Navigation – Plan du site

AccueilNuméros62As recentes falhas no gerenciamen...

As recentes falhas no gerenciamento de barragens de rejeito em Minas Gerais

The recent failures in the management of tailings dams in Minas Gerais
Failles récentes dans la gestion des barrages retenant des résidus miniers dans l’État de Minas Gerais
Guilherme Eduardo Macedo Cota et Antônio Pereira Magalhães Junior

Résumés

Les récentes failles dans la gestion des barrages retenant des résidus miniers dans l’état de Minas Gerais au Brésil ont soulevé plusieurs questions sur les lacunes de l'appareil législatif et du système de gestion des structures qui ont permis à de tels événements de se produire. Dans ce cadre, ce travail vise à enquêter, sur a base d'une revue bibliographique, les causes qui ont conduit aux événements de rupture du barrage B1 à Itabirito en 2014, du barrage Fundão à Mariana en 2015 et du barrage I à Brumadinho en 2019. Les résultats indiquent que les causes de ces ruptures sont liées à des lacunes dans le processus de délivrance des permis et autorisations des ouvrages, ainsi qu'au non-respect des manuels d'exploitation des barrages. En outre, le processus d'auto-surveillance des barrages dans l’état de Minas Gerais s'est avéré défectueux, principalement parce que les trois barrages retenus comme étude de cas avaient été déclarés stables et ont malgré tout cédé.

Haut de page

Texte intégral

  • 1 Apesar de os incidentes envolvendo barragens serem comumente referidos como “rompimento”, o trabalh (...)

1Apesar do constante avanço das técnicas de exploração mineral, que leva a uma menor degradação dos sistemas naturais, ainda persistem questionamentos acerca das implicações ambientais da atividade minerária, sobretudo no tocante aos impactos nos sistemas hídricos (Cota e Magalhães Júnior, 2021). Nesse sentido, a presença de barragens de rejeito de minério tem suscitado frequentes questionamentos, por parte de vários setores da sociedade, em decorrência dos eventos de falhas1 em barragens de rejeito de minério ocorridos nos últimos anos.

2Desde o ano 2000 já foram relatados oito casos de falhas de barragens de rejeito em Minas Gerais (Costa et al., 2016; Wise Uranium Project, 2019), sendo seis no Quadrilátero Ferrífero, principal província mineral do estado, e onde ocorreram os dois casos mais conhecidos, a saber: rompimento da barragem de Fundão em 2015 no município de Mariana, que é o maior desastre ambiental registrado no Brasil; e o rompimento da barragem I em Brumadinho no ano de 2019 que, por sua vez, se configura como o maior acidente de trabalho ocorrido em território nacional.

3Apesar de todo barramento apresentar um risco constitutivo de se romper, existem parâmetros legais que visam estabelecer critérios de segurança para as estruturas de contenção de rejeito de minério. Não obstante, a recorrência de casos de falhas no gerenciamento das estruturas historicamente em Minas Gerais revela lacunas nos processos legais e normativos que regem os empreendimentos minerários que, por sua vez, se reverberam em deficiências no sistema gestor dos barramentos (Costa et al., 2016; Cota et al., 2019; Cota E Magalhães Júnior, 2021).

4Um exemplo expoente dessas deficiências é o completo abandono de duas barragens com rejeitos de mineração de ouro pertencentes à empresa Mundo Mineração no município de Rio Acima, distante em poucos quilômetros da captação de Bela Fama, que corresponde ao principal manancial de abastecimento de Belo Horizonte. Soma-se a isso indícios da presença de outras barragens na mesma situação, ou seja, sem devida manutenção e monitoramento (Lemos, 2018; Cota e Magalhães Júnior, 2021).

5Consoante, o presente trabalho propõe investigar as lacunas nos processos legais e nas formas de gestão dos barramentos que ocasionaram as recentes falhas no gerenciamento de barragens de rejeito em Minas Gerais. Para tanto, são adotados como estudos de caso os eventos de falha ocorridos na barragem B1 em Itabirito no ano de 2014, na barragem de Fundão em Mariana no ano de 2015 e na barragem I em Brumadinho no ano de 2019.

6Assim, buscou-se sistematizar as causas destes eventos, dialogando com a literatura sobre as fragilidades do aparato normativo de segurança de barragens que permitiram que tais falhas ocorressem. Ademais, são exploradas as possibilidades de aperfeiçoamento dos processos de gestão dos barramentos que propicie uma maior segurança para as estruturas de contenção de rejeito.

