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A inserção produtiva do setor da construção civil em Minas Gerais: uma análise regional

La inserción productiva del sector de la construción civil en Minas Gerais: una análisis regional
The productive insertion of the civil construction sector in Minas Gerais: a regional analysis
L'insertion productive du secteur de la construction civile dans le Minas Gerais : une analyse régionale
Thiago Costa Soares, Estevão de Almeida Higino e Luckas Sabioni Lopes

Resumos

O objetivo deste estudo é analisar a inserção produtiva do setor da construção civil em Minas Gerais em 2015, por meio de uma estrutura matricial de insumo-produto composta por 22 setores e três regiões (Belo Horizonte, restante da zona metropolitana e restante do estado). Para tanto, foram utilizados os multiplicadores regionais do produto e geradores do emprego, os índices de ligação de Rasmussen-Hirschman e o método de extração hipotética. Os resultados mostraram que a construção civil está entre os dez e oito principais setores em relação aos indicadores da produção e do emprego, respectivamente. Os índices de ligação de Rasmussen-Hirschman indicaram que o segmento construtivo é um setor-chave em duas das três regiões analisadas, com expressivo encadeamento para trás. Pelo método de extração hipotética, verificou-se que o setor está associado a 8,6% do valor bruto da produção (VBP) e a pouco mais de um milhão de postos de trabalho em Minas Gerais, direta ou indiretamente. Concluiu-se que a inserção da construção civil é relevante para a economia mineira, com impactos que podem variar regionalmente.

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Introdução

1A construção civil é um setor de revelada importância para a economia, pois é responsável direto pela execução de obras que compõem a infraestrutura física, como rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento básico, telecomunicações, além da estrutura de hospitais, escolas, entre outras (POLENSKE; SIVITANIDES, 1990). Adicionalmente, o segmento também contribui de forma expressiva para a composição do produto interno bruto (PIB) e dos empregos em diferentes países (FIELD; OFORI, 1988).

2Tendo em vista o potencial de impacto do setor, Field e Ofori (1988) argumentam que os investimentos na construção são importantes não apenas para provisionar infraestrutura e permitir o aumento da produtividade dos demais setores, mas também como meio de estimular a economia em períodos de recessão ou crescimento lento. Para Giang e Pheng (2011), essa capacidade é proveniente do seu tamanho e de suas interligações com as demais atividades econômicas. Com base nesta linha de pensamento, Hillebrandt et al. (2000) ressaltam que a construção civil é um setor estratégico para o desenvolvimento econômico dos países.

3De modo geral, a importância relativa da construção civil pode variar de acordo com o nível de desenvolvimento das nações. Nas fases iniciais da industrialização, a demanda crescente por infraestrutura estimula a expansão do ramo e eleva sua inserção na economia (BON, 1992). Em contrapartida, apesar de ainda ocupar uma posição destacada em países industrializados, essa participação diminui à medida que a base produtiva se consolida, bem como pelo crescimento da representatividade de outros segmentos, como serviços, tecnologia e comunicação (RUDDOCK; LOPES, 2006). Neste contexto, pode-se dizer que a construção civil é especialmente importante para as economias em processo de industrialização, como é o caso do Brasil (GIANG; PHENG, 2011).

4Não obstante, à luz do atual estágio de desenvolvimento da economia brasileira, há indícios de que a construção nacional vem apresentando declínio prematuro. A participação desta indústria no PIB, que chegou a ser de 8,9% entre o fim da década de 1980 e o início da de 1990, retraiu para 4,4% em média entre 2014 e 2021 (IPEA, 2022). Para fins de comparação, em 2014 o percentual de participação da construção no produto brasileiro foi de 7,2%, valor inferior ao de outras economias em desenvolvimento, como China (9,6%), Índia (9,7%), Indonésia (14,8%) e México (7,8%) (WIOD, 2022).

5Segundo Nunes et al. (2020), a perda relativa da construção civil tem relação estreita com a instabilidade macroeconômica e institucional que o país vivencia especialmente desde 2014, caracterizada pelo cenário de crise fiscal, aumento das incertezas políticas, recessão econômica e inflação acima da meta por vários anos. Concretamente, da referida data até 2021, o PIB real do país encolheu 1,4% e a inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), desvalorizou a moeda nacional em 50,7% (IBGE, 2022). No mesmo período, a construção civil registrou uma retração real de 58,6%, finalizando 2021 com apenas 2,6% de participação no PIB brasileiro (IPEA, 2022). Ademais, a trajetória declinante da construção se intensificou mais severamente em razão dos efeitos adversos causados pela pandemia do vírus sar-cov-2, iniciada em 2020 no país.

6Diversos estudos examinaram o papel da construção civil nos âmbitos nacional e internacional. Neste último, há pesquisas que analisam as interrelações setoriais da construção com as demais atividades produtivas e seus efeitos multiplicadores (por exemplo, BON; MINAMI, 1986; BON, 1988, 1992, 2000; POLENSKE; SIVITANIDES, 1990; BON; PIETROFORTE, 1990; PIETROFORTE; GREGORI, 2003; RAMEEZDEEN; ZAINUDEEN; RAMACHANDRA, 2005; GREGORI; PIETROFORTE, 2015), sua relação com o desenvolvimento econômicos dos países (como FIELD; OFORI, 1988; BON, 1992; RUDDOCK; LOPES, 2006; MEHMET; YORUCU, 2008; GIRARDI; MURA, 2014); entre outras vertentes.

7Na literatura nacional, podem-se destacar estudos que avaliaram a inserção do setor da construção com dados agregados do país e, ou, de estados (ver TEIXEIRA; CARVALHO, 2005; KURESKI et al., 2008; TEIXEIRA; GOMES; SILVA, 2011; KURESKI, 2011; JUNIOR et al., 2014; SOBREIRA, 2021; ELOI; FRAINER; SOUZA, 2021), a relação entre o produto agregado e o da construção civil (ver SOUZA et al., 2015; NUNES et al., 2020) e análises comparativas do segmento no Brasil com o de outros países (ver GUILHOTO; PICERNO, 1995; PEROBELLI; et al., 2016). Parte significativa dessas pesquisas conclui que a construção civil desempenha um papel de destaque na dinâmica econômica nacional e regional (ver TEIXEIRA; CARVALHO, 2005; TEIXEIRA; GOMES; SILVA, 2011; ELOI; SOUZA et al., 2015; e FRAINER; SOUZA, 2021).

8Entretanto, há na literatura nacional uma lacuna no que se refere à análise do setor construtivo no período mais recente da economia brasileira. Diante da crise econômica do país e da evidente perda de participação da construção civil no total produzido, é crucial investigar a importância relativa deste segmento para a economia regional e nacional diante do contexto macroeconômico conturbado. Sendo assim, o objetivo deste estudo é analisar a inserção produtiva do setor da construção civil em Minas Gerais em 2015, por meio de uma estrutura matricial de insumo-produto composta por 22 setores e três regiões (Belo Horizonte, restante da zona metropolitana e restante do estado). A construção civil mineira é a segunda maior do país em valor adicionado, com 11,1% em participação, atrás apenas de São Paulo (26,9%) e, seguindo a tendência nacional, vem enfrentando quedas expressivas de participação na economia (IBGE, 022).

