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Imagens comentadas

Brasil, país das segundas residências metropolitano-litorâneas

Brésil, pays des résidences secondaires métropolitaines et côtières
Brazil, the country of metropolitan-coastal second homes
Alexandre Queiroz Pereira, Eustogio Wanderley Correia Dantas et Kaio Duarte Vieira

Résumés

L'étude des résidences secondaires est un sujet stratégique pour comprendre le processus d'urbanisation au Brésil, en particulier dans les zones touristiques, les régions et les villes et/ou celles qui sont fortement affectées par les pratiques de loisirs. Dans cette analyse, nous soulignons comment, à partir des données du dernier recensement démographique, sa configuration est circonscrite dans les dynamiques métropolitaines et fortement basée sur les environnements côtiers, à la fois dans ses villes centres et dans les zones d'expansion côtière de la métropole.

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Texte intégral

1Lançamento recente de dados sobre domicílios no país (IBGE, 2022), suscita retomada de discussão empreendida por nosso grupo de pesquisa desde o primeiro decênio do século 21, sobre a dinâmica dos imóveis cuja função residencial é usufruída ocasionalmente, para fins de lazer e a validar, na contemporaneidade, articulação entre o imobiliário e o turismo. ((DANTAS; FERREIRA; CLEMENTINO, 2010; ARRAIS, 2013; PEREIRA, 2014; PEREIRA, DANTAS, GOMES, 2017; PEREIRA, 2020; GOMES, 2021).

2O citado gênero de abordagem introduz discussão rica, diferenciada e a dialogar com Boyer (2008) em sua crítica a estudos aprisionados a tônica pautada exclusivamente na dinâmica turística. A prática da vilegiatura, validada na posse de um imóvel (segunda residência), entra na ordem do dia à medida em que, na escala mundo, se refina a arte de coleta de dados censitários sobre os domicílios de uso ocasional (segunda residência) em contraponto aos de uso permanente (primeira residência).

3Embora a segunda residência no Brasil imprima transformações significativas na configuração da paisagem urbana, os governos locais, à contra-exemplo da Europa Ocidental (ZOCA, 2016), não a consideram devidamente na elaboração de políticas de ordenamento do território. Negligenciam o fato dela tanto anteceder o turismo de massa como e dispor de poder maior de espalhamento na totalidade do espaço, conduzindo assim à configuração de uma paisagem urbana prenhe de elementos de transformação a afetar vivamente a vida das pessoas e, por conseguinte, a merecer a atenção dos gestores (LÓPEZ; MÓDENES, 2004; PANIZZA; PEREIRA, 2009; MARTINEZ; FERREIRA, 2010; HOOGENDOORN; VISSER, 2011; ELLINGSEN; HIDLE, 2013; ROBERT, 2024).

4Contabilizada nos censos demográficos e com a denominação técnica de domicílio particular de uso ocasional, as segundas residências, por quantidade (acréscimo de 70% entre censo de 2010 e 2022, totalizando 6,7 milhões - IBGE, 2023) e localização, permanecem como formas urbanas a demandar pesquisas capazes de apreender processos a elas articulados, destaque ao da urbanização e da metropolização do espaço, abordados em nosso grupo de pesquisa a partir de indícios de transformação diversos: i. alterações na forma de produzir e consumir as segundas residências, especificamente a passagem da produção dos imóveis unifamiliares para a da aquisição de empreendimentos multifamiliares, na forma condominial, seja horizontal ou vertical (PEREIRA, 2014); ii. disseminação dos esportes náuticos, dos parques temáticos e da estratégia de venda através da multipropriedade, a balizarem a localização e os padrões locacionais das segundas residências (PEREIRA E DANTAS, 2019); iii. alteração da composição numérica das segundas residências a partir da reconfiguração dos resorts e os complexos turísticos (construídos entre 2010 e 2022) (PEREIRA; ABREU, 2022).