Procedimentos metodológicos

7Para satisfazer os objetivos propostos, foi realizada uma ampla revisão bibliográfica acerca dos recentes casos de rompimento de barragens de rejeito de minério. Foram consultados documentos oficiais, pesquisas técnico-científicas e fontes de dados secundários que permitam uma contextualização da problemática envolvendo a segurança das estruturas destinadas à contenção de rejeito.

8A fonte principal para obtenção de informações sobre barragens é o Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM) que possibilita o acesso ao Cadastro Nacional de Barragens de Mineração feito pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Não obstante, as informações disponibilizadas pelo SIGBM são simplificadas, carecendo de outras informações básicas sobre os barramentos, sobretudo das estruturas que apresentaram algum tipo de falha.

9Consoante, para a investigação dos estudos de caso foram consultados estudos e relatórios técnicos sobre as causas de cada evento, a saber:

  • Para o rompimento da barragem B1 em Itabirito foi consultado o Plano Diretor da Herculano Mineração (Brandt, 2015).

  • Para o rompimento da barragem de Fundão em Mariana foram acessados o Relatório sobre as Causas Imediatas da Ruptura da Barragem de Fundão feito pelo Comitê de Especialistas para Análise da Ruptura da Barragem de Rejeitos de Fundão (Morgenstern et alii, 2016) e o documento intitulado “Força Tarefa Rio Doce” feito pelo Ministério Público Federal em conjunto com a Procuradoria da República nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo (MPF, 2016).

  • Para o rompimento da barragem I em Brumadinho foi consultado o Relatório de Análise de Acidente de Trabalho decorrente do rompimento da barragem I (Ministério da Economia, 2019) que foi elaborado Ministério da Economia em conjunto com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho que aponta as possíveis causas do rompimento, além do estudo de Milanez et alii (2019).

10A fundamentação dos fatores causais dos eventos de falhas de barragens e as lacunas legais tocantes à segurança das estruturas é de fundamental importância para a proposta do trabalho. Assim, a partir do levantamento das causas dos recentes eventos de falha, é problematizado a conjuntura legal que propiciou que tal evento ocorresse.

O rompimento da barragem B1 em Itabirito

11O rompimento da barragem B1 é um dos exemplos mais emblemáticos acerca da importância dos estudos técnicos e ambientais para o conhecimento das características hidrogeomorfológicas do terreno onde a estrutura será instalada.

12A barragem B1 pertence à Herculano Mineração Ltda. e se localiza no município de Itabirito. A estrutura faz parte do complexo minerário para extração de ferro da Mina Retiro do Sapecado, possuindo outras três barragens denominadas de B2, B3 e B4 (Figura 1).

Figura 1: Disposição das barragens que fazem parte da Mina Retiro do Sapecado.

Figura 1: Disposição das barragens que fazem parte da Mina Retiro do Sapecado.

Fonte: PAEBM das Barragens B1, B2 e B3, 2022.

13No dia 10 de setembro de 2014 o maciço da barragem B1 se rompeu parcialmente próximo a ombreira direita, permitindo que parte do material armazenado fosse lançado à jusante da barragem, atingindo as estruturas de B2 e B3 (sendo estas destinadas a armazenar apenas efluentes líquidos e rejeitos finos). A barragem B2 colapsou com a força do rejeito proveniente de B1, mas a barragem B3 colapsou apenas parcialmente, retendo parte do material, sendo que o restante galgou a estrutura em direção ao Ribeirão do Silva (Supram, 2014; 2016).

14Oito trabalhadores do complexo minerário ficaram soterrados pelo rompimento, dos quais cinco foram resgatados com vida. O rejeito percorreu cerca de 5 km ao longo do vale do Ribeirão do Silva (Hidrovia, 2015), causando danos à vegetação marginal ao curso d’água, bem como alterando as características físico-químicas da água, o que gerou impactos para a flora e biota aquática. Ademais, houve a paralisação da captação de água destinada ao Condomínio Villa Bella, localizado às margens da BR-040 (Supram, 2014; Ribeiro e Rezende, 2015).

