos de Ana Plácido, conforme indica Luiz Fagundes Duarte a propósito de uma carta de Ana Plácido escrita na primeira metade de 1890 e que o autor refere destinar-se a Joaquim Azuaga (Duarte 2019, 189). Camilo foi também próximo do abade Santana, o qual segundo Alberto Pimentel fora decisivo no desenvolvimento da sua escrita (Pimentel apud Coelho 1982 apud Abreu 2016, 104).

29 Pelo que supomos ter sido chefe de contabilidade da Casa Ferreira, com a qual Diogo José de Macedo manteve uma permanente relação profissional (Baptista 2018e, 95).

30 O inventário da coleção identifica o doador com «Augusto Gonçalves», que conjeturamos tratar-se do referido Professor.

31 Integra vestígios do Mosteiro da Batalha e azulejaria da Sé Velha de Coimbra. Ambos casos evidenciam o interesse pela arquitetura medieval no contexto de valorização nacionalista oitocentista e da ainda incipiente prática de restauro.

32 Maçon, grão-mestre da Grande Loja Provincial do Oriente Irlandês de 1851 a 1853, cf. Marques (1986, vol. II: 1347).

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Índice das ilustrações

Legenda Fig. 1 – Marciano Azuaga, fotografia sobre papel [1888-1904]
Créditos Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/docannexe/image/4308/img-1.png
Ficheiro image/png, 781k
Legenda Fig. 2 – Museu Marciano Azuaga (provavelmente quando situado nas Devesas), fotografias impressa em jornal, publicadas in Museu Azuaga. «Branco e Negro – Semanario Illustrado», n.º 66, Lisboa, 4 de Julho de 1897, 2.º ano, pp. 209-210.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/docannexe/image/4308/img-2.png
Ficheiro image/png, 510k
Legenda Fig. 3 – Museu Marciano Azuaga (provavelmente quando situado nas Devesas), fotografias impressa em jornal, publicadas in Museu Azuaga. «Branco e Negro – Semanario Illustrado», n.º 66, Lisboa, 4 de Julho de 1897, 2.º ano, pp. 209-210.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/docannexe/image/4308/img-3.png
Ficheiro image/png, 500k
Legenda Fig. 4 – Museu Municipal Marciano Azuaga (quando situado na rua da Fervença) [1904-1934]. Fotografias em chapa de vidro
Créditos Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/docannexe/image/4308/img-4.jpg
Ficheiro image/jpeg, 134k
Legenda Fig. 5 – Museu Municipal Marciano Azuaga (quando situado na rua da Fervença) [1904-1934]. Fotografias em chapa de vidro
Créditos Arquivo Iconográfico do Solar Condes de Resende
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/docannexe/image/4308/img-5.jpg
Ficheiro image/jpeg, 155k
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Para citar este artigo

Referência eletrónica

João Luís Fernandes, «A coleção Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira década do século XX»MIDAS [Online], 16 | 2023, posto online no dia 27 julho 2023, consultado o 15 junho 2024. URL: http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/4308; DOI: https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/midas.4308

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Autor

João Luís Fernandes

É licenciado em História da Arte e mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como áreas principais de investigação, dedica-se ao estudo do património local de Vila Nova de Gaia, colecionismo e manifestações religiosas. Destaca-se a sua investigação sobre a Procissão de Cinzas da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, premiada com o prémio APHA/Millenium José-Augusto França 2020/21. Atualmente é responsável pelo Solar Condes de Resende, equipamento cultural da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Solar Condes de Resende, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Travessa Condes de Resende, 4410-264, Canelas, Vila Nova de Gaia, Portugal, joaof@cm-gaia.pt

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