5Considerando as práticas da vilegiatura e do turismo, além dos interesses imobiliários e das plataformas digitais de locação, o uso das segundas residências se mostra múltiplo e flexível, sendo o objetivo deste artigo avaliar e explicar os quantitativos e a localização dos agrupamentos desse tipo de imóvel na escala nacional, foco nas metrópoles litorâneas e justificado no apontamento da importância desta parcela do território na atração de segundas residências (PEREIRA, 2014, DANTAS, PEREIRA E PANIZZA, 2010, FONSECA, 2012, CRUZ, 2007).

6Para dar conta da problemática aqui enunciada foram adotados procedimentos metodológicos e teóricos. No primeiro domínio, utilizou-se da cartografia dos dados relativos aos domicílios de uso ocasional do IBGE, em série histórica (2000, 2010 e 2022), nas dimensões absoluta e relativa, nas escalas nacional (a permitir constatar as diferenças regionais e as grandes zonas de concentração seja no continente ou nos espaços costeiros) e municipal-metropolitana (espaço preferencial e diversificado de concentração de segundas residências - LOPES, RUIZ E ANJOS, 2018; LIMA, 2013; PEREIRA E DANTAS, 2019). No segundo domínio, apoia-se no estudo dos padrões locacionais das segundas residências, ênfase maior nas litorâneas e posto nelas o fenômeno ganhar maior complexidade.

As segundas residências em diferentes escalas

7No país e a denotar tendência de fortalecimento da vilegiatura de natureza marítima (sito nos municípios costeiros) em relação à continental (municípios não costeiros), pode-se confirmar verdadeiro fenômeno de sociedade alavancado pela força que o mar e o marítimo tomam na contemporaneidade (PERON; RIENCAU, 1996), suscitando transformação das zonas de praia em latitudes temperadas e nos trópicos (BOYER, 2008; DANTAS, 2009; CLÁVEL ET AL, 2011; GAUNA RUÍZ DE LEÓN & CHÁVEZ DAGOSTINO, 2020; BEIER ET AL, 2021).

8No Brasil, nos idos dos anos 1960-1970, a tônica de urbanização associada ao habitar ocasional se intensifica, consoante fortalecimento do setor de construção civil. Para Seabra (1979), representa oportunidades de ganhos fabulosos, denotando um surto imobiliário de valorização do solo urbano voltado ao atendimento de demanda por segundas residências da elite, reforçado com recursos provenientes do Banco Nacional de Habitação (BNH). Nas capitais litorâneas, convém destacar que este movimento se apresenta de forma diferenciada e representativa da constituição delas como metrópoles, seguindo o instituído na metrópole do Rio de Janeiro no pós-guerra (GOMES, 2002), com ocupação redefinida com imóveis adquiridos pela elite local para habitar permanentemente (primeira residência) na praia. Tal gênero de pressão, apresenta baluarte ao extrapolamento das fronteiras dos limites da cidade e a denotar descoberta de novos espaços de sociabilidade fora da cidade, com consequente incorporação de áreas rurais dos municípios litorâneos da região metropolitana.

9No adentrar no século XXI, implementou-se racionalidade diferenciada de atendimento da demanda por espaços de sociabilidade afetos aos vilegiaturistas. De uma prática validada em demanda inicial por ambiências naturais, a dispor de grandes problemas de infraestrutura, na atualidade se beneficia de infraestrutura herdada (sistema de vias, eletricidade, telefonia e saneamento) por outras políticas públicas, dentre elas a turística. Atinge assim outro patamar, explicito na articulação lenta e gradual da vilegiatura com o turismo, concretizando um setor híbrido denominado imobiliário-turístico (DANTAS ET ALL, 2010).