15A investigação sobre a causa do rompimento revelou diversas irregularidades no gerenciamento da barragem que apresentam similaridades aos eventos ocorridos em Mariana e Brumadinho. A mineradora havia informado ao órgão ambiental estadual que a barragem B1 deixaria de ser utilizada após a construção da barragem B4, no entanto, continuou com o lançamento de rejeito na estrutura de B1 fazendo seu alteamento sem requerer processo de licenciamento ambiental, o que resultou no estabelecimento de autos de infração para a mineradora (Supram, 2014).

16Não obstante, o rompimento da barragem de B1 está associado à presença de dutos subterrâneos e requer uma compreensão das características hidrogeomorfológicas do local onde a mina está instalada. Esta se localiza no eixo central do Sinclinal Moeda, mais precisamente no interflúvio entre o Ribeirão do Silva e o Córrego do Benevides, ambos pertencentes à bacia do Rio Mata Porcos que, por sua vez, pertence à bacia do Rio das Velhas (Figura 2).

Figura 2: Perfil topográfico com a localização do interflúvio onde está inserida a Mina Retiro do Sapecado.

Figura 2: Perfil topográfico com a localização do interflúvio onde está inserida a Mina Retiro do Sapecado.

Fonte: Brandt, 2015.

17A barragem B4 é a única estrutura que se encontra na vertente do Córrego Benevides, enquanto as estruturas B1, B2 e B3 se encontram distribuídas uma a jusante da outra na vertente do Ribeirão do Silva (Figura 2). Assim, é possível pressupor que, ao menos superficialmente, não haja conexão direta entre a barragem B4 e as demais estruturas.

18O trabalho de investigação da empresa Brandt (2015) mostrou uma estreita relação entre a geologia local e o desastre ocorrido em 2014. A área do empreendimento é marcada pela ocorrência de rochas da formação Fecho do Funil, constituída localmente por filitos dolomíticos com ocorrências de lentes dolomíticas, explicando a presença de feições influenciadas pela dissolução geoquímica das rochas. Dentro do complexo minerário, a montante da barragem B1, há um local denominado de “Tanque Seco” (figuras 2 e 4) que corresponde a uma dolina, ou seja, uma feição cárstica marcada por processos químicos de dissolução da rocha.

19Ainda como relatado no referido trabalho, no dia 05 de abril de 2014, cerca de cinco meses antes do rompimento da estrutura de B1, os trabalhadores da mineradora perceberam tremores próximos ao local designado como “Tanque Seco” e relataram o surgimento de um vórtex (sumidouro) na barragem B4 onde foram drenados cerca de 300.000 m3 de água e 90.000 toneladas de rejeitos finos durante três horas. Os funcionários da mineradora buscaram locais de saída (ressurgências) para a água e para os rejeitos finos no dia do ocorrido e na semana seguinte, sem ter sucesso. Segundo o Plano Diretor da Herculano Mineração, a velocidade das águas no sumidouro era forte e diversos abatimentos foram sentidos no complexo minerário.

  • 2 A escala mR indica a magnitude regional de atenuação das ondas sísmicas na litosfera brasileira.

20Cinco sismos foram identificados pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) no intervalo próximo ao momento em que os trabalhadores da mina sentiram os tremores, mais precisamente entre 14:08 horas e 14:22 horas e com magnitude variando entre 1,8 e 2,7 na escala mR2. Ao ser consultado sobre tais eventos e informado sobre o vórtex na estrutura de B4, o Centro de Sismologia da USP elaborou um relatório técnico em que afirma que a forma como as ondas geradas pelos tremores foi registrada indicam sismos provenientes do movimento de falhas, e que o surgimento do vórtex seria por um abatimento consequente dos tremores e não a sua causa (Centro de Sismologia da USP, 2015; Seabra Junior e Brandt, 2015).

21Após o surgimento do vórtex foram iniciados estudos de geofísica e de sondagem da estrutura de B4 para determinar as causas do incidente. No entanto, antes que os estudos fossem concluídos, a barragem B1, localizada na outra vertente do interflúvio e sem conexão superficial com B4 colapsou. As investigações acerca da causa do rompimento revelaram um sistema cárstico expressivo sob as respectivas barragens, do qual a mineradora não tinha conhecimento (Figura 3).

Figura 3: Perfil das barragens B1 e B4 indicando a conexão das estruturas por dutos subterrâneos.

Figura 3: Perfil das barragens B1 e B4 indicando a conexão das estruturas por dutos subterrâneos.

Fonte: Brandt, 2015.