9Do ponto de vista metodológico, foram empregados três diferentes procedimentos analíticos, a saber: i) análise dos multiplicadores da produção e geradores do emprego; ii) os índices de ligação de Rasmussen-Hirschman; e iii) o método de extração hipotética. Resumidamente, os multiplicadores e geradores permitem investigar o papel da construção civil como motor da produção e do emprego no estado; os índices de ligação de Rasmussen-Hirschman identificam possíveis setores-chave a partir da posição relativa das atividades como compradores e fornecedores de insumos; e o método de extração hipotética quantifica a participação (direta e indireta) da construção civil na geração de valor na cadeia produtiva e nos empregos regionais (GUILHOTO, 2011). Não foram encontrados na literatura estudos que examinaram a construção civil deste estado com dados desagregados por região no referido contexto econômico.

10Além desta introdução, o trabalho propõe outras quatro seções. A segunda descreve as ramificações literárias que abordam a relevância do setor construtivo para a economia. Na terceira, discutem-se os métodos adotados e a base de dados, e na quarta, apresentam-se os resultados e discussões referentes ao tema. Na última parte, são tecidas as considerações finais.

Revisão de literatura

11Segundo Girardi e Mura (2014), os estudos da área de economia que investigam o papel da construção civil no sistema econômico podem ser agrupados em três vertentes. A primeira examina a relação entre a participação relativa do segmento e os diferentes estágios de desenvolvimento econômico dos países (ver FIELD; OFORI, 1988; BON, 1992; RUDOCK; LOPES, 2006; MEHMET; YORUCU, 2008; e GIRARDI; MURA, 2014). A segunda analisa como a expansão dos investimentos na construção afeta a trajetória do produto das nações, especialmente em períodos de recessão e, ou, crescimento baixo (ver DE LONG; SUMMERS, 1990; MUNNELL, 1992; e DÉMURGER, 2001; CHEN et al., 2016). E a última perscruta as interrelações da construção e sua relevância na matriz produtiva nacional e regional em diferentes localidades (ver BON; MINAMI, 1986; BON, 1988, 1992; POLENSKE; SIVITANIDES, 1990; BON; PIETROFORTE, 1990; PIETROFORTE; GREGORI, 2003; RAMEEZDEEN; ZAINUDEEN; RAMACHANDRA, 2005; e GREGORI; PIETROFORTE, 2015). O presente estudo se insere na literatura que avalia o papel do setor construtivo na matriz produtiva de um sistema econômico regional.

12Para Song, Liu e Langston (2005), o grau de interdependência entre os setores de uma economia é um indicador relevante na análise da estrutura produtiva de países e regiões. Os autores afirmam que segmentos mais interligados apresentam taxas de crescimento com maior sensibilidade a incentivos financeiros, públicos e privados. Por essa razão, muitos estudos buscam compreender as interrelações de setores em diferentes localidades.

13No âmbito dos que investigam a inserção produtiva do setor da construção em países, Bon e Minami (1986) e Bon (1988) podem ser considerados pioneiros. Por meio de uma estrutura de insumo-produto, Bon e Minami (1986) compararam as interrelações da construção nos Estados Unidos da América (EUA) e no Japão no período pós-segunda guerra mundial e concluíram que esse segmento apresentou participação relativamente estável no período analisado. Segundo os autores, a estabilidade da construção na produção pode indicar que o setor atingiu sua maturidade nos referidos países. O estudo de Bon (1988) analisou a interdependência entre o setor da construção e os demais segmentos na economia americana com foco nos insumos primários da construção e pontuou que a construção civil mostrou não apenas um elevado volume de compras diretas, mas também indiretas, sob a ótica das atividades com maior interdependência setorial com a construção.

14A inserção produtiva da construção pode ser influenciada por diferentes fatores. Polenske e Sivitanides (1990) analisaram as interrelações da construção em países distintos e seu poder de indução econômica e argumentaram que a natureza das interrelações setoriais varia com o mix de produtos, preços relativos e tecnologias disponíveis. Afirmaram também que o grau de ligações para trás está associado com a importância do setor como indutor do crescimento econômico. Os autores concluíram que os índices de ligação do setor se alteram ao longo do tempo e entre países, refletindo as mudanças estruturais que ocorrem nas regiões.

15De modo geral, a construção possui interligações mais fortes com os segmentos a montante vis-à-vis a setores a jusante. Bon (2000) analisou as ligações setoriais da construção em países industrializados e em processo de industrialização e percebeu que o setor apresentou índices de ligação para frente inferiores aos índices para trás. Pietroforte, Bon e Gregori (2000) investigaram a inserção da construção civil na Itália e verificaram que o norte daquele país mostrou uma indústria da construção mais pujante com base nos índices de ligação para trás. Song, Liu e Langston (2005) aplicaram o método de extração hipotética com dados de uma matriz de insumo-produto para os países da Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE) e pontuaram que o setor da construção possui forte conexão com setores a montante.

16Por outro lado, a capacidade de interligação deste segmento com os setores a jusante não pode ser negligenciada. Segundo Giang e Pheng (2011), por estarem relacionadas à melhoria da base produtiva, as atividades da construção podem elevar o fluxo de produção e a produtividade dos demais segmentos por meio do fornecimento de serviços de infraestrutura básica, como vias para transporte, fornecimento de água e eletricidade. Lakshmanan (2011) analisou os benefícios econômicos da infraestrutura de transportes e constatou que a melhoria dessas vias abre mercados e cria condições que influenciam o desempenho econômico dos setores. Com dados da economia indiana, Binswanger, Khandker e Rosenzweig (1993) mostraram que os investimentos em infraestrutura elevaram o produto da economia daquele país, sobretudo o agrícola.

17Estudos mostram também que a participação da construção civil na economia pode decrescer quando a infraestrutura nacional se consolida. Pietroforte e Gregori (2003) analisaram a construção em países industrializados através de dados de insumo-produto e identificaram um declínio da participação da construção civil nas economias analisadas. Para os autores, a retração das atividades da construção civil nessas economias é proveniente da redução da demanda agregada por infraestrutura. Ademais, argumentaram que os setores relacionados às atividades de serviços, tecnologia e comunicação passam a ocupar maior espaço na economia no período pós-industrial, diminuindo a importância relativa dos segmentos industriais, como é o caso da construção.

18Já em países em processo de industrialização, a construção civil tende a ocupar um papel destacado e crescente na matriz produtiva. Usando dados de matrizes de insumo-produto entre 1964 e 1999, Kofoworola e Gheewala (2008) avaliaram as interligações da construção na Tailândia e verificaram que os índices de ligação do setor no país aumentaram ao longo do tempo. Com dados de insumo-produto, Rameezdeen, Zainudeen e Ramachandra (2005) analisaram a construção civil do Sri Lanka e pontuaram que o setor possui elevado grau de interligação com a indústria de manufatura do país. Wu e Zhang (2005) investigaram a inserção da construção na matriz econômica chinesa e depreenderam que esse segmento possui expressivo impacto multiplicador na China.