10Grosso modo, o supramencionado redimensiona os empreendimentos imobiliários oferecidos e muda o perfil dos vilegiaturistas consoante suas origens. Em relação ao imobiliário, atualmente investe-se maciçamente no oferecimento de empreendimentos (complexos turísticos imobiliários) a atenderem tanto a demanda de turistas como de vilegiaturistas, dispondo os mesmos em sua caracterização de um portfólio de clientes mais amplo. Tal gênero de ampliação estratégica converge até no relativo aos empreendimentos eminentemente turísticos: i. Pool Hoteleiro (timeshare) a disponibilizar conjunto de segundas residências em seu entorno e/ou venda de quartos, a permitirem a seu detentor, guardando sua condição de proprietário, disponibilização de seu imóvel à demanda por leitos do pool hoteleiro; ii. Projetos imobiliários de natureza diversa a investirem na multipropriedade, com venda de frações (cotas) de um dado imóvel ou quarto a vários proprietários. No concernente a origem dos usuários de segundas residências, houve alteração da escala espacial a caracterizar os vilegiaturistas, principalmente, derivado dessa diversificação dos produtos imobiliários oferecidos. Inicialmente de origem local ou regional (na melhor das hipóteses), nos últimos decênios abundam quantitativos proveniente da escala nacional e internacional, somando-se aos usuários clássicos destes espaços de sociabilidade (classes médias de origem local e regional). Um gênero de perfil a justificar, de um lado, incremento do número de usuários no domínio das metrópoles e de suas regiões metropolitanas, e de outro lado, complexificação dos usuários desta prática, com inclusão de entes não circunscritos no caracterizado pelo IBGE como segunda residência (aqueles a adquirirem cotas em pool hoteleiro ou a adquirirem bem em multipropriedade).

Distribuição na escala nacional-regional

11Os resultados serão apresentados em dois níveis de sistematização: nacional e regional. Agrupados em classes absolutas ou relativas, a denotarem quadros mais ou menos homogêneos de distribuição das segundas residências, permitem detalhamento maior dos processos e consequente verificação de hipóteses na escala metropolitana. No lido destas escalas, a quantidade e a variedade de processos associados às segundas residências podem ser explicados por movimentos de expansão e concentração de caráter centrífugo e centrípeto, considerando a principal cidade da aglomeração metropolitana.

12A cartografia da razão entre domicílios de uso ocasional e total de domicílios recenseados na escala nacional, permite a explicação regional e metropolitana dos padrões espaciais de localização, sobretudo a partir do estabelecimento de classes de concentração.

13Quantitativamente, a distribuição dos domicílios de uso ocasional no Brasil por região segue o mesmo padrão de população e número total de domicílios. Nestes termos, compreensível o destaque das regiões Sudeste e Nordeste desde o censo de 2000, seguido das regiões, Sul, Centro-Oeste e Norte (gráfico 1). Sendo a primeira região aquela a concentrar maior volume de residências secundárias no censo de 2022 (2,7 milhões - 40,8% do total), seu crescimento em relação ao censo de 2000 ficou próximo a 59%, abaixo do Norte (73%), Nordeste (71,5%) e Centro-Oeste (69%). Com representatividade inferior a 8% em relação ao nacional, o incremento relativo no Norte e Centro-Oeste pode ser explicado no crescimento das atividades econômicas interiorizadas (agronegócio) e das cidades de porte médio, a sustentarem aumento da demanda por espaços de sociabilidade. Já no Nordeste, à sua consolidação como região atrativa aos empreendimentos e visitantes com interesses turísticos, associada ao incremento das demandas locais provenientes das áreas metropolitanas e cidades medias.

Gráfico 1. Domicílios Particulares permanentes não ocupados de uso ocasional, por região, nos anos de 2000, 2010 e 2022

Gráfico 1. Domicílios Particulares permanentes não ocupados de uso ocasional, por região, nos anos de 2000, 2010 e 2022

Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra

Distribuição na escala municipal

14A cartografia do total de segundas residências por município, encaminha o analista a considerar as logicas implícitas litoral-continente e hierarquia da rede urbana, subdivididos em sete agrupamentos no domínio do absoluto e do relativo

Reino do Absoluto

15No domínio do absoluto, se evidencia um gênero de constância a partir do qual um menor número de municípios se situa nos dois últimos agrupamentos: 10.000-50.000 - distribuídos em sua maioria nas regiões metropolitanas (derivada, por ordem de importância, de sua condição como metrópole e acrescida ou não da condição marítima), em cidades médias e aglomerados populacionais semelhantes; superior a 50.001 - casos raros e pontualmente localizados, sobretudo na região Sudeste (figura 1).