22A ocorrência de lentes de dolomito possibilitou a geração de dutos subterrâneos por meio do intemperismo químico subsuperficial. Consoante, o material que adentrou esses dutos a partir do vórtex atingiu a barragem B1, ocasionando a surgência de águas na base de seu talude e contribuindo para o seu rompimento.

23Em visita técnica, a consultoria contratada para elaborar o Plano Diretor da Herculano Mineração apontou o constante escoamento de água no eixo do talude que se rompeu, mesmo após o período de seca, o que corrobora a premissa de existência de canais subterrâneos conectados entre si (Brandt, 2015).

24A ocorrência de galerias subterrâneas formadas por desnudação geoquímica das rochas não é algo tão comum para o contexto do Quadrilátero Ferrífero, onde as bordas serranas são sustentadas principalmente por quartzitos e Formações Ferríferas Bandadas (itabiritos dolomíticos). É bastante conhecido que no Brasil os processos de carstificação podem ocorrer em diversos tipos de rochas sujeitas à dissolução, mas o carste tradicional tende a gerar feições mais desenvolvidas, estando associado a rochas carbonáticas devido à sua maior solubilidade nas condições geoambientais predominantes no país.

25Assim, apesar do estudo do carste em rochas carbonáticas permanecer na vanguarda das pesquisas, novos trabalhos já consideram estes processos em rochas siliciclásticas (como arenitos e quartzitos) e até mesmo em Formações Ferríferas Bandadas (Hardt e Pinto, 2009; Calux, 2013), desde que haja condições para que a dissolução geoquímica ocorra. Todavia, a presença de rochas carbonáticas (lentes de dolomito), particularmente na Formação Fecho do Funil, revelou um cenário bastante específico de endocarste sob as estruturas B1 e B4.

26Essa conjuntura não é comum para o contexto do Quadrilátero Ferrífero e pode não ter sido esperada, mas também pode ter sido minimizada no processo de concepção e instalação das barragens. Fotografias aéreas realizadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) na década de 1970 já apontavam para a existência de feições similares a dolinas na área, sendo muitas soterradas e/ou descaracterizadas atualmente com o estabelecimento do complexo minerário (Figura 4).

Figura 4: Fotografia aérea da década de 1970 et imagem de satélite

Figura 4: Fotografia aérea da década de 1970 et imagem de satélite

Mostrando a existência de feições cársticas na área do empreendimento da Mineração Herculano (1) e após a instalação das barragens, evidenciando a sobreposição das feições (2)

Fonte: Adaptado de Brandt (2015) e Google Earth Pro (2014).

27A conjuntura do rompimento da barragem B1 evidencia uma problemática acerca dos estudos ambientais que embasam os processos de licenciamento. O órgão ambiental é inerte quanto à elaboração dos estudos, sendo estes ficando a cargo das próprias mineradoras. Assim, não há como o órgão ambiental saber com precisão se os estudos elaborados contemplaram todos os aspectos do meio físico que envolvam as estruturas que serão instaladas em uma mina.

28Considerando o caso do rompimento da barragem de B1, fica claro a ausência de um estudo mais profundo sobre as condições hidrogeomorfológicas em que a barragem foi instalada, ou seja, não havia como o órgão ambiental ter conhecimento da formação de um sistema cárstico sob a barragem. Todavia, a legislação se ancora na prerrogativa de que as penalidades provenientes da omissão de informações nos estudos ambientais irão coibir tais atos, o que não se mostrou efetivo na prática.

O rompimento da barragem de fundão em Mariana

  • 3 O termo “joint venture” corresponde à união de duas ou mais empresas independentes juridicamente pa (...)

29No dia 05 de novembro de 2015 a barragem de Fundão pertencente à Samarco Mineração S.A. (joint venture3 entre Vale e BHP Billiton Brasil Ltda – subsidiária brasileira da anglo-australiana BHP Billiton) rompeu no município de Mariana, lançando cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos nas artérias fluviais subjacentes à estrutura (Feam, 2016), vitimando 19 pessoas.

30A barragem fazia parte do Complexo de Germano, que consistia também das barragens de Germano e de Santarém (Figura 5). Após o rompimento, foi gerada uma “onda de lama” que percorreu o fundo dos vales dos córregos do Fundão (onde estava localizada a barragem) e de Santarém, atingindo a barragem de Santarém sem, contudo, levar ao seu rompimento. Os rejeitos liberados somente danificaram o maciço da barragem de Santarém, galgando a estrutura.