19Na literatura nacional, estudos que investigaram as interrelações setoriais no país datam da década de 1990. Guilhoto et al. (1994), por meio de técnicas de insumo-produto, analisaram os setores-chave da economia brasileira entre 1959 e 1980. É possível identificar neste estudo que a construção civil apresentou elevado índice de ligação para trás entre o fim da década de 1950 e da década de 1970. Porém, a indústria da construção perdeu força no início dos anos de 1980 e passou a ocupar um papel menos expressivo na estrutura econômica nacional. É importante destacar que, durante a década de 1980, a economia brasileira atravessou um período turbulento, caracterizado por elevadas taxas de inflação, diminuição relativa dos setores externos, queda da participação dos investimentos no produto e crescimento econômico abaixo dos padrões históricos (GUILHOTO et al., 1994; RODRIGUES; GUILHOTO, 1998).

20Apesar disso, a construção civil da década de 1980 manteve um status de setor “demandante-chave”. Guilhoto e Picerno (1995) realizaram um estudo comparativo entre as estruturas produtivas do Brasil e Uruguai no qual se averiguou que o setor construtivo brasileiro estava entre os sete segmentos de maior grau de interligação para trás. Os autores também demostraram que a economia brasileira foi mais interligada setorialmente em relação à uruguaia no período analisado.

21Já na década seguinte, a construção civil brasileira apresentou redução expressiva do poder de interligação com as demais atividades econômicas. Vieira e Shikida (2005), em um estudo sobre a estrutura econômica nacional, identificaram que houve uma retração dos índices de ligação para trás durante o período de 1992 a 2000, fazendo com que o setor ocupasse a 15ª posição entre os 18 analisados no último ano citado. Dados copilados por Teixeira e Carvalho (2005) evidenciam que houve uma acentuada redução da participação da construção na formação bruta de capital fixo (FBCF) do país neste período, que caiu de 71% (1992) para menos de 66% (2000).

22A partir da implementação do Plano Real em 1994 e da consequente estabilidade dos níveis de preço da economia, a tendência declinante do setor foi parcialmente revertida. Em um estudo elaborado por Teixeira e Carvalho (2005), as autoras observaram que a construção civil foi um dos principais setores impulsionadores do crescimento em 2002. O estudo também revelou que a construção naquele ano respondeu direta e indiretamente pela composição de 7,25% dos salários pagos aos trabalhadores nacionais. Com dados de uma matriz de insumo-produto nacional, Kureski et al. (2008) avaliaram que a construção civil foi um setor-chave em 2004.

23Após a metade da mesma década, a atividade construtiva permaneceu em expansão, influenciada, em partes, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programas habitacionais (como o “Minha Casa, Minha Vida”) e as obras destinadas à realização de grandes eventos esportivos no Brasil (como os jogos Pan-Americanos de 2007, a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016) (JUNIOR et al., 2014; JARDIM, 2015; NUNES et al., 2020). Não obstante, as atividades do setor voltaram a desacelerar a partir do cenário de crise econômica que o país entrou em meados de 2014, proveniente do descontrole fiscal, recessão econômica, alta inflacionária e incertezas política e institucional (NUNES et al., 2020).

24Outra questão relevante na análise do setor da construção é seu papel na economia regional, sobretudo em países com grande heterogeneidade produtiva, como é o caso do Brasil (GUILHOTO; FILHO, 2005). Estudos conduzidos em diferentes localidades brasileiras mostram que as interrelações do segmento construtivo podem variar conforme a disposição geográfica. Crocomo e Guilhoto (1998), por meio de uma matriz inter-regional de insumo-produto, verificaram que a construção civil da região nordeste apresentou baixo dinamismo em relação às demais na década de 1980, com índices de ligação para frente e para trás considerados baixos em relação às demais regiões. Lima e Guilhoto (2004) analisaram a estrutura produtiva cearense, nordestina e brasileira em 1999 e concluíram que a construção civil apresentou maior conexão setorial no âmbito estadual.

25O aspecto regional da inserção da construção civil também pode ser verificado nos estudos de Figueiredo, Barros e Guilhoto (2004) para a matriz produtiva mato-grossense; em Guilhoto e Filho (2005), que analisaram estados da Amazônia Legal; na pesquisa sobre as interrelações setoriais em Santa Catarina conduzida por Fachinello e Kroth (2012); em Boaria (2017), que investigou a construção civil no Paraná; e no estudo de Eloi, Frainer e Souza (2021), cujo objetivo foi verificar a importância da construção na economia do Mato Grosso do Sul.

26Em relação ao estado de Minas Gerais, destacam-se Haddad, Perobelli e Santos (2005), Fernandes e Rocha (2010), Souza, Gonçalves e Franco (2017) e Sobreira (2021). Os resultados encontrados pela literatura estadual mostram que a construção civil mineira possui expressivo grau de integração local (HADDAD; PEROBELLI; SANTOS, 2005) e encadeamento para trás (SOBREIRA, 2021). Contudo, há indícios de que o elo do setor construtivo com os demais vem perdendo força ao longo dos anos (SOUZA; GONÇALVES; FRANCO, 2017; FERNANDES; ROCHA, 2016). Para ilustrar, Gonçalves (2017), em um estudo desagregado regionalmente, analisou 17 territórios em Minas Gerais e verificou que a construção civil foi um setor-chave somente nas regiões do Jequitinhonha.

27Tendo em vista o momento turbulento pelo qual atravessa a economia nacional e diante da aparente perda de participação da construção em Minas Gerais, torna-se relevante escrutinar as interrelações do setor nas regiões do estado neste contexto, sendo esta a principal contribuição do presente estudo. Na próxima seção, apresenta-se a estratégia metodológica da pesquisa.

Metodologia

28Esta seção descreve a estrutura básica das matrizes de insumo-produto, bem como dos métodos de análise dos multiplicadores da produção e geradores do emprego, dos índices de ligação e de extração hipotética. Na sequência, apresenta-se a base de dados e uma breve caracterização da economia das regiões analisadas.

Matrizes de insumo-produto

29A fim de analisar a importância do setor da construção civil para a economia de Minas Gerais, considerou-se uma estrutura inter-regional de transações entre setores, denominada na literatura econômica de matriz de insumo-produto. A matriz de insumo-produto é uma representação estática da economia regional que demonstra as relações intra e intersetoriais de um sistema produtivo em determinado momento e sua análise é relevante para verificar, detalhadamente, o grau de interligação setorial e o impacto gerado na produção dos setores, em face de choques na demanda final (MILLER; BLAIR, 2009). Em outras palavras, as informações contidas na matriz representam as transações entre os diversos agentes da produção, sendo que as linhas ilustram as vendas de um setor para os demais, e as colunas, as compras.

