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Editorial

Alice Semedo, Ana Carvalho, Paulo Simões Rodrigues, Pedro Casaleiro e Raquel Henriques da Silva

Texto integral

1O ano de 2020 encerra com a edição do 12.º número da revista MIDAS. Trata-se de um número aberto (“Varia”) e resulta das propostas recebidas e do crivo da revisão por pares.

2A secção principal deste número abre com o artigo de Ana Mehnert Pascoal, «Encenação do Estado Novo na Exposição ‘Quinze Anos de Obras Públicas’ (Lisboa, 1948)», que aborda a questão do poder no contexto das exposições temporárias do Estado Novo, como expressão de propaganda. Ao tomar como estudo de caso a exposição realizada em 1948, no Instituto Superior Técnico, um caso pouco conhecido, este artigo permite analisar como este meio de propaganda é entendido no período que se segue à Segunda Guerra Mundial.

3O artigo de Filipa Coimbra, «A Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian durante o PREC» insere-se no contexto do estudo da formação de coleções. Analisa, em particular, a política de incorporações de obras de arte portuguesas entre 1975 e 1977 no âmbito de um acordo de aquisições entre a Fundação Calouste Gulbenkian em exposições promovidas pela Sociedade Nacional de Belas-Artes. A autora analisa em que moldes e contextos se realizou o acordo e analisa as opções de compra realizadas em termos da representação de artistas, nomeadamente o que se valorizou e desvalorizou em termos de categorias artísticas.

4Um outro enfoque a encerrar esta secção de artigos insere-se no âmbito da museologia contemporânea, destacando o papel da “exposição” como objeto de análise. O artigo «A Exposição Plasticidade – Uma História dos Plásticos em Portugal: Um Processo Participativo no Museu de Leiria» (Callapez et al.) centra-se na conceção de uma exposição sobre a história dos materiais plásticos e, por outro lado, sobre o processo participado que foi adotado para selecionar objetos para exposição e para a formação de uma coleção. Um aspeto relevante deste caso é a utilização do museu, que com o suporte de um projeto de investigação de iniciativa universitária, contribui para disseminação do conhecimento científico, atendendo aos requisitos, especificidades e estratégias próprias da museografia. Outro elemento a ressalvar neste artigo é a abordagem em contexto expositivo de temas que a sociedade debate na contemporaneidade – os plásticos e as questões ambientais, promovendo junto dos públicos uma maior consciencialização ambiental na expectativa de contribuir para o desenvolvimento de comportamentos e atitudes responsáveis. Entende-se, neste contexto, uma reivindicação da função social dos museus, ao constituírem espaços para a reflexão de temas históricos, sociais, culturais e científicos, assim como pela possibilidade de desempenharem um papel atuante na construção da cidadania, comprometendo-se com as mudanças societais.

5Na secção “Notações” publica-se um breve artigo, de António Meireles e Joana Baião, que incide sobre a génese e desenvolvimento do projeto de investigação “Laboratório de Artes na Montanha – Graça Morais” (2018-), que se afirma como instrumento de descentralização científica e cultural. Com base na região de Bragança e ancorado na obra artística da artista portuguesa Graça Morais, tem como propósito, nas palavras dos autores: «promover a articulação entre a investigação científica, a formação académica e a criação e divulgação artísticas numa rede nacional e transfronteiriça de parcerias». Entre os parceiros deste projeto encontra-se o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, assim como outros equipamentos culturais e museus inseridos nesta região, numa lógica de cooperação e trabalho em rede, potenciando a articulação entre ciência e arte, e o seu desenvolvimento no território e com as comunidades.

6Neste número voltamos a introduzir a secção “Elementos para a história da museologia”, onde se insere o artigo «Building the Field of Museums Studies in Portugal: The Role of Publications», de Ana Carvalho. Este artigo analisa o papel das publicações na construção da museologia como campo de estudos em Portugal, com particular evidência a partir da década de 1990, momento que assinala a entrada da museologia no mundo das universidades, por via do ensino avançado, com repercussões na evolução deste campo de estudos. Esta análise atravessa cerca de três décadas, reflete importantes alterações estruturais e um crescimento significativo deste campo de estudos, assinalando dinâmicas, tendências e desafios.