Figura 5: Localização das barragens do Complexo de Germano.

Figura 5: Localização das barragens do Complexo de Germano.

Fonte: Feam, 2016.

31Os rejeitos continuaram fluindo em direção à jusante até chegar ao rio Gualaxo do Norte. A calha do curso d’água não conseguiu abarcar todo o rejeito proveniente do rompimento, que extravasou e atingiu suas áreas marginais, destruindo ou danificando as estruturas ali presentes. Nesse sentido, vale destacar que os subdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo (pertencentes ao município de Mariana) foram fortemente atingidos pela lama e ficaram praticamente destruídos (Figura 6).

Figura 6: Distrito de Bento Rodrigues após o rompimento da barragem de Fundão.

Figura 6: Distrito de Bento Rodrigues após o rompimento da barragem de Fundão.
  • 4 Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/acidente-em-mariana-o-maior-da-historia-com-barragens-de-rejeitos-18067899>. Acesso em: 22 de julho de 2019.

Fonte: Daniel Marenco - 06/11/2015 / Arquivo O Globo4

32Para compreender o desastre é necessário ter ciência que dois tipos de rejeitos eram lançados no barramento, a saber: rejeitos arenosos e lamosos (material de textura fina, similar à argila). Originalmente foi pensado o depósito das areias atrás do dique (praia de rejeitos) com largura de 200 metros para a drenagem da estrutura e para reter a lama que seria depositada, de modo a impedir a mistura dos diferentes tipos de rejeito. Após a construção do dique de partida, a estrutura seria alteada pelo método à montante para aumentar sua capacidade de armazenamento.

33Durante a operação da barragem de Fundão houve uma série de eventos prévios. Em 2009, logo após a construção do dique de partida, o talude de jusante do dique 1 apresentou indícios de erosão interna ou processo de piping, o que deriva de falhas graves na construção dos drenos de fundo que, posteriormente, foram selados. Para substituí-los foi adicionado um tapete drenante na superfície dos rejeitos que, por sua vez, permitiria o alteamento da estrutura. Todavia, como o dreno de fundo estava inoperante, o rejeito arenoso já se encontrava saturado abaixo do tapete drenante e pode ter sido um dos fatores potenciais para a liquefação da areia.

34No projeto do barramento era essencial que o rejeito arenoso drenasse livremente a água, ou seja, a lama de baixa permeabilidade não poderia impedir esta drenagem. Não obstante, durante 2011 e 2012 o lançamento de lama e água na barragem tornou difícil o controle da largura da praia de rejeitos, que chegou a ficar a uma distância de 60 metros da crista, contrariando a largura mínima de 200 metros.

  • 5 (A) Presença da praia de rejeitos com 300 metros de largura destacando o limite crítico entre lama (...)

35Uma série problemas relacionados à drenagem da estrutura ocorreu a partir de 2010, sendo que em 2012 uma galeria secundária localizada na ombreira esquerda estava comprometida e não podia suportar mais alteamentos. Assim, foi feito um recuo da crista da barragem (Figura 75.) para a parte detrás da galeria, de modo a permitir novos alteamentos. Com isso, a crista ficou mais próxima ou até mesmo acima da água e da lama depositada.

Figura 7: Variação da largura da praia de rejeitos e recuo da crista da barragem

Fonte: Carmo et alii (2017) adaptado de Google Earth.

36A partir de então começaram a surgir sequencialmente surgências na estrutura, evidenciando problemas de drenagem. O constante alteamento da barragem aumentou a carga sobre a lama. Esse processo levou à compressão da lama e uma deformação lateral que variou a tensão nas areias e possibilitou que ficassem saturadas, gerando diversas trincas na estrutura e fornecendo condições para que o processo de liquefação e deslizamento de fluido ocorresse (Figura 8).

Figura 8: Barragem de Fundão antes (a) e após (b) o seu rompimento.

Fonte: Morgenstern et alii, 2016.

37O rompimento da barragem de Fundão, portanto, decorreu de uma série de fatores operacionais da estrutura, envolvendo problemas no dreno de fundo que levaram à alteração do projeto inicial do barramento e consequentemente à saturação dos rejeitos acumulados, deposição de lama em áreas não previstas e alteamento da barragem sobre a lama.

38Consoante, a falha da estrutura revelou uma série de problemáticas legais e normativas que permeiam o gerenciamento de barragens de rejeito de minério em Minas Gerais. Diversos estudos apontam para um conjunto de problemas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da barragem de Fundão.

