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Agricultura e espaços globalizados

Agriculture et espaces mondialisés
Agriculture and the globalised world
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Référence(s) :

Agricultura e espaços globalizados: produção, circulação e usos do território brasileiro, Ricardo Castillo, Mait Bertollo (organizadores), 1ª ed. São Paulo Hucitec, 2024, 236 p., (Coleção Geografia: Teoria e Realidade, v. 6), ISBN 978-85-8404-257-9

Texte intégral

Apresentação

1Este livro é o resultado do trabalho de pesquisadores e estudantes associados ao grupo de pesquisa Logística, Agricultura e Usos do Território Brasileiro (Lauter), cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil (DGP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e certificado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde 2006. No âmbito do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, o Grupo está vinculado ao Laboratório de Investigações Geográficas e Planejamento Territorial (Geoplan), instituído na esteira da criação do curso de graduação em Geografia, em 1998, e de pós-graduação em Geografia, em 2002.

2Ao longo de pouco mais de duas décadas, foram desenvolvidos, na esfera do Lauter, projetos de pesquisa financiados pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), nas modalidades de auxílio à pesquisa e de bolsas de pesquisa de graduação (iniciação científica), pós-graduação (mestrado e doutorado), pós-doutorado e produtividade em pesquisa. O Grupo também abriga Pesquisadores de outras instituições, sobretudo de Universidades públicas brasileiras, que participam ativamente das reuniões de debate teórico e de apresentação de trabalhos, dos projetos de pesquisa e de publicações.

3Nos últimos dez anos, o Lauter acolheu diversos projetos de pesquisa que embasaram os resultados publicados nesta coletânea. Em relação aos auxílios, todos financiados pelo CNPq, podemos citar: 1) “Regiões competitivas agrícolas no território brasileiro: metodologia, implicações socioespaciais e estudos de caso da soja e do café”, entre 2011 e 2014; 2) “Circuito espacial produtivo do setor sucroenergético no Brasil: regiões competitivas agroindustriais e logística”, entre 2014 e 2017; 3) “Regiões competitivas agroindustriais do setor sucroenergético no cerrado brasileiro”, entre 2014 e 2016; 4) “Agronegócio globalizado, competitividade regional e vulnerabilidade territorial: perfil dos municípios sucroenergéticos no Brasil”, entre 2017 e 2020; 5) “Logística do pequeno produtor agropecuário voltada para o abastecimento alimentar”, desde 2020.

4No mesmo período, foram inúmeros os projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado que concorreram para a consolidação do Laboratório e do Grupo de Pesquisa, financiados, em grande parte, mas não exclusivamente, pelas instituições de fomento supracitadas, versando sobre a regionalização produtiva do agronegócio globalizado, o circuito espacial produtivo de commodities agrícolas, a logística corporativa do setor, o papel da agricultura familiar no abastecimento alimentar, a logística do circuito inferior da economia agrária, dentre outros temas correlatos.

5Dessa miríade de estudos e investigações que têm animado o Lauter, alguns foram selecionados para compor esta publicação. Além desta apresentação, este livro, intitulado Agricultura e espaços globalizados: produção, circulação e usos do território brasileiro, está constituído por quatro partes e 11 capítulos. O primeiro capítulo, de autoria de Lucas Guide e Ricardo Castillo, intitulado “Circuito espacial produtivo do leite fluido no Brasil: uma proposta de periodização” desenvolve a ideia de que o ramo produtivo do leite fluido, com base em suas características intrínsecas e da formação territorial brasileira, pode ser apreendido no eixo das sucessões e no eixo das coexistências, caminho de método proposto por Santos (1996). Por um lado, valendo-se de uma matriz de eventos técnicos e normativos, foram reconhecidos três períodos, correspondendo, a cada um, uma divisão territorial do trabalho particular e, por outro lado, na coexistência, complexa e diversificada no território brasileiro, destas divisões do trabalho.

6Henrique Faria dos Santos e Mateus de Almeida Prado Sampaio, por sua vez, assinam o capítulo dois, intitulado “Uso corporativo do território pelo agronegócio sucroenergético e especialização regional da produção canavieira no Centro- -Sul do Brasil”, cujo objetivo é levantar e discutir os principais fatores que justificam a macrorregionalização do setor sucroenergético no território brasileiro, valendo-se dos conceitos de região produtiva e competitividade regional. Os autores problematizam a implantação de áreas de monocultivo de cana-de-açúcar em municípios que se tornam funcionalmente especializados, dependentes economicamente dessa atividade e territorialmente vulneráveis.

7Por fim, o terceiro capítulo desta primeira parte do livro, elaborado por Glaycon Vinicius Antunes de Souza, intitulado “Uso do território e agronegócio bovino: comportamento recente da exportação de carne brasileira”, discute o aumento da quantidade de carne bovina exportada pelo Brasil durante as primeiras décadas do século XXI, bem como o aumento da complexidade das interações espaciais desse circuito espacial produtivo, no contexto da dinâmica recente das exportações de carne bovina brasileira, logrando demonstrar algumas transformações no uso do território provocadas pelas demandas internacionais desse produto. Esses três primeiros capítulos foram reunidos na Parte I: “Circuitos espaciais produtivos, redes e território”.