Figura 1. Domicílios de Uso Ocasional no Brasil, ano de 2022.

Figura 1. Domicílios de Uso Ocasional no Brasil, ano de 2022.

Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra

16O processo de difusão metropolitana das segundas residências tem como alicerce demanda circunscrita, principalmente, nas capitais dos estados e a evidenciar uma prática validada em duas escalas de tempo diferenciadas (períodos): tempo da cidade e tempo da metrópole (Carlos, 2001). No primeiro período, as segundas residências atendiam demandas por espaços de sociabilidade circunscritos na própria cidade e a não extrapolar suas fronteiras (cidades primazes). No segundo período, em voga no pós Segundo Guerra Mundial, se dá transbordamento das demandas por domicílios de uso ocasional além das fronteiras da cidade primaz, se estabelecendo lenta e gradualmente em municípios confinantes e circunscrito em política empreendida de conformação das regiões metropolitanas (PEREIRA, 2014, 2019).

17De lógica validada na escala das cidades mais dinâmicas, acompanhamos atualmente processo de espalhamento das segundas residências em escala regional-metropolitana a partir da qual as metrópoles se constituem em locus de concentração, em termos absolutos, das segundas residências, invalidando modelo clássico de Lundgren (1974) a indicar esvaziamento das segundas residências a favor de localidades cada vez mais distantes.

18Considerando concentração maior de segundas residências na escala municipal, convém destacar fenômeno evidenciado, de um lado, em aglomerações urbanas de caráter metropolitano, nas metrópoles (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília e Florianópolis, sete ao todo e somente duas delas continentais, a segunda e a sexta) e capitais regionais (Porto Velho e Belém) e, de outro lado, em municípios nos quais a condição marítima se impõe e a denotar validação das referidas em demandas por espaços litorâneos provenientes, por ordem de importância, das metrópoles e capitais regionais: Praia Grande (SP), Cabo Frio (RJ), Camaçari (BA), Porto Seguro (BA), Ilhéus (BA), Cabo de Santo Agostinho (BA) e Ilha de Itamacará (PE) (figura 1).

O reino do relativo

19Em uma outra ordem de impacto, no domínio do relativo, o percentual do número de segundas residências sobre o total de domicílios indica o quanto tais imóveis e seus usos impulsionam o processo de urbanização, sobretudo, em municípios onde a principal expressão da urbanização são os serviços de lazer e os imóveis para temporadas.

20Os municípios brasileiros foram seriados em quatro classes: i. 0% a 10% de segundas residências sobre o total do parque imobiliário domiciliar; ii. 11% a 30%; iii. 31% a 50%; e, 51% a 72,1%. Merecem atenção especial os constantes nas duas últimas frequências, posto significar alto grau de impacto das atividades de lazer e de caráter sazonal na economia e no cotidiano das municipalidades e de seus espaços urbanos.

21A maioria dos municípios da Região Norte se inserem nas menores frequências, de 0-10 e 11-30%, única exceção no município litorâneo de Salinópolis (38,76%), na frequência de 31-50%, com crescimento da urbanização reforçado por investimentos públicos, atrelados à indução dos negócios turísticos (Souza, 2014) e a reverberar no concernente ao uso ocasional.