39A primeira questão é o fato de terem sido apresentados três EIAs aos órgãos ambientais durante a construção e operação da barragem, em 2005, 2012 e 2013. Isso faz parte de uma estratégia de fragmentação do processo de licenciamento, em que cada obra ou alteração na estrutura da barragem suscita um novo EIA com novas informações sobre programas de mitigação, compensação e monitoramento, sem uma discussão ampla sobre a exploração mineral e sua área de influência. Este contexto dificulta o controle e a participação social em audiências públicas (Wanderley et alii, 2016; Saraiva e Ferreira, 2018).

40Essa fragmentação do processo de licenciamento, por sua vez, foi limitada após a instituição da Lei Estadual n° 23.291/2019, que exigiu, para obtenção do Licenciamento Prévio, o estabelecimento da cota máxima que as barragens podem alcançar após os alteamentos. Assim, desde o projeto inicial da estrutura já é possível ter dimensão do volume que será armazenado e também da mancha de inundação que será gerada quando a barragem estiver com a capacidade máxima. Este aspecto é de extrema relevância, pois desde o início das operações a população potencialmente atingida passa a ter ciência da presença da estrutura, e não somente à medida que a barragem for sendo alteada e área de impacto aumentada a cada alteamento realizado.

41Costa et alii (2016, p. 108) destaca as alternativas locacionais apresentadas para a construção de barragens como “meramente burocrática nos EIAs, fazendo com que essa etapa funcione como uma legitimação do local previamente escolhido pela empresa, ante possibilidades absurdas e/ou improváveis”. No caso da barragem de Fundão, as alternativas locacionais apresentadas compreendiam o vale do córrego da Natividade (descartado por possuir uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - unidade de conservação de proteção integral – além de aspectos arqueológicos) e o vale do córrego Brumado (descartado por já prever uma futura barragem e apresentar maior custo de implantação) (Wanderley et alii, 2016). Em ambas as alternativas o impacto sobre o subdistrito de Bento Rodrigues (completamente destruído pelo rompimento da barragem) seria menor. Caso a barragem estivesse no córrego da Natividade, por exemplo, Bento Rodrigues não estaria na rota da lama (Wanderley et alii, 2016).

42O fato da barragem de Fundão estar inserida em um sistema de drenagem com outros barramentos já estabelecidos foi considerado um aspecto positivo para o licenciamento e permitiria uma futura conexão com a barragem de Germano (Brandt, 2005). Deste modo, foi desconsiderando a complexidade espacial de onde a estrutura foi instalada, já que em caso de rompimento os rejeitos atingiriam outra barragem, podendo gerar um efeito em cascata.

43Um dos requisitos básicos para barragens de rejeito de minério é a modelagem espacial dos rejeitos em caso de rompimento, algo inexistente no EIA da barragem de Fundão (Costa et alii, 2016). Outro aspecto a se destacar é a ausência de sirenes ou avisos luminosos na comunidade de Bento Rodrigues para sinalizar um possível evento de rompimento, o que evidencia uma falha grave no Plano de Ação Emergencial da estrutura (MPF, 2016).

44O EIA considerou apenas as áreas vizinhas do empreendimento no estudo, citando Bento Rodrigues como a única comunidade próxima à Bento Rodrigues (MPF, 2016). Esse dado se mostrou completamente falho, tendo em vista que o rompimento não atingiu somente Bento Rodrigues, mas também Paracatu de Baixo, Gesteira e Barra Longa. Além disso, outros danos socioambientais foram negligenciados, como o fato de o rejeito percorrer mais de 650 km de calha ao longo da bacia do Rio Doce até o oceano Atlântico, gerando impactos não só no curso d’água, como também em ambiente marinho (Andrades et alii, 2020).

45É notório, portanto, que o EIA apresentava um estudo obsoleto e com diversos problemas (Costa et alii, 2016; MPF, 2016; Saraiva e Ferreira, 2018), desconsiderando os reais impactos da instalação da barragem, o que gera o questionamento acerca de como um estudo para implementação de um empreendimento classe III (alto potencial de dano ambiental) com tantas falhas e erros foi aprovado pelo órgão ambiental.