8A segunda parte do livro, “Circuitos espaciais da economia agrária: convergências e contradições territoriais”, aborda a reflexão teórica mais recentemente incorporada ao grupo de pesquisa, reunindo duas importantes contribuições para o desenvolvimento noção proposta por Denise Elias,1 a partir da teoria dos circuitos da economia urbana de Milton Santos.2

9O capítulo 4, “Circuito inferior da economia agrária e logística dos pequenos: um estudo de caso a partir da Cooperativa da Reforma Agrária e Agricultura Familiar — COPCRAF”, elaborado por Heloísa Santos Molina Lopes, parte da noção de “logística dos pequenos”, proposta por Bertha Becker,3 e se propõe a compreender as formas de organização dos agentes do circuito inferior da economia agrária de uma cooperativa no município de Cascavel-PR, no que compete às suas estratégias logísticas, elaboradas para atender as demandas do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Matheus Dezidério Busca, por seu turno, avança uma proposição teórico-metodológica, isto é, conceituação e operacionalização, da noção de circuitos (superior, superior marginal e inferior) da economia agrária, tendo, como pano de fundo, o avanço da agricultura intensiva no Cerrado Baiano, no capítulo 5, de sua autoria, intitulado “Os dois circuitos da economia agrária: um conceito em construção”.

10A desmaterialização, globalização e violência, como diria Milton Santos,4 do dinheiro e da informação, constituem o âmago da Parte III da coletânea, intitulada, minimalistamente, “Finanças e informação”, constituída por três capítulos. O fenômeno recente do land grabbing, simplificadamente definido por Saturnino Borras, C. Kay, S. Gómez e J. Wilkinson como “controle de extensões relativamente vastas de terra e outros recursos naturais, por meio de uma variedade de mecanismos e formas envolvendo capital em grande escala, que muitas vezes transfere o uso de recursos para a extração, seja para fins internacionais ou domésticos, como resposta do capitalismo à convergência das crises alimentar, energética, financeira”5 e ambiental, em tradução livre, é o tema dos dois primeiros capítulos desta parte.

11O capítulo 6, desenvolvido por Marcel Petrocino Esteves, com o título “Imperativo bieconômico, land grabbing e privatização da biodiversidade: considerações sobre a financeirização da terra e dos recursos naturais no Brasil” toma como ponto de partida a financeirização da terra, dos recursos naturais e da agropecuária brasileira, para discutir as implicações tecnológicas, produtivas e organizacionais das atividades do meio agrário sob a perspectiva do imperativo bioeconômico, tal como o fenômeno do land grabbing.

12Ernesto Etulain assina o segundo texto sobre land grabbing (capítulo 7), intitulado “Land grabbing e o uso do território pela produção flexível”, aborda o fenômeno do land grabbing que controla grandes extensões de terra por meio da compra ou arrendamento por empresas e pela produção de culturas flexíveis (flex crops), atividades que dependem da utilização de bases técnicas modernas e avançadas tecnologicamente, associadas às políticas neoliberais que colaboram para a elaboração de uma geografia instrumental subjacente às ações das grandes empresas.

13Ainda nesta terceira parte, Mait Bertollo se encarrega do capítulo 8, denominado “Da fazenda ao garfo: o papel da informação no campo brasileiro globalizado”, que discute a capilarização da informação no campo brasileiro para o aumento da produção por meio da Internet das Coisas (IoT), coleta e compartilhamento de grandes volumes de dados, e a participação das tradicionais corporações do agronegócio em conjunto com as Bigtechs, Fintechs e grandes redes varejistas sob a estratégia global “da fazenda ao garfo”. A quarta e última parte do livro agrupa, sob designação de “Regionalização e Agronegócio Globalizado”, três capítulos.

14O primeiro (capítulo 9), de autoria de Ana Carolina Torelli Marquezini Faccin e André Rodrigo Farias, intitulado “Agronegócio globalizado e especialização regional produtiva: indicadores para análise das principais culturas de exportação no Brasil”, trata do processo de especialização regional produtiva, decorrente do aprofundamento da divisão territorial do trabalho no agronegócio globalizado, considerando algumas das principais culturas de exportação do Brasil. Os autores recorrem a importantes fundamentos conceituais e desenvolvem um promissor índice de competitividade da soja no Mato Grosso do Sul, que pode servir de modelo para mensurar outras culturas, outros estados e outras escala de abrangência.

15O capítulo 10, por sua vez, ficou à cargo de Fernando Campos Mesquita, intitulado “Condicionantes da especialização em regiões produtivas do agronegócio”, no qual o autor discorre sobre a literatura voltada ao tema da especialização regional do agronegócio e propõe discutir a dinâmica do setor sucroenergético nas áreas de ocupação recente, animada pela crescente demanda de etanol no mercado interno e açúcar no mercado externo na segunda metade da década de 2000, e seu nível de competitividade regional, no atual momento de austeridade.