22Na região Centro-Oeste, nos patamares das frequências superiores de 31-50 e de 51-72%, há indicação de casos nos estados de Goiás e Mato Grosso. No primeiro caso, os municípios de Rio Quente (44%) e Três Ranchos (57%) reconhecidos, respectivamente, por seus parques temáticos-resorts associados às águas termais (além da proximidade em relação a Caldas Novas) e por seu ecoturismo e turismo ambiental (SILVA E FERREIRA, 2011). No segundo caso, os municípios de Barão de Melgaço (34%), com trechos do Rio Cuiabá, e Chapada dos Guimarães (33%), onde se localiza o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, valorizados pela efetivação de atividades ecoturísticas, ditas sustentáveis (LOPES ET AL, 2022; VIEIRA JR, 2012).

23No Sudeste, o destaque maior se dá no litoral entre São Paulo e Rio de Janeiro, seguido das destinações continentais em Minas Gerais, circunscritos nas frequências superiores de 31-50% e acima de 51%. No trecho litorâneo, foco de nossa análise, desde os anos de 1960 os municípios entre a Baixada Santista e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro são reconhecidos pela vilegiatura marítima, sobretudo em função da demanda originária da região metropolitana. Mongaguá (56,26%) e Bertioga (55,45%), em área de forte crescimento turístico da Baixada Santista (Rios, 2020), atingem patamares da última frequência. Um pouco abaixo, na frequência de 31-50%, tem-se Ubatuba (49,64%) e consoante crescimento turístico litorâneo associado a à biodiversidade e cultura gastronômica (DIAS, 2011; MARANHÃO E BUENO, 2012; GÓIS, 2022). Sendo a principal bacia urbana do país, integrando ainda o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo, é um dos mais complexos para o estudo das segundas residências posto apresentar tanto os maiores números absolutos (Praia Grande) como casos de forte impacto relativo, como Mongaguá e Bertioga.

24Na região Sul, destaque aos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No primeiro encontramos os três municípios com maior porcentagem de domicílios de uso ocasional em relação ao total de domicílios do país: Arroio do Sal (72,40%), Xangri-lá (70,75%), Cidreira (68,02%) e Palmares do Sul (64,34%), na frequência mais elevada e acima de 60%. Todos estão associados a ambiência litorânea ou lacustre e estão a, no máximo, duas horas de deslocamento por automóvel da cidade de Porto Alegre. No segundo estado, com municípios a comporem as duas frequências superiores, 31-50% e acima de 51%, Balneário Arroio do Silva (55,83%) e Balneário Barra do Sul (44,4%). Ambos a guardarem a condição marítima, acrescida de situação geográfica potencializada por infraestruturas de mobilidade rodoviária a permitir vínculos com Criciúma, Joinville, Florianópolis e Curitiba.

25No Nordeste, todos os casos de maior relevo, na frequência acima de 51% de domicílios de uso ocasional em relação ao total, se situam na zona costeira, se mostrando a condição marítima como variável preponderante. Os exemplos são: Tibau (62,05%) no Rio Grande do Norte, Ilha de Itamaracá (60,18%) em Pernambuco, Barra de São Miguel (56,22%) em Alagoas, Saubara (54,06%) e Vera Cruz (51,76%) na Bahia. Os referidos compõem polígonos da região de polarização das metrópoles, exceto o primeiro, sob influência de uma cidade média interiorana, Mossoró (GOMES, 2021).

26Dos dois reinos aqui indicados, convém destacar casos nos quais os municípios ocupam frequências elevadas tanto em termos absolutos (10.001-50.000 e acima de 51.000) como relativo (acima de 51% do total de domicílios). Situam-se, por ordem de importância em três regiões brasileiras: Sul (10 municípios) – Pontal do Paraná (22.606 residências, 61,44% do total) e Matinhos (27.487 residências, 61,26% do total) no Paraná, Jaguaruna (15.745 residências, 63,68% do total) em Santa Catarina e, por último, Palmares do Sul (10.543 residências, 64,34% do total), Balneário Pinhal (12.215 residências, 63,43% do total), Arroio do Sal (13.606 residências, 72,40% do total), Cidreira (16.207 residências, 68,02% do total), Xangri-la (16.304 residências, 70,75% do total), Imbé (20.364 residências, 62,98% do total) e Capão das Canoas (31.495 residências, 53,24% do total) no Rio Grande do Sul; Sudeste (3 municípios) – Mongaguá (31.386 residências, 56,38% do total) e Bertioga (33.971 residências, 55,57% do total) em São Paulo e Mangaratiba (23.923 residências, 54,74% do total) no Rio de Janeiro; Nordeste (2 municípios) – Vera Cruz (23.202 residências, 51,76% do total) na Bahia e Ilha de Itamaracá (15.172 residências, 60,28% do total) em Pernambuco.

