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Editorial

Ana Carvalho, Paulo Simões Rodrigues, Pedro Casaleiro e Raquel Henriques da Silva

Texto integral

1O 15.º número da revista MIDAS constitui um número aberto (“Varia”), sendo o resultado da diversidade das propostas recebidas e do crivo da revisão por pares. Uma diversidade que reflete a cada vez maior pluralidade e complexidade dos objetos de estudo e reflexão da museologia e dos campos de ação dos museus.

2A secção principal deste número abre com o artigo de Pedro da Silva (Universidade de Coimbra) e Inês Moreira (Universidade do Minho), intitulado «Curadoria em Arte/Arqueologia: Processos de Proto e Pós-escavação», que aborda a relação entre arqueologia e arte contemporânea. A partir da análise de exemplos de criação artística contemporânea portuguesa, os autores defendem que a curadoria em arte/arqueologia é fundamental para o questionamento da definição de “artefacto arqueológico”.

3Por sua vez, o artigo de Sandra Silva discute a problemática da arte espacial, um tema ainda pouco divulgado, seja em termos produção artística, seja a partir do contexto dos museus. O artigo leva a uma reflexão sobre como diferentes circunstâncias ambientais implicam modos distintos de expor e de comunicar.

4O último artigo desta secção, de Inês Azevedo (Museu Casa das Imagens), reflete sobre a atuação da Casa da Imagem (Vila Nova de Gaia) e o processo de criação do seu museu, o Museu Casa das Imagens. A autora analisa as abordagens e as ações implementadas ao longo dos últimos anos, identificando os referentes teóricos que distinguem e fundamentam este processo de patrimonialização.

5Na secção “Notações” publica-se um breve artigo de Ana Temudo (Universidade Católica Portuguesa – Porto), «Victor Bandeira and the Collections of the National Museum of Ethnology: Notes from Fieldwork», que reflete sobre o documentário realizado pela autora a Victor Bandeira (1931-), que no passado foi um dos coletores de objetos do Museu Nacional de Etnologia (Lisboa). Este documentário faz parte de um projeto mais alargado da Ana Temudo sobre “Políticas de Representação do Património Guineense nos Museus Portugueses na Transição do Período Colonial para o Pós-colonial: Histórias, Trânsitos e Discursos” e insere-se na linha dos estudos sobre descolonização. Segue-se uma notação acerca de um projeto de mediação digital, uma visita virtual interativa ao Museu do Centro Hospitalar do Porto, já implementado. Da autoria de Sónia Faria, responsável técnica do museu, este texto contextualiza a génese do projeto, os seus objetivos e resultados preliminares.

6Na última secção deste número, dedicada às recensões críticas, destacam-se novas edições portuguesas, nomeadamente dois títulos da coleção “Estudos de Museus” (ed. Caleidoscópio e Direção-Geral do Património Cultural), que desde 2015 publica teses de doutoramento na área da museologia. Neste âmbito inclui-se a recensão de Raquel Henriques da Silva (Instituto de História da Arte, Universidade Nova de Lisboa) sobre o livro Diogo de Macedo e o Museu de Arte Contemporânea: Pioneirismo e Herança na Redefinição do Museu de Arte (de Isabel Falcão). Esta obra analisa o papel de Diogo de Macedo (1889-1959) enquanto diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, entre 1944 e 1959, contribuindo para uma melhor compreensão da história daquele museu; e a recensão de Maria João Fonseca (Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto) do livro Biodiversidade Musealizada: Formas que Comunicam (de Mariana Galera Soler), cuja abordagem assenta na proposta de um modelo teórico de padrões museográficos em exposições de museus de história natural.

7Com edição da Caleidoscópio, refira-se o livro Uma Periferia Global: Armando de Lacerda e o Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra (1936-1979), de Quintino Lopes, recenseado por Beatriz Medori (Centro Interuniversitário de História das Ciências e Tecnologia CIUHCT). O livro analisa a trajetória do Laboratório de Fonética Experimental de Coimbra (1936-1979) e do seu diretor Armando de Lacerda (1902-1984) no âmbito de uma leitura de história da ciência. A relevância deste estudo para a museologia é porventura indireta, mas não é de somenos, sobretudo pelo facto desta investigação ter desencadeado um novo olhar sobre o espólio associado a este cientista e ao seu laboratório (instrumentos científicos, objetos, modelos, fotografias e documentos), através da sua inventariação e catalogação. Trata-se, afinal, de preservar a memória de um Laboratório desintegrado e apagado desde 1972. Não obstante, este resgate da memória poderá contribuir para dar maior visibilidade e representação a essa memória em contexto museológico.

8No âmbito internacional é de referir o livro Heritage Futures: Comparative Approaches to Natural and Cultural Heritage Practices (ed. UCL Press), que perspetiva o futuro da gestão do património, a partir de quatro temáticas de análise: “diversidade”, “profusão”, “incerteza” e “transformação”. Como realça Francisca Listopad (Instituto de História da Arte, Universidade Nova de Lisboa), autora da recensão, o livro defende «a ideia de património como gerador de possibilidades para as comunidades abraçarem a mudança e avançarem para a emergência de práticas alternativas que utilizam o passado para fomentar a resiliência e a reciprocidade». Segue-se uma recensão do livro Reflections on Critical Museology: Inside and Outside Museums, com a chancela da Routledge e da autoria do reputado historiador de arte espanhol, Jesús Pedro Lorente. Recenseada por Lorea Ariadna Ruiz Gómez (Universidade de Málaga), esta publicação tem por base uma reflexão em torno do conceito de museologia crítica.