30Assume-se que cada setor opera por meio de funções de produção do tipo “Leontief” com retornos constantes de escala, de modo que a elevação da atividade econômica ocorre a partir da expansão proporcional dos fatores (como capital e trabalho), dada a tecnologia disponível. Adicionalmente, pressupõe-se que os valores que expressam a quantidade de insumos necessária para produzir (coeficientes técnicos) e os preços relativos da economia são fixos (GUILHOTO, 2011).

31Em termos matriciais, pode-se representar uma estrutura de insumo-produto conforme (1):

32Em (1), x e f são vetores (n x 1) que expressam, respectivamente, o valor bruto da produção (VBP) e a demanda final de cada setor. O VBP representa o valor total dos bens ou serviços produzidos pelo setor, somando-se os gastos com insumos adquiridos de outros setores (consumo intermediário). Parte da produção é destinada à demanda final, que compreende o consumo das famílias, do governo, variações de estoque e exportações. Por fim, A é uma matriz (n x n) que ilustra os coeficientes técnicos da produção [aij].

33Resolvendo a expressão (1) para x, obtém-se

34em que I é uma matriz identidade (n x n) e (I – A) -1 é denominada de “inversa de Leontief”. Essa matriz reflete a relação existente entre a demanda final de cada setor e sua produção bruta. Ao substituir o termo (I – A) -1 por B, pode-se descrever:

35Os elementos [bij] da matriz “inversa de Leontief” (B) representam o total de insumos do setor i necessários para a produção do setor j, dada uma variação unitária na demanda final. Com base nessa estrutura, é possível avaliar as inter-relações setoriais e a inserção do setor da construção na matriz econômica de Minas Gerais.

Multiplicadores e geradores

36A partir da proposição do modelo descrito na equação (3), calculam-se os multiplicadores setoriais da produção e os geradores do emprego. Conceitualmente, o multiplicador da produção corresponde ao valor da produção estimulado direta ou indiretamente na economia quando a demanda final por um setor específico aumenta em termos unitários. Os efeitos diretos referem-se ao montante da produção acrescido para satisfazer à demanda final do próprio setor, além da quantidade destinada a atender a demanda dos demais setores. Os efeitos indiretos, por seu turno, dizem respeito ao total produzido pelos demais segmentos para acomodar a expansão da demanda final de um setor em particular (FACHINELLO; KROTH, 2012). Já o gerador do emprego demostra a quantidade de postos de trabalho gerados no sistema produtivo como um todo quando um determinado montante é demandado de um setor.

37Os multiplicadores da produção são construídos por meio da soma das colunas da matriz “inversa de Leontief”, isto é,

38Para obter os geradores do emprego (MGE), calcula-se a expressão (4):

39na qual é uma matriz de coeficientes diretos do emprego obtida pela razão entre o número de ocupações do setor i e seu VBP.

40Na presente pesquisa, os multiplicadores da produção e os geradores do emprego avaliam o impacto dos segmentos na matriz econômica regional, incluindo o setor da construção civil (GUILHOTO, 2011).

Índices de ligação e setores-chave

41Os índices de ligação, propostos inicialmente por Rasmussen (1956) e Hirschman (1958), são procedimentos analíticos que examinam o grau de encadeamento setorial e possíveis setores-chave em um sistema produtivo. Os índices de ligação são classificados em indicadores “para frente” e “para trás”. Os índices para frente medem a posição relativa de um determinado setor como fornecedor na matriz produtiva. Por sua vez, os índices para trás retratam a importância relativa de um segmento como comprador no arranjo econômico (GONÇALVES, 2017).

42Formalmente, os índices de ligações para frente (Ui) e para trás (Uj) podem ser calculados por meio das seguintes expressões:

43em que B* é a média dos coeficientes da matriz B; n é a quantidade de setores do sistema produtivo; e e representam o somatório dos elementos pela ótica da oferta (soma das linhas) e da demanda (soma das colunas) em B, respectivamente, para cada setor.

44Conforme descreve Guilhoto (2011), setores que apresentam índices de ligação para frente maiores que 1 são considerados fornecedores-chave do sistema econômico. As atividades produtivas com índices de ligação para trás maiores que a unidade são denominadas de compradores-chave. Nesse sentido, são considerados setores-chave aquelas atividades que possuem índices para frente e para trás superiores à média do sistema econômico. Desse modo, pode-se avaliar a importância relativa do setor da construção por meio da comparação dos índices de ligação na economia mineira.

Extração hipotética

45O método de extração hipotética é um instrumental analítico que mensura a participação direta e indireta de determinado setor no agregado econômico por meio da remoção imaginária desse segmento (DIETZENBACHER; LINDEN; STEENGE, 1993). A partir de matrizes de insumo-produto, simulam-se os efeitos da extração da atividade econômica escolhida em indicadores econômicos de interesse, como o VBP e o emprego, bem como a influência do segmento extraído sobre a atividade dos demais setores (GUILHOTO, 2011).

46O procedimento adotado aqui consiste na extração hipotética do setor da construção civil, de modo que as relações de compras e vendas dessa atividade sejam consideradas nulas na matriz produtiva. Especificamente, propõe-se avaliar os impactos estadual, regional e setorial desse nicho econômico por meio das seguintes extrações: i) remoção do setor da construção de Belo Horizonte (R1); ii) remoção da atividade construtiva do restante da zona metropolitana (R2); iii) remoção do segmento construtivo do restante do estado (R3); e iv) extração total da construção civil de Minas Gerais.

47Cada extração particular, denominadas de k, faz alterações na estrutura da matriz de insumo-produto, com implicações na construção dos coeficientes técnicos, da demanda final e dos multiplicadores. Essas novas interrelações podem ser representadas por:

48Em (6), é a matriz da produção que contém as inter-relações setoriais após a extração das compras e vendas do setor construtivo; é a nova matriz de coeficientes técnicos; e é a demanda final quando a parcela associada ao setor da construção é removida. O subscrito k representa os quatro contextos citados (de i a iv).

49Os impactos da extração no VBP podem ser medidos por , isto é, pela diferença entre as equações (2) e (6). Por meio das matrizes transformadas, obtém-se de forma similar os efeitos das remoções sobre os empregos.

Descrição da Base de dados

50Os dados utilizados neste estudo foram obtidos da matriz inter-regional de insumo-produto para o arranjo populacional de Belo Horizonte, em 2015, organizada pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana (NEREUS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) (HADDAD; ARAÚJO; PEROBELLI, 2020). As matrizes foram geradas a partir do método Inter-regional Input-Output Adjustment System (IIOAS), que combina dados de agências de pesquisa oficiais com informações não censitárias, a fim de estimar as interrelações das matrizes de insumo-produto nacionais. Foram considerados 22 setores produtivos, os quais podem ser consultados na Tabela A1 do Apêndice.

  • 1 A escolha por este nível de desagregação foi devido à organização dos dados disponibilizados pelo N (...)