    1. Enfoque no litorâneo-metropolitano

27Na análise pautada no absoluto e no relativo, a dinâmica de crescimento e consolidação das segundas residências sofre complementação da variável marítima. Como preambulo convém destacar processo de distribuição significativa das segundas residências em municípios defrontantes ao mar, vis-à-vis demandas massivas e complementares. De um lado, as de natureza centrifuga (movimento com tendência de se afastar do centro), provenientes das regiões metropolitanas e a incidir para fora delas. De outro lado, as de natureza centrípeta (movimento dirigido ao centro) existentes nas regiões metropolitas e direcionados a suas metrópoles. Correspondem a 280 municípios (5% do total) a contarem com 2.112.480 domicílios de uso ocasional (31,65% do total). Considerando nova regionalização do IBGE possível confecção de mapa anamorfosado a evidenciar citado nível de concentração (figura 2).

Figura 2. Percentual de Domicílios de uso ocasional em relação ao número de domicílios particulares permanentes.

Figura 2. Percentual de Domicílios de uso ocasional em relação ao número de domicílios particulares permanentes.

28Implícita em contextos litorâneos os dois níveis de conformação indicados acima dispõem de desdobramentos verificáveis nas regiões mais dinâmicas do Brasil.

29O centrifugo com maior evidência no Sudeste, assentado em demandas provenientes das Regiões Metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

  • 1 Maior área de concentração de segundas residências do Brasil, superior a 318 mil unidades e a conta (...)
  • 2 Segundo maior quantitativo de segundas residências no Brasil, próximo da marca de 200 mil, com aume (...)

30As duas primeiras, configuradas na importância de suas metrópoles nacionais (mesmo sendo São Paulo um município continental) (tabela 2), a suscitarem fluxos a impactarem na escala do país e na lógica do lazer de proximidade, com incidência no litoral do Sudeste correspondente a Baixada Santista1 e à Região Metropolitana do Rio de Janeiro,2 capital em destaque, como extensão da megarregião urbana brasileira a dispor de papel específico na divisão territorial do trabalho com sua função balnear e de uso sazonal (figura 3 e quadro 1).

Tabela 2. Total e percentual de segundas residências em regiões metropolitanas situadas no litoral

Região Metropolitana

Total de Municípios

Total de SR

% de SR em municípios litorâneos

% de SR em municípios não-litorâneos

2000

2010

2022

2000

2010

2022

2000

2010

2022

Florianópolis

9

30.054

41.316

62.200

97,86%

95,73%

94,63%

2,14%

4,27%

5,37%

Baixada Santista

9

252.514

288.958

318.453

99,88%

99,92%

99,78%

0,12%

0,08%

0,22%

Rio de Janeiro

22

116.180

143.158

198.013

83,07%

82,23%

79,33%

16,93%

17,77%

20,67%

Salvador

13

46.102

70.502

147.028

93,72%

92,50%

90,67%

6,28%

7,50%

9,33%

Recife

14

31.321

45.185

89.928

92,51%

91,90%

90,20%

7,49%

8,10%

9,80%

Fortaleza

19

28.991

43.506

81.801

85,55%

84,56%

84,88%

14,45%

15,44%

15,12%

Legenda: SR - Segundas Residências

Fonte: IBGE, Censos 2000, 2010 e 2022.