7Por fim, na secção de recensões críticas destacam-se novas edições portuguesas, entre as quais dois títulos da coleção “Estudos de Museus”. A Coleção, lançada em 2015 conta atualmente com cerca de 18 títulos publicados. Trata-se de uma iniciativa da DGPC em parceria com a editora comercial Caleidoscópio, e visa a publicação de teses, cujos temas se relacionem com os museus, tanto sob tutela da DGPC, como outras, ou sobre tópicos contemporâneos da museologia. O aumento de teses de doutoramento nesta área e, por outro lado, a necessidade de alargar o seu conhecimento para além do círculo mais restrito de circulação na academia, aproximando a reflexão académica de um leque mais diversificado de leitores e de comunidades de prática, é uma das razões que justifica esta iniciativa. No âmbito desta Coleção inclui-se a recensão de Vanessa Antunes sobre o livro Iluminação em Museus: A Descoberta da Obra de Arte (de Carmina Montezuma), que se debruça sobre a complexa inter-relação entre luz, a visão e o objeto artístico; e a recensão de Maria Alice Samara do livro Herança de António Ferro. O Museu de Arte Popular (de Alexandre Oliveira), que aborda os contextos em que é concebido o Museu de Arte Popular, aprofundando conhecimento sobre o percurso e história deste museu, desde 1948 até à atualidade.

8No campo das edições portuguesas é de referir ainda o livro O Museu Etnográfico Nacional da Guiné-Bissau: Imagens para uma História (de Albano Mendes, Ramon Sarró e Ana Themudo, que nas palavras de Daniel Barroca, autor da recensão, não é «somente uma reedição comentada da coleção de fotografias documentais das missões etnográficas do Museu Etnográfico da Guiné-Bissau, mas um livro de imagens em si mesmo, no qual há́ uma particular atenção ao objeto fotográfico».

9A fechar a secção é de sublinhar, no campo internacional, o livro Museums and Digital Culture: New Perspectives and Research (ed. Tula Giannini e Jonathan P. Bowen), recenseado por Margarida Melo Sampaio. Esta publicação dá enfoque à discussão sobre cultura digital, práticas artísticas digitais e o seu impacto nos museus do séc. XXI, contribuindo com várias interrogações quanto ao papel preponderante dos meios digitais na sociedade.

10Um agradecimento especial é devido à artista portuguesa Armanda Duarte, que nos cedeu uma imagem das suas obras para a capa deste número. A escolha de obras de artistas para as capas da MIDAS visa o prolongamento da discussão sobre museus, sobre os seus modos de existência e sobre como são percebidos ou vividos na contemporaneidade sob o olhar dos artistas contemporâneos. Neste contexto, agradecemos à Elisa Noronha Nascimento pela escolha da capa, sua conceção e arranjo final.

11As palavras finais deste editorial são reservadas aos autores e às autoras que nos enviaram as suas propostas de artigos, e aos referees pela disponibilidade, cuja colaboração é fundamental para garantir a qualidade do processo de arbitragem científica.

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Para citar este artigo

Referência eletrónica

Alice Semedo, Ana Carvalho, Paulo Simões Rodrigues, Pedro Casaleiro e Raquel Henriques da Silva, «Editorial»MIDAS [Online], 12 | 2020, posto online no dia 15 dezembro 2020, consultado o 22 junho 2024. URL: http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/midas/2661; DOI: https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/midas.2661

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Autores

Alice Semedo

Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal, semedo.alice@gmail.com

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Ana Carvalho

Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS), Universidade de Évora, arcarvalho@uevora.pt

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Paulo Simões Rodrigues

Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA), Universidade de Évora, Portugal, psr@uevora.pt

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Pedro Casaleiro

Centro de Investigação da Terra e do Espaço – CITEUC, Universidade de Coimbra, Portugal, pcasaleiro@ci.uc.pt

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Raquel Henriques da Silva

Instituto de História da Arte (IHA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, Portugal, raquelhs10@gmail.com

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