51A matriz do arranjo populacional foi dividida em 4 agrupamentos1, sendo:

52R1 - Município de Belo Horizonte

53R2 - Restante do Arranjo Populacional de Belo Horizonte

54R3 - Restante do Estado de Minas Gerais

55R4 - Restante do Brasil

56A Figura A2, do Apêndice, ilustra a distribuição espacial dos municípios a partir dos arranjos populacionais em Minas Gerais. De acordo com os dados da matriz inter-regional, o PIB do Brasil naquele ano foi de R$ 5,9 trilhões e a população total alcançou cerca de 205 milhões de pessoas, em 5.570 municípios. Neste mesmo ano, mais de 20,8 milhões de habitantes eram residentes de Minas Gerais, em 853 localidades. O PIB do Estado foi de R$ 519,3 bilhões, o que representou 8,66% do PIB nacional. A Tabela 1 reporta os dados populacionais e de produção para os aglomerados regionais do estado e o restante do Brasil.

Tabela 1. PIB, população e número de município por agrupamento - Brasil e Minas Gerais

Tabela 1. PIB, população e número de município por agrupamento - Brasil e Minas Gerais

Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).

57No Estado, o município de Belo Horizonte (R1) registrou, em 2015, R$ 87,3 bilhões na produção (16,81% do total estadual). Em comparação, o restante do arranjo populacional de Belo Horizonte (R2) apresentou produção menor, na ordem de R$ 81,7 bilhões (15,74% do total). No restante do estado (R3), o produto foi de R$ 350,3 bilhões, isto é 67,4% do PIB mineiro. Portanto, a maior parte da produção em Minas Gerais concentra-se nas regiões do interior do estado.

58Em relação à população, verifica-se que na capital (R1) residem, aproximadamente, 2,5 milhões de pessoas. Este valor é ligeiramente inferior à população do restante da zona metropolitana (R2), que foi de 2,59 milhões. Nas demais regiões do estado, por seu turno, encontram-se 15,8 milhões de pessoas (R3).

59Em relação ao consumo intermediário, observa-se que os setores produtivos dos aglomerados populacionais de Minas Gerais compram em maior proporção de segmentos locais. A Tabela 2 apresenta a distribuição do consumo inter-regional no agregado e em percentual.

Tabela 2. Distribuição regional do consumo intermediário de Minas Gerais (agregado e percentual).

Tabela 2. Distribuição regional do consumo intermediário de Minas Gerais (agregado e percentual).

Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).

60Os dados da Tabela 2 mostram que 80,2% das compras feitas pelos setores de Belo Horizonte (R1) são realizadas na própria capital. Do montante adquirido entre setores, 11% são do restante da zona metropolitana (R2) e apenas 8,8% tem como origem os municípios interioranos (R3). No restante da zona metropolitana (R2) e no interior do estado (R3), os percentuais de compras locais foram de 83,5% e 92,3%, com menor participação das demais regiões no cômputo individual. Os demais valores podem ser analisados de forma similar.

61Sobre o montante dos empregos, é possível observar que a massa de trabalhadores mineiros está localizada no interior (R3), com cerca de 8,4 milhões de ocupações. Na capital (R1) e no restante da zona metropolitana (R2), o quantitativo é de 1,3 milhão, em cada região. A Tabela 3 reporta a distribuição dos empregos a partir dos locais de residência e trabalho.

Tabela 3. Distribuição dos empregos por local de residência e de trabalho

Tabela 3. Distribuição dos empregos por local de residência e de trabalho

Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).

62 Do total das pessoas empregadas em Belo Horizonte (R1), 74% residem na própria cidade, sendo 23,7% moradores do restante da zona metropolitana (R2) e 2,3%, do interior do estado (R3). Na região metropolitana, exceto Belo Horizonte (R2), 91,4% da mão de obra é absorvida por trabalhadores da própria região. Em R2, 7,3% são trabalhadores residentes da capital (R1) e 1,3%, do interior (R3). Em relação ao interior (R3), verifica-se que quase a totalidade da mão de obra empregada (99,8%) é de origem interiorana (R3).

63Sendo assim, os dados da Tabela 3 indicam que Belo Horizonte é uma região que atrai significativa quantidade de trabalhadores, sobretudo residentes do restante da zona metropolitana. A proximidade entre essas regiões, os índices de empregabilidade e a dinâmica econômica regional são fatores que podem explicar a dinâmica inter-regional dos empregos.

64Na próxima seção, apresentam-se os resultados do estudo.

Resultados

Multiplicadores e geradores

65Os multiplicadores da produção e os geradores do emprego ilustram a expansão estimada da economia quando a demanda final de um setor específico é estimulada. Em relação ao multiplicador da produção, os resultados do estudo indicam que estímulos de R$ 1 milhão na demanda final desse segmento nas regiões R1 (capital), R2 (restante da zona metropolitana) e R3 (restante do estado) geram elevações de R$ 224 mil, R$ 319 mil e R$ 295 mil nas respectivas subdivisões (multiplicador intrarregional). Esses valores representam o montante financeiro que é retido na própria região a partir do crescimento da demanda final do setor da construção.

66A Tabela 4 apresenta os resultados dos multiplicadores da produção (intrarregional, inter-regional e total) e a posição relativa dos setores em cada região (total).

  • 2 Nota: Intra = multiplicador intrarregional; Inter = multiplicador inter-regional; Total = Intra + I (...)

Tabela 4. Multiplicadores da produção intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa dos setores em cada região (total)2

Tabela 4. Multiplicadores da produção intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa dos setores em cada região (total)2

Fonte: Elaboração própria.

67Todavia, podem ocorrer vazamentos (multiplicador inter-regional) que impulsionam setores em outras localidades. Por exemplo, em R1, o efeito multiplicador da construção aumenta para R$ 375 mil dado um estímulo de R$ 1 milhão na demanda final da construção (expansão de 67,4%), de modo que R$ 224 mil são assegurados por setores da capital (R1) e o restante (R$ 151 mil) é repassado para atividades produtivas das demais regiões (Tabela 4). Em termos percentuais, os vazamentos de R1 representam 40% do montante final (R$ 151 mil, de R$ 375 mil).

  • 3 Esses percentuais podem ser influenciados pela agregação da base de dados.

68As demais regiões podem ser analisadas de forma análoga. Em R2 e R3, os impactos totais sobre a produção para uma expansão econômica similar (R$ 1 milhão) crescem 26,3% (de R$ 319 mil para R$ 403 mil) e 11,2% (de R$ 295 mil para R$ 328 mil), considerando as interrelações regionais. No restante da zona metropolitana (R2), os transbordamentos configuram 20% da produção, enquanto no restante do estado (R3), esse percentual é de 10%3.