31A última, a contar com uma metrópole regional, suscita também fluxos direcionados aos espaços litorâneos, justificando tanto a dinâmica de valorização citada anteriormente como a relativa a outras regiões do país, destaque, em função da proximidade, nos municípios litorâneos baianos, Salvador incluso.

32Figura 3. Crescimento percentual e absoluto de domicílios de uso ocasional entre os anos de 2010 e 2022, nas regiões metropolitanas da Baixada Santista, Rio de Janeiro e Florianópolis.

Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra

Quadro 1. Municípios metropolitanos com maiores indicadores em valores absolutos e relativos de segundas residências, ano de 2022.

Regiões Metropolitanas

Destaques quantitativos*

Destaques percentuais (em relação ao total de domicílios particulares permanentes)

Baixada Santista

Praia Grande (107.402), Guarujá (49.335) e Itanhaém (44.022)

Bertioga (55,5%), Itanhaém (47,3%) e Praia Grande (41,7%)

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro (90.991), Maricá (20.487) e Petrópolis (12.135)

Maricá (19,2%), Guapimirim (16,1 %) e Cachoeira de Macacu (13,1%)

Salvador

Salvador (53.200), Camaçari (32.274) e Vera Cruz (23.214)

Vera Cruz (51,7%), Itaparica (38,2%) e Mata de São João (32,9%)

Recife

Recife (18.194), Ilha de Itamaracá (15.172) e Cabo de Santo Agostinho (14.112)

Ilha de Itamaracá (60,2%), Ipojuca (21,9%) e Cabo de Santo Agostinho (14,2%)

Fortaleza

Fortaleza (28.101), Caucaia (13.044) e Aquiraz (11.621)

Aquiraz (25,3%), Paracuru (19%) e São Gonçalo do Amarante (15,6%)

Florianópolis

Florianópolis (36.590), Palhoça (12443) e Gov. Celso Ramos (5.850)

Gov. Celso Ramos (45,3%), São Pedro de Alcântara (26,9%) e Florianópolis (12,8%)

* Entre parêntese o total de segundas residências.

Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra.

33O centrípeto a dispor de maior incidência no Nordeste (Salvador, Recife e Fortaleza) e Sul (Florianópolis) (Honório e Rocha, 2021; Fonseca e Lima, 2012; e Sacramento 2018). Nos contextos metropolitanos analisados, considerando os censos de 2000 e 2022, houve acréscimos expressivos de segundas residências nas citadas Regiões Metropolitanas (tabela 2), dado possível graças ao fortalecimento das atividades turísticas, a aprimorarem os modais rodoviários e aeroviários, bem como de moradores de suas metrópoles ávidos em adquirir uma segunda residência na praia. Nas citadas metrópoles, aos fluxos regional e intranacional se juntam os internacionais, a adquirem seus imóveis de uso ocasional e por conseguinte dinamizar o mercado imobiliário nas metrópoles. Em relação ao primeiro nível dos fluxos, destaque aos moradores das metrópoles, ávidos em adquirirem uma segunda residência nos municípios litorâneos a comporem suas regiões metropolitanas. Esses usuários ajudam a entender os quantitativos crescentes em todos os municípios no entorno da cidade polo, principalmente no litoral próximo (Gov. Celso Ramos, Camaçari, Maricá, Caucaia, Ilha de Itamaracá, Vera Cruz, etc) (figura 4 e quadro 1). A ocupação derivada nesta parcela do território de faz de maneira linear, acompanhando paralelamente a zona costeira e com forte concentração nos municípios litorâneos das regiões metropolitanas aqui analisadas (superior a 79% e a atingir a quase totalidade na Baixada Santista).

34Figura 4. Crescimento percentual e absoluto de domicílios de uso ocasional entre os anos de 2010 e 2022, nas regiões metropolitanas de Fortaleza, Salvador e Recife.

