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Capa MIDAS 12

Capa MIDAS 12

Detalhes das obras “de joelhos” (2011-2018) e “quinto dedo” (2018) de Armanda Duarte

Descrição

A imagem da capa do 12.º número da MIDAS tem por base a composição de duas obras da artista Armanda Duarte – “de joelhos” e “quinto dedo”, que integraram a exposição Guarda, realizada em 2018 no Museu de São Roque, em Lisboa. Na folha de sala da exposição a artista escreve:

 

«Guardamos a inteireza do nosso corpo e, por espelho ou bondade, afligimo-nos com essa falta nos corpos alheios.

O Museu de São Roque, à semelhança de todos os museus, guarda.

Guardam-se, neste museu, sinais de abandono e pobreza, guardam-se fragmentos de corpo morto e memória da doença, guardam-se sinais de poder, de caridade genuína e caridade política.

Guardam-se afeições da mão e do olhar, guarda-se uma espécie de noite, sem estrelas, embrulhada em ouro e prata.

Num jogo de duplicidades, de representações e teatralidades, quase tudo são objetos de transição e transposição, com utilidades de apelo à transcendência, mas, também, à salvação e recuperação.

Para além da ideia de cuidado e acolhimento, interessou-me a qualidade física de algumas representações (são muitas as esculturas com dedos, mães e pés decepados) no sentido em que, embora não deliberadamente, perpetuam a fragmentação do corpo. De outro modo, a exibe, as “esculturas de roca”.

Por fim, entre as coisas inertes, destaco a aparência uniforme, a pausa e o movimento dos que cuidam e vigiam o périplo dos visitantes.

A outra atenção é sobre o meu trabalho, especificamente, o que guardo comigo.

Visualizo uma exposição temporária que, ao ser recebida no interior de uma permanente, a ela se deverá ajustar, com descrição e brevidade.

Prevejo que guarde, em visita, um corpo vivo, caminhante e vigilante que, transportará consigo um nome, quinto dedo (nome que nasce da descoberta de que, para alguns indivíduos, o ser inteiro é representado pelo dedo menor, o quinto). Esta exposição guardará, ainda, pequenos gestos de procura, extremidades de pares de sapatos, eventualmente, a de uma luva, um pequeníssimo grão de terra, substituindo o corpo morto de uma formiga, uma frase escrita por mão constrangida, duas pedras em equilíbrio, uma lata... Porém, não finda a relação, algumas destas coisas poderão ser menos, ou outras.

Quanto às dimensões, ajustam-se à mão, ao pé, ao braço, às pernas, aos joelhos…»

 

A escolha de obras de artistas para as capas da MIDAS visa o prolongamento da discussão sobre museus, sobre os seus modos de existência e sobre como são percebidos ou vividos na contemporaneidade sob o olhar dos artistas contemporâneos.

 

Armanda Duarte nasceu em Praia do Ribatejo, Portugal, em 1961. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Em 1996 e 2006 foi apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian e, em 2001 pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Entre 1996 e 2011 foi professora no departamento de Desenho e Pintura do Ar.co. Expõe, com regularidade, individual e coletivamente. A exposição individual mais recente, Abafador, decorreu no Sismógrafo, Porto, em 2019. A mais recente coletiva, Um lugar desenhado pela passagem do corpo, com Elisa Montessori e curadoria de João Silvério, decorreu na galeria Monitor, Lisboa, em 2019-2020. O seu trabalho está representado nas coleções da Caixa Geral de Depósitos, Fundação EDP, PLMJ, Câmara Municipal de Lisboa, coleção Ivo Martins e outras coleções privadas.

Autor
Armanda Duarte
Créditos
© Armanda Duarte. Conceção da capa de Elisa Noronha Nascimento
Direitos de autor

Apenas o texto pode ser utilizado sob licença . Outros elementos (ilustrações, anexos importados) são "Todos os direitos reservados", à exceção de indicação em contrário.

Ficheiro original
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