9A fechar a secção de recensões, publicam-se dois comentários sobre exposições temporárias. A primeira refere-se à exposição Hortas de Lisboa: Da Idade Média ao Século XXI (Museu de Lisboa, entre 2020 e 2021) e respetivo catálogo, sendo recenseada por Sandrine Simon (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias). Esta exposição centra-se na temática da agricultura urbana, não esquecendo uma perspetiva histórica sobre a conceção de espaços verdes em Lisboa. Como se destaca na recensão, a exposição terá contribuído para chamar a atenção para os desafios ambientais que uma gestão mais consciente e eficaz da cidade exige e de políticas mais alinhadas com a sustentabilidade. Trazer estes temas para as exposições, promover a reflexão em torno de uma sociedade mais sustentável, tal como se verifica nesta exposição, parece representar um maior compromisso dos museus com temas socialmente relevantes para a sociedade. A segunda recensão refere-se à exposição Planta Pedra (Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, em 2020), que reflete o trabalho desenvolvido pela dupla de artistas portuguesas Catarina Marto e Raquel Pedro. Não sendo uma exposição comissariada em contexto de museu, é, no entanto, uma exposição que inclui uma reflexão sobre o território museu. Resulta de uma residência artística nos Museus de Geociências do Instituto Superior Técnico de Lisboa da Universidade de Lisboa (Museu Décio Thadeu e Museu Alfredo Bensáude). Como sublinha a autora da recensão, Marta Branco Guerreiro (Instituto de História da Arte, Universidade Nova de Lisboa), os trabalhos artísticos apresentados nesta exposição «levantam questões que, embora provenientes de diferentes campos de conhecimento, se cruzam entre si: ecologia, arquivo, classificação, museologia e coleções».

10Prestamos um agradecimento especial aos artistas André Alves, Filipa Araújo e Max Fernandes, que nos cederam uma imagem para a capa deste número. A escolha de obras de artistas para as capas da MIDAS visa o prolongamento da discussão sobre museus, sobre os seus modos de existência e sobre como são percebidos ou vividos na contemporaneidade. A capa do 15.º número tem por base uma imagem relativa à performance “Ruminar o Museu” dos artistas André Alves, Filipa Araújo e Max Fernandes. Esta “performance-discursiva” realizou-se no Centro Internacional de Arte José de Guimarães a 18 de Maio de 2022, no âmbito do Dia Internacional dos Museus. Segundo os artistas, «Ruminar o Museu convida à reflexão e a várias experiências de degustação em torno da construção da história, como a digerimos, como ela nos engole» (Alves, Araújo e Fernandes 2022, 3). A curadoria e o arranjo gráfico da capa é, como habitual, da Elisa Noronha Nascimento, a quem também agradecemos.

11Uma nota de agradecimento aos autores e às autoras que nos enviaram as suas propostas, aos revisores que participaram diligentemente na arbitragem científica dos artigos e aos colegas que garantiram a revisão editorial, em particular à Sofia Carvalho.

12Um agradecimento muito especial à Alice Semedo (Universidade do Porto), que fez parte da equipa fundadora da MIDAS e que, ao longo dos últimos 12 anos, contribuiu de forma substantiva para a consolidação e para o desenvolvimento deste projeto editorial.

13O corpo editorial da MIDAS cresceu, com novas editoras de secção. Damos as boas-vindas à Joana Baião e à Leonor Oliveira (Instituto de História da Arte, Universidade Nova de Lisboa) que são as novas editoras da secção de recensões críticas dos próximos números. E ainda à Elisa Noronha Nascimento (Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» – CITCEM, Universidade do Porto) e à Patrícia Roque Martins (Instituto de História da Arte, Universidade Nova de Lisboa), que assumem a coordenação de uma nova secção de entrevistas, a inaugurar em 2023.

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Bibliografia

Alves, André, Filipa Araújo e Max Fernandes. 2022. Ruminar o Museu. http://www.theandrealves.com/files/ruminarlibretoweb.pdf

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Para citar este artigo

Referência eletrónica

Ana Carvalho, Paulo Simões Rodrigues, Pedro Casaleiro e Raquel Henriques da Silva, «Editorial»MIDAS [Online], 15 | 2022, posto online no dia 15 dezembro 2022, consultado o 18 junho 2024. URL: http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/3699; DOI: https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/midas.3699

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Autores

Ana Carvalho

Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS), Universidade de Évora, arcarvalho@uevora.pt, https://orcid.org/0000-0003-1452-7711

Artigos do mesmo autor

Paulo Simões Rodrigues

Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA), Universidade de Évora, Portugal, psr@uevora.pt, https://orcid.org/0000-0002-9258-2989

Artigos do mesmo autor

Pedro Casaleiro

Universidade de Coimbra, Portugal, pcasaleiro@ci.uc.pt, https://orcid.org/0000-0001-9783-9379

Artigos do mesmo autor

Raquel Henriques da Silva

Instituto de História da Arte (IHA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, Portugal, raquelhs10@gmail.com, https://orcid.org/0000-0002-8217-4586

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