Figura 4 Crescimento dos domicílios de uso ocasional, Nordeste

Figura 4 Crescimento dos domicílios de uso ocasional, Nordeste

Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra

Conclusões

35A interpretação das variáveis selecionados permitiram a delimitação de tendências e contexto na escala nacional e metropolitana. Na escala nacional fica evidente o quanto a concentração de segundas residências está associada aos centros emissores de usuários, principalmente, cidades de porte metropolitano e cidades médias. Como fora constatado, os municípios receptores contam com atrativos sociais (festivais, museus), mas fortemente se justificam por apresentar amenidades naturais, como recursos hídricos (lagos, lagoas e rios), zonas de com topografia elevada e temperaturas amenas e, principalmente, as zonas à beira-mar. Neste sentido, não é de estranhar que o grande quantitativo de segundas residências registradas na série histórica do Censo se concentre nas metrópoles e espaços urbanos litorâneos. Tendência já constada em pesquisas anteriores, o estudo dos dados do Censo de 2022 aponta para o litoral como lócus privilegiado para a localização das segundas residências. Assim, o processo de concentração não declinou, pelo contrário, é flagrante o crescimento dos quantitativos em espaços litorâneos e metropolitanos.

36Na escala metropolitana os dados deixam evidente a massificação das segundas residências em municípios metropolitanos litorâneos. Em termos quantitativos, taxativamente pode-se afirmar que é a Baixada Santista a maior concentração de segundas residências litorâneos no Brasil e devido seus vínculos socioespaciais com a Grande São Paulo, de natureza continental.

37Nas demais metrópoles analisadas o movimento centrífugo e centrípeto de difusão de segundas residências coexiste. O primeiro, relativo ao turismo e ao lazer de proximidade, seleciona municípios litorâneos como front de concentração e expansão de segundas residências, sejam em condomínios, unidades individuais, sejam em resorts ou complexos turísticos. O segundo, o centrípeto, é marcado pelo aumento constante do número de segundas residências nas cidades-polo das regiões metropolitanas, muito explicado pelo uso dos fronts litorâneos destas cidades tanto pelo uso residencial permanente como pelo uso temporário, a incluir forte presença de proprietários nacionais e estrangeiros. Rio de Janeiro e Salvador são exemplos mais robustos.

Agradecimentos

38Trabalho desenvolvido graças a apoio financeiro do PRINT-CAPES-UFC, CNPq (Bolsa Pq) e FUNCAP, bem como inestimável contribuição de Hervé Théry na elaboração dos mapas.

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Notes

1 Maior área de concentração de segundas residências do Brasil, superior a 318 mil unidades e a contar com 20% de crescimento no interstício 2010-2022.

2 Segundo maior quantitativo de segundas residências no Brasil, próximo da marca de 200 mil, com aumento de 70% no interstício 2010-2022.

Figura 3 Crescimento dos domicílios de uso ocasional, Sul e Sudeste

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Table des illustrations

Titre Gráfico 1. Domicílios Particulares permanentes não ocupados de uso ocasional, por região, nos anos de 2000, 2010 e 2022
Crédits Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra
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Titre Figura 1. Domicílios de Uso Ocasional no Brasil, ano de 2022.
Crédits Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra
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Titre Figura 2. Percentual de Domicílios de uso ocasional em relação ao número de domicílios particulares permanentes.
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Crédits Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/57002/img-4.png
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Titre Figura 4 Crescimento dos domicílios de uso ocasional, Nordeste
Crédits Fonte: IBGE, Censo demográfico 2022 / Sidra
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Pour citer cet article

Référence électronique

Alexandre Queiroz Pereira, Eustogio Wanderley Correia Dantas et Kaio Duarte Vieira, « Brasil, país das segundas residências metropolitano-litorâneas »Confins [En ligne], 62 | 2024, mis en ligne le 23 mars 2024, consulté le 21 juin 2024. URL : http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/57002 ; DOI : https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/confins.57002

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Auteurs

Alexandre Queiroz Pereira

Universidade Federal do Ceará (UFC), aqpereira@ufc.br

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Eustogio Wanderley Correia Dantas

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Kaio Duarte Vieira

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