16Por último, mas não menos importante, o capítulo 11, redigido por Vanderlei Braga, retoma a discussão sobre a tipologia e a topologia dos nós logísticos, com ênfase naqueles que atendem às demandas do grande agronegócio, nomeadamente portos e terminais de transbordo de carga das regiões Norte e Nordeste, como requisito fundamental para a competitividade geográfica do setor, intitulado “Nós logísticos do agronegócio no Brasil: o projeto Arco Norte”.

17Por fim, registramos nossos mais sinceros agradecimentos a Colegas e Instituições, sem os quais a elaboração e a publicação deste livro não teriam sido possíveis. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo financiamento das pesquisas mais recentes do Grupo, na forma de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de Bolsas de Estágio no Exterior (BEPE) para a Cardiff University (País de Gales) e Universität Innsbruck (Áustria); ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela aprovação de projeto no edital Ciências Humanas e na forma de Bolsas de Produtividade em Pesquisa; à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Comité Français d’Évaluation de la Coopération Universitaire et Scientifique avec le Brésil (COFECUB), pela aprovação de projeto em rede, envolvendo o Grupo da Unicamp, no âmbito da Rede de Pesquisas sobre Regiões Agrícolas (REAGRI), com diversas outras Universidades públicas brasileiras e francesas, em torno do tema das agriculturas empresariais, sobretudo no Brasil; ao Instituto de Geociências da Unicamp pelo apoio técnico, acadêmico, infraestrutural e institucional para o desenvolvimento das pesquisas; a outros órgãos da Unicamp, como o Comitê de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas e Sociais, a Comissão de Integridade em Pesquisa e a Câmara de Mediação, que desempenham um papel central na garantia de boas práticas de pesquisa. Finalmente, agradecemos à Mariana Nada pelo entusiasmado acolhimento da nossa proposta de publicação e pelas valiosas orientações na editoria do livro.

Sumário

18Apresentação

19Parte 1 circuitos espaciais produtivos, redes e território

20Capítulo 1 – Circuito espacial produtivo do leite fluido no Brasil: uma proposta de periodização, Lucas M. Guide & Ricardo Castillo

21Capítulo 2 – Competitividade regional do agronegócio sucroenergético no centro-sul do Brasil, Henrique Faria dos Santos & Mateus de Almeida Prado Sampaio

22Capítulo 3 – Uso do território e agronegócio bovino de corte: a dinâmica recente da exportação de carne brasileira, Glaycon Vinícios Antunes de Souza

23Parte 2 circuitos espaciais da economia agrária: convergências e contradições territoriais

24Capítulo 4 – Circuito inferior da economia agrária e logística dos pequenos: um estudo de caso a partir da Cooperativa de Produção e Comercialização da Reforma Agrária e Agricultura Familiar (COPCRAF), Heloísa Santos Molina Lopes

25Capítulo 5 – Os dois circuitos da economia agrária: uma proposição teórico-metodológica, Matheus Dezidério Busca

26Parte 3 finanças e informação

27Capítulo 6 – Imperativo Bieconômico, Land Grabbing e privatização da biodiversidade: considerações sobre a financeirização da terra e dos recursos naturais no Brasil, Marcel Petrocino Esteves

28Capítulo 7 – Neoliberalismo e Land Grabbing: uso do território e contradições políticas, Ernesto Etulain

29Capítulo 8 – Da fazenda ao garfo: o papel da informação no campo brasileiro globalizado, Mait Bertollo

30Parte 4 egionalização e agronegócio globalizado

31Capítulo 9 – Agronegócio globalizado e especialização regional produtiva: metodologias para análise das principais culturas de exportação no Brasil, André Rodrigo Farias & Ana Carolina Torelli Marquezini Faccin

32Capítulo 10 – Setor sucroenergético e uso do território: um panorama das áreas de fronteira na década de 2010, Fernando Mesquita

33Capítulo 11 – Nós logísticos do agronegócio no Brasil: os portos do Projeto Arco Norte, Vanderlei Braga

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Bibliographie

1 ELIAS, D. Agronegócio e novas regionalizações no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, vol. 13, n.º. 2, pp. 153-67, 2011.

2 SANTOS, M. O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. São Paulo, Edusp, 2004 [1978].

3 BECKER, B. Logística e nova configuração do território brasileiro: que geopolítica será possível? In: DINIZ, C. C. (org.). Políticas de desenvolvimento regional: desafios e perspectivas à luz das experiências da União Europeia e do Brasil. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 2007.

4 SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2000.

5 “(…) control of relatively vast tracts of land and other natural resources through a variety of mechanisms and forms involving large-scale capital that often shifts resource use to that of extraction, whether for international or domestic purposes, as capital’s response to the convergence of food, energy and financial crises (…)”. BORRAS

JR., S. M.; KAY, C.; GÓMEZ, S. & WILKINSON, J. Land grabbing and global capitalist accumulation: key features in Latin America. Canadian Journal of Development Studies, vol. 33, n.º 4, p. 405, 2012.

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Pour citer cet article

Référence électronique

Confins, « Agricultura e espaços globalizados  »Confins [En ligne], 62 | 2024, mis en ligne le 30 mars 2024, consulté le 22 mai 2024. URL : http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/56987 ; DOI : https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/confins.56987

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