69Uma análise relativa dos efeitos multiplicadores da construção nas regiões consideradas revela que o impacto desse segmento é menor que o da atividade construtiva brasileira e mineira de duas décadas anteriores. Vieira e Shikida (2005) observaram que os efeitos intersetoriais da construção civil nacional oscilaram entre 1,61 e 1,82, de 1992 a 2000. Em Minas Gerais, Teixeira, Gomes e Silva (2011) relataram que o multiplicador da construção era de 1,7 em 1996. Em outras palavras, há indícios de que a capacidade do setor de estimular a economia como um todo tenha reduzido ao longo dos anos. Conforme argumentam Filho, dos Santos e Ribeiro (2021), os impactos gerados pelos setores da economia brasileira são altamente dependentes da demanda final. Por esta razão, é possível que a queda do efeito multiplicador da construção civil esteja alinhada ao declínio do produto agregado do período analisado.

70Apesar da aparente queda de expressividade da construção como motor da atividade econômica, o setor segue com potencial importante na geração de empregos. ­­A Tabela 5 apresenta a geração das ocupações intrarregionais, inter-regionais e totais, além da posição relativa dos setores em cada região.

  • 4 Nota: Intra = gerador intrarregional; Inter = gerador inter-regional; Total = Intra + Inter; P = Po (...)

Tabela 5. Impactos de R$ 1 milhão na demanda final sobre os empregos intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa (total)4

Tabela 5. Impactos de R$ 1 milhão na demanda final sobre os empregos intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa (total)4

Fonte: Elaboração própria.

71Conforme reporta-se na Tabela 5, estima-se que choques de R$ 1 milhão na demanda final da construção na capital (R1) criariam 15 novas ocupações em Minas Gerais, sendo 14 na própria região (R1). Um investimento semelhante em R2 (restante da zona metropolitana) produziria 21 novos postos de trabalho na mesma localidade e um emprego adicional nas demais (totalizando 22 empregos criados). No restante do estado (R3), para um estímulo de mesma magnitude, seriam criados 20 novos empregos na cadeia produtiva em R3.

72Ao considerar o número total de ocupações e a posição relativa do setor, verifica-se que a construção civil pode ser caracterizada por uma forte dependência da força de trabalho local. Regionalmente, observa-se que o segmento construtivo da capital (R1) se mostrou menos trabalho-intensivo, tendo em vista o montante de empregos que seriam gerados nas regiões através de um mesmo montante investido.

Índices de ligação e setores-chave

73Os índices de ligação foram calculados para os agrupamentos R1, R2 e R3, separadamente. Conforme descrito na seção metodológica, um setor pode ser considerado “chave” para a economia local se seus índices de ligação para trás e para frente forem maiores que a unidade. As Figuras A2, A3 e A4, do Apêndice, fazem alusão à distribuição dos setores, conforme os índices de ligação.

74Observa-se que o nicho de atividades consideradas relevantes para as economias regionais se diversifica em número e tipo. Na capital (R1), destacam-se setores associados às áreas de serviços (financeiro, seguros e relacionados; comércio, reparação de veículos automotores e bicicletas), científica (científicas, profissionais e técnicas), de infraestrutura (informação e comunicação; transporte, armazenagem e correio) e industrial (outras indústrias de manufatura).

75No restante da zona metropolitana (R2), verifica-se uma redução da diversificação e do número de setores-chave para a região, os quais concentram-se nos segmentos de infraestrutura (transporte, armazenagem e correio; construção civil) e industrial (outras indústrias de manufatura).

76Em R3 (restante do estado), integram o rol de setores mais interligados com a economia regional atividades do ramo agropecuário (agropecuária, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura), além da indústria (outras indústrias de manufatura) e infraestrutura (transporte, armazenagem e correio; eletricidade e gás; informação e comunicação; construção civil).

  • 5 Concretamente, a elevada participação na produção de café no Brasil conferiu ao estado o posto de m (...)

77O agrupamento dos setores-chave em cada região reflete o histórico de diversificação, ocupação e o perfil produtivo do estado. Por exemplo, o crescimento do setor agropecuário acompanhou a expansão da produção agrícola do interior do estado (R3), principalmente nas áreas de alta produção do café, como a Zona da Mata e o Sul (FIGUEIREDO; DINIZ, 2000)5. Com o tempo, a agropecuária estimulou o surgimento de nichos industriais e de infraestrutura no interior (R3), incluindo o setor construtivo.

78Já na capital (R1) e no restante da zona metropolitana (R2), houve inicialmente uma concentração de empresas industriais que surgiram a partir da criação do Polo Industrial localizado em Contagem (MG). A dinâmica produtiva industrial, beneficiada pela proximidade do mercado de matérias-primas na área Central, fomentou a consolidação dos setores de serviços financeiros, técnicos e de infraestrutura, como a construção civil (que foi setor-chave em R2) (FIGUEIREDO; DINIZ, 2000).

79Os referidos resultados se alinham à história econômica do estado e ajudam a entender melhor a importância relativa do setor construtivo nessas regiões.

Extração hipotética

80O método de extração hipotética consiste em avaliar o impacto (direto e indireto) de um determinado setor e/ou região na produção e no emprego dos demais segmentos, local e regionalmente. No presente estudo, a importância da construção para a economia mineira é analisada através das diferenças observadas nesses indicadores, antes e após o exercício de extração.

81Os resultados das remoções são apresentados nas Tabelas A2 (impactos no VBP) e A3 (impactos nos empregos) da seção de Apêndice. Os percentuais do VBP descritos na Tabela A2 refletem a dependência produtiva regional e/ou setorial em relação ao segmento construtivo, enquanto o número de empregos em cada setor e/ou região, dispostos na Tabela A3, representam a mão-de-obra que está associada às atividades da construção, direta ou indiretamente.

82A extração hipotética da construção civil de Belo Horizonte (R1) mostrou que o setor está relacionado a 2,72% do VBP em nível estadual. No quadro regional, os resultados indicaram que, na capital (R1), a construção civil se associou a 17,9% do VBP dessa localidade. Esses percentuais foram menos expressivos nas economias da zona metropolitana (R2, com 0,86%) e do restante do estado (R3, com 0,21%), mostrando pequena inserção da construção de R1 no VBP de R2 e R3.

83Comparativamente, percebeu-se que o VBP estadual foi menos atrelado à construção civil do restante da zona metropolitana (R2), com percentual estimado em 1,17%. Na própria região (R2), o setor construtivo contribuiu, direta ou indiretamente, com 6,02% da economia regional. Na capital (R1) e no restante do estado (R3), estimaram-se percentuais menores de participação (de 0,13% e 0,08%, respectivamente).

84Os resultados também evidenciaram que o setor construtivo do restante do estado (R3) mostrou maior peso na composição do VBP estadual (4,71%). Localmente, a associação da construção dessa região com o VBP da mesma (R3) foi de 6,74%. Nas demais regiões, o setor construtivo do interior (R3) apresentou percentuais de impacto de 0,22% (no VBP de R2) e 0,47% (no VBP de R3).

85A remoção completa do setor construtivo mineiro elucidou que o segmento se associou a 8,57% do VBP estadual. Regionalmente, a construção civil de Minas Gerais se relacionou a 18,19% do VBP da capital (R1), 7,27% do restante da zona metropolitana (R2) e 7% do restante do estado (R3). Nota-se, portanto, que o ramo construtivo cumpriu um papel importante na produção do estado em 2015 e que, pela ótica regional, sua inserção se deu de diferentes maneiras.