46Nesse sentido, vale destacar que o Manual de Operações do barramento presente na Licença de Instalação não foi respeitado, sendo este um dos aspectos fundamentais que levaram ao colapso da estrutura. O gerenciamento da lama na barragem, por exemplo, não respeitou o manual de operações, misturando o material arenoso com a lama e não respeitando o limite mínimo de 200 metros da praia de rejeitos (MPF, 2016).

47De acordo com o Ministério Público Federal (MPF, 2016), o lançamento de rejeitos provenientes da usina de Alegria pela Vale não estava presente no EIA, nos Relatórios Anuais de Lavra e nos Planos de Aproveitamento Econômico. Ou seja, tanto o órgão ambiental quanto a entidade fiscalizadora das barragens não tinham conhecimento deste procedimento que, segundo o Ministério Público Federal (MPF, 2016) contribuiu para a perda de controle na separação dos diferentes tipos de rejeito na barragem. Surpreende o fato de, mesmo com todas essas inconformidades, a barragem de Fundão ter a estabilidade garantida pelo auditor um ano antes do rompimento (Feam, 2014), o que revela falhas gravíssimas no sistema de licenciamento, controle e fiscalização da estrutura.

O rompimento da barragem I em Brumadinho

48No dia 25 de janeiro de 2019, pouco mais de três anos após o rompimento da barragem de Fundão, se rompe em Brumadinho a barragem I da mina Córrego do Feijão. A estrutura pertencia à Vale S.A. e iniciou suas operações em 1976, atingindo em 2019 uma altura de 86 metros com 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos armazenados (Milanez e Felippe, 2021).

49Se o rompimento da barragem de Fundão configura-se como o maior desastre ambiental já registrado no Brasil, o rompimento da barragem I é certamente o maior acidente de trabalho ocorrido em território nacional (Almeida et alii 2019), vitimando 270 pessoas, em sua grande maioria funcionários da Vale S.A. e de uma empresa terceirizada. O alto número de mortes deriva do fato de escritórios e o restaurante da Vale S.A. estarem localizados a menos de 1,0 km a jusante da estrutura (Felippe et alii, 2021), não havendo tempo hábil para a evacuação no caso de rompimento (Figura 9).

Figura 9: Localização da barragem I e das estruturas que fazem parte do Complexo Paraopeba II.

Figura 9: Localização da barragem I e das estruturas que fazem parte do Complexo Paraopeba II.
  • 6 Disponível em: <https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/02/01/video-mostra-o-momento-exato-em-que-barragem-da-vale-rompe-em-brumadinho.ghtml>. Acesso em: 15 fev. 2022

Fonte: Juliane Souza; Gil de Carvalho – 01/02/2019 / Arquivo G16

50A mina do córrego do Feijão, juntamente com a mina da Jangada, faz parte do Complexo Paraopeba II que, por sua vez, apresentava uma série de estruturas para contenção de rejeitos além da barragem I. Como parte dos barramentos estava localizada no mesmo vale fluvial, o rompimento da barragem I gerou um efeito “cascata”, com o rompimento das barragens IV e IV-A. Assim, o rejeito percorreu o ribeirão Ferro-Carvão até atingir o Rio Paraopeba.

51Os aspectos que levaram ao rompimento da barragem I (Figura 9) são transversais as problemáticas encontradas na barragem de Fundão, sobretudo no tocante aos critérios operacionais da estrutura. Inicialmente vale apontar que três barragens do Complexo Paraopeba (Barragem IV, Barragem IV-A e Menezes I) apresentaram ao longo de 2011 e 2013 estabilidade não garantida pelo auditor. Este aspecto demostra o histórico de problemas relacionados a estabilidade das estruturas que estavam presentes nos relatórios apresentados pelas auditorias (Milanez et alii, 2019; Santos et alii, 2021).

Figura 10: Imagem do momento do rompimento da barragem I.

Figura 10: Imagem do momento do rompimento da barragem I.
  • 7 Disponível em: <https://veja.abril.com.br/brasil/videos-mostram-rompimento-da-barragem-de-brumadinho-por-diferentes-angulos/>. Acesso em: 15 fev. 2022.

Fonte: Redação – 01/02/2019 / Arquivo Veja7 via TV Globo/Reprodução.

52A barragem I apresentava problemas relacionados à drenagem da estrutura, com surgências no maciço e possibilidade de liquefação. Havia ainda problemas relacionados a canaleta de drenagem superficial devido ao pisoteio de gado e/ou presença de vegetação, bem como diversas anomalias na estrutura, como deformações e trincas no talude do barramento. Isso indica pouco cuidado e manutenção precária da barragem (Ministério da Economia, 2019; Botelho et alii, 2021; Wanderley e Milanez, 2021).