86A configuração e o grau de inserção do setor construtivo em cada região podem ser explicados pelas especificidades econômicas locais. Polenske e Sivitanides (1990) argumentaram que a contribuição da atividade construtiva se condiciona a fatores que impulsionam ou desestimulam a presença do setor nas regiões, como o acesso a mercados de insumos, a disponibilidade de tecnologias e as perspectivas de investimentos regionais.

87Além disso, Song, Liu e Langston (2005) acrescentam que as características dos negócios e dos empreendedores locais influenciam a dinâmica da construção nas regiões, suas interrelações setoriais e, consequentemente, o peso relativo da atividade na economia. Em outras palavras, existe a percepção de que a relevância do setor da construção também depende do perfil das regiões.

88A estrutura de vendas do setor construtivo pode ser utilizada como exemplo para ilustrar as diferenças dos perfis da atividade no contexto regional. Os dados do estudo revelaram que 12% das vendas da construção civil da capital (R1) permaneceram na matriz de absorção intersetorial, de modo que 74% tiveram como destino a demanda final de investimentos da própria região (bens finais). No restante da zona metropolitana (R2) e do estado (R3), os percentuais retidos pelas atividades intersetoriais foram de 20% e 18%, respectivamente.

89Esses percentuais significam que uma parcela mais expressiva do produto da construção civil da capital (R1) pôde ser considerada bem final, ao passo que, nas outras regiões, houve um montante maior destinado a compor o processo de outros setores (como na indústria extrativa e de manufatura em R2; e na administração pública, defesa e seguridade social, em R3).

90As diferenças de inserção do setor construtivo podem ser mais bem exploradas por meio da análise dos impactos da extração no âmbito setorial. Na capital (R1), os setores que mais dependeram da construção local estavam localizados na indústria (máquinas e equipamentos, 2,57%; outras indústrias de manufatura, 6,9%), no comércio, atividades financeiras e técnicas (comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, 5,83%; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, 4,17%; atividades científicas, profissionais e técnicas, 5,56%) e nos transportes (4,98%) (esses segmentos concentram-se na própria R1).

91No restante da zona metropolitana (R2) e restante do estado (R3), a dependência setorial dissipou-se mais fortemente em comparação à R1. Os setores de maior relação com a construção civil de R2 foram classificados nos ramos industrial (outras indústrias de manufatura em R1, 2,07%, e R2, 1,83%), de comércio, atividades financeiras e técnicas (comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas em R2, 2,68%; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados em R2, 2,39%; atividades científicas, profissionais e técnicas em R2, 2,59%).

92Por seu turno, os setores mais dependentes das atividades construtivas de R3 foram da indústria (outras indústrias de manufatura, 2,67%), do comércio e atividades técnicas (comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, 2,34%; atividades científicas, profissionais e técnicas, 3,01%) (todas as atividades são da própria R3).

93O nível de agregação da base de dados também pode ser apontado como um fator de influência na distribuição dos percentuais de impacto setorial nas regiões R1, R2 e R3. Em R1, as atividades estão localizadas somente em um município (Belo Horizonte). Portanto, são esperados impactos mais concentrados na própria R1. Em R2 (restante da zona metropolitana) e R3 (restante do estado), a diversificação do perfil municipal e das atividades produtivas fazem com que os impactos setoriais da construção civil em percentual sejam menos perceptíveis em razão da própria distância observada entre essas localidades.

94Os resultados da extração total da construção das regiões podem ser utilizados para compreender melhor a dependência setorial em relação à construção civil em Minas Gerais.

95Conforme verifica-se na Tabela A2, do Apêndice, a indústria (outras indústrias de manufatura, 8,11% em R1; 4,92% em R2; e 3,56% em R3), o comércio (comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, 6,17% em R1, 4,14% em R2; e 2,58% em R3) e as atividades técnicas (atividades científicas, profissionais e técnicas, 6,46% em R1; 3,78% em R2; e 3,3% em R3) seguiram como as mais dependentes da construção civil em Minas Gerais.

96Em relação aos empregos, observou-se que a construção civil mineira respondeu indiretamente por 33,2 mil empregos do setor de outras indústrias de manufatura (sendo 2,6 mil em R1, 6,3 mil em R2 e 24,3 mil em R3), 21,3 mil postos de trabalho do comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (sendo 10,3 mil em R1, 11,7 mil em R2 e 39 mil em R3), além de 13 mil ocupações das atividades científicas, profissionais e técnicas (de modo que 4,4 mil são em R1, 1,7 mil em R2 e 6,9 mil em R3).

  • 6 Foram apresentados no corpo do texto somente os resultados da extração total da construção (em R1, (...)

97No contexto regional, R3 apresentou o maior quantitativo de empregos dependentes da construção (663 mil pessoas). Em R1 e R2, foram observados 248,8 mil e 168 mil empregos que responderam pela inserção do setor construtivo. Já no estado, pôde-se associar pouco mais de 1 milhão de postos de trabalho às atividades da construção civil mineira6.

98Diante do exposto, pode-se dizer que a construção civil em Minas Gerais continuou sendo um setor de expressiva participação na estrutura produtiva do estado em 2015, com relevância na geração de empregos e potencial de alavancagem econômica em todas as regiões analisadas. Ressalta-se também que a inserção do setor na economia tende a ser influenciada por suas interrelações setoriais e o perfil de negócios de cada localidade, os quais não podem ser desassociados do processo de formação econômica regional de Minas Gerais.

Considerações Finais

99O objetivo do presente trabalho foi analisar a inserção produtiva do setor da construção civil de Minas Gerais, em 2015, tendo como motivação o cenário de crise econômica enfrentado pelo país em anos recentes e a retração do segmento na produção nacional e estadual.

100Do ponto de vista metodológico, foram aplicados métodos baseados na matriz de insumo-produto dos aglomerados populacionais do estado, contemplando 22 atividades econômicas em três diferentes agrupamentos regionais. Especificamente, aplicaram-se os multiplicadores da produção e os geradores do emprego, os índices de ligação de Rasmussen-Hirschman e o método de extração hipotética.

101A pesquisa procurou avançar ao analisar a inserção do setor construtivo em Minas Gerais de forma regionalizada e ao trazer novas evidências de participação do segmento em um contexto atual. Nesse sentido, este estudo pode ser considerado um avanço na linha literária que busca caracterizar a estrutura produtiva de Minas Gerais, a exemplo de Haddad, Perobelli e Santos (2005), Fernandes e Rocha (2010), Teixeira, Gomes e Silva (2011) e Souza, Gonçalves e Franco (2017).

102Os resultados do estudo permitem concluir que a construção civil continua sendo um segmento importante para a geração de emprego e renda no estado. Apesar da desaceleração econômica nos últimos anos, o setor mostrou expressiva participação na composição do produto, na compra de insumos e na geração de trabalho, direta e indiretamente.

103Do ponto de vista regional, há disparidades em relação à participação do segmento na economia. Essas diferenças podem estar associadas aos elos produtivos construídos ao longo dos anos, os quais dependem dos perfis produtivos de cada região. O caráter regional dos encadeamentos da construção civil deveria compor as estratégias públicas com o foco no desenvolvimento econômico do Estado.

104Por fim, ressalta-se que esta pesquisa não encerra o debate sobre a importância do setor da construção civil para Minas Gerais. Outros estudos poderiam examinar a influência das diferentes formais de organização da construção civil sobre o desenvolvimento regional do Estado. Ademais, pesquisas futuras poderiam realizar comparações da posição deste segmento na economia mineira com outras regiões do país e do mundo. Nesse sentido, espera-se que esse estudo possa servir de motivação para novas perspectivas de pesquisas na área.

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Anexo

Tabela A1. Setores produtivos em Minas Gerais

Tabela A1. Setores produtivos em Minas Gerais

Fonte: Elaboração própria.

Figura A1. Distribuição espacial dos municípios, segundo as regiões R1, R2 e R3

Figura A1. Distribuição espacial dos municípios, segundo as regiões R1, R2 e R3

Fonte: Elaboração própria.

Figura A2. Índices de ligação para frente e para trás em Belo Horizonte (R1).

Figura A2. Índices de ligação para frente e para trás em Belo Horizonte (R1).

Fonte: Elaboração própria7.

Figura A3. Índices de ligação para frente e para trás no restante da zona metropolitana (R2)

Figura A3. Índices de ligação para frente e para trás no restante da zona metropolitana (R2)

Fonte: Elaboração própria8.

Figura A4. Índices de ligação para frente e para trás no restante do estado (R3)

Figura A4. Índices de ligação para frente e para trás no restante do estado (R3)

Fonte: Elaboração própria9.

Tabela A2. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o produto setorial e total de Minas Gerais (%) – 2015

Tabela A2. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o produto setorial e total de Minas Gerais (%) – 2015

Fonte: Elaboração própria.

Tabela A3. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o emprego setorial e total de Minas Gerais- 2015

Tabela A3. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o emprego setorial e total de Minas Gerais- 2015

Fonte: Elaboração própria

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Notas

1 A escolha por este nível de desagregação foi devido à organização dos dados disponibilizados pelo NEREUS e FIPE.

2 Nota: Intra = multiplicador intrarregional; Inter = multiplicador inter-regional; Total = Intra + Inter; P = Posição relativa dos setores em relação aos multiplicadores totais. S8: Construção civil.

3 Esses percentuais podem ser influenciados pela agregação da base de dados.

4 Nota: Intra = gerador intrarregional; Inter = gerador inter-regional; Total = Intra + Inter; P = Posição relativa dos setores em relação à geração de empregos. Os resultados foram arredondados para tornar a leitura dos números condizente com a unidade de medida da variável (número de pessoas). S8 = Construção civil.

5 Concretamente, a elevada participação na produção de café no Brasil conferiu ao estado o posto de maior produtor dessa commodity no país (SILVA; SOUZA; MARTINS, 2012). Atualmente, o setor agropecuário mineiro apresenta expressivo grau de diversificação, também destacando-se na produção de soja, cana-de-açúcar e milho. Essas atividades concentram-se prioritariamente nas regiões do interior (Sul e Triângulo Mineiro) (SEAPA, 2022).

6 Foram apresentados no corpo do texto somente os resultados da extração total da construção (em R1, R2 e R3) nos empregos. Os resultados das remoções locais podem ser consultados pela Tabela A3.

7 Nota: Primeiro quadrante: setores-chave; segundo quadrante: fornecedores-chave; quarto-quadrante: consumidores-chave.

8 Nota: Primeiro quadrante: setores-chave; segundo quadrante: fornecedores-chave; quarto-quadrante: consumidores-chave.

9 Nota: Primeiro quadrante: setores-chave; segundo quadrante: fornecedores-chave; quarto-quadrante: consumidores-chave.

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Índice das ilustrações

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Título Tabela 1. PIB, população e número de município por agrupamento - Brasil e Minas Gerais
Créditos Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).
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Título Tabela 2. Distribuição regional do consumo intermediário de Minas Gerais (agregado e percentual).
Créditos Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).
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Título Tabela 3. Distribuição dos empregos por local de residência e de trabalho
Créditos Fonte: Elaboração própria (dados do NEREUS, 2020).
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Título Tabela 4. Multiplicadores da produção intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa dos setores em cada região (total)2
Créditos Fonte: Elaboração própria.
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Ficheiro image/png, 87k
Título Tabela 5. Impactos de R$ 1 milhão na demanda final sobre os empregos intrarregional, inter-regional e total e a posição relativa (total)4
Créditos Fonte: Elaboração própria.
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Ficheiro image/png, 56k
Título Tabela A1. Setores produtivos em Minas Gerais
Créditos Fonte: Elaboração própria.
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Título Figura A1. Distribuição espacial dos municípios, segundo as regiões R1, R2 e R3
Créditos Fonte: Elaboração própria.
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Ficheiro image/jpeg, 57k
Título Figura A2. Índices de ligação para frente e para trás em Belo Horizonte (R1).
Créditos Fonte: Elaboração própria7.
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Título Figura A3. Índices de ligação para frente e para trás no restante da zona metropolitana (R2)
Créditos Fonte: Elaboração própria8.
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Título Figura A4. Índices de ligação para frente e para trás no restante do estado (R3)
Créditos Fonte: Elaboração própria9.
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Título Tabela A2. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o produto setorial e total de Minas Gerais (%) – 2015
Créditos Fonte: Elaboração própria.
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Título Tabela A3. Extração hipotética do setor da Construção – Impactos sobre o emprego setorial e total de Minas Gerais- 2015
Créditos Fonte: Elaboração própria
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Para citar este artigo

Referência eletrónica

Thiago Costa Soares, Estevão de Almeida Higino e Luckas Sabioni Lopes, «A inserção produtiva do setor da construção civil em Minas Gerais: uma análise regional»Espaço e Economia [Online], 26 | 2023, posto online no dia 29 dezembro 2023, consultado o 14 junho 2024. URL: http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/espacoeconomia/25053; DOI: https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/espacoeconomia.25053

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Autores

Thiago Costa Soares

Professor do Departamento de Economia, Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. E-mail: thiago.costa@ufjf.br

 

Estevão de Almeida Higino

Graduado em Economia, Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. E-mail: reworking_root@hotmail.com

 

Luckas Sabioni Lopes

Professor do Departamento de Economia, Universidade Federal de Juiz de Fora, campus Governador Valadares. E-mail: luckas.lopes@ufjf.br

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Apenas o texto pode ser utilizado sob licença CC BY-NC-SA 4.0. Outros elementos (ilustrações, anexos importados) são "Todos os direitos reservados", à exceção de indicação em contrário.

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