53A largura mínima de 150 metros da praia de rejeitos não foi respeitada em diversos momentos da operação do barramento, que apresentava um sistema de drenagem insuficiente, com relatórios de auditorias contratadas indicando a ausência de drenagem interna no dique de partida. Consequentemente, a linha freática no interior da estrutura estava alta e as ações adotadas para o seu rebaixamento incluíam a instalação de Drenos Horizontais Profundos (DHP) que não foram efetivos e geraram uma fratura hidráulica no dique de partida (Ministério da Economia, 2019). Assim, não houve solução para o problema do nível freático elevado, o que manteve o fator de segurança da estrutura baixo.

54A disposição de rejeitos finos próximos aos diques também prejudicou a drenagem e favoreceu a elevação da linha freática, fazendo com que a água permanecesse em contato com os diques de alteamento, o que gerou uma saturação e contribuiu para que o processo de liquefação ocorresse (Milanez et alii, 2019; Ministério da Economia, 2019).

55Não havia Plano de Emergência para a mina Córrego do Feijão, e o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM) apresentava irregularidades, não sendo acionado em diversos momentos quando a barragem I esteve em situação de emergência. Assim como ocorreu no rompimento da barragem de Fundão, a população que se encontrava na Zona de Autossalvamento não foi informada do rompimento da estrutura, ou seja, o sistema de alerta por meio de sirenes não foi acionado. Consoante, é importante destacar que a Vale S.A. tinha conhecimento que em caso de rompimento não haveria tempo hábil para a fuga das pessoas que se encontravam no refeitório e nos escritórios mesmo que fossem alertadas, não tomando nenhuma atitude para realocar estas estruturas (Ministério da Economia, 2019).

56É perceptível que os problemas operacionais que levaram ao rompimento da barragem I se assemelham aos encontrados no rompimento da barragem de Fundão. No entanto, um aspecto a se destacar referente à estrutura de Brumadinho diz respeito à atuação das consultorias para atestar a estabilidade do barramento.

57O estudo de estabilidade de barragens necessita da definição de Fatores de Segurança (FS) que, por sua vez, são determinados de acordo com referências normativas ou metodologias já adotadas. Distorções no cálculo do Fator de Segurança da barragem I permitiram a emissão da Declaração de Estabilidade da Estrutura. Quando em 2018 o fator de segurança encontrado de 1,09 foi menor que o recomendado (que é de 1,3), a consultoria contratada utilizou um estudo desconhecido para reduzir o fator de segurança mínimo aceitável para 1,05 (Ministério da Economia, 2019). Ademais, a Vale S.A. desconhecia as características pedogeomorfológicas da fundação da estrutura, o que tornava os relatórios das empresas de consultoria não confiáveis.

58Uma crítica a se destacar, dado este contexto, envolve a confiança que a legislação deposita nas mineradoras. Acredita-se na “boa fé” dos estudos realizados, das consultorias contratadas e no receio de penalidades caso haja algum descumprimento das normas pré-estabelecidas ou omissão de informações. Não obstante, Sampaio (2016, p. 15) ressalta que essa confiança nas mineradoras “pode cobrar um alto preço em perdas humanas, ambientais e econômicas”. Essa problemática fica evidente nos casos de rompimento da barragem I e da barragem de Fundão, que foram declaradas como estáveis, mesmo diante de diversos problemas, e se romperam.

Considerações finais

59Os eventos de falhas de barragens ocorridos em Mariana, Brumadinho e Itabirito revelaram uma série de deficiências nos estudos ambientais que embasam os processos de licenciamento e os instrumentos de comando e controle que visam garantir a estabilidade das barragens.

60Tendo em vista que são as próprias mineradoras que elaboram os estudos ambientais e de viabilidade técnica para instalação de barragens, não há uma investigação direta por parte dos órgãos ambientais quanto à veracidade destes estudos ou se algum aspecto relevante deixou de ser considerado. No caso específico do rompimento da barragem B1 da Mina Retiro do Sapecado em Itabirito, suas causas se relacionam a condições geológicas bastante específicas do contexto de onde a mina estava instalada, do qual a mineradora não tinha conhecimento até o rompimento.

61Ademais, em todos os casos houve desconhecimento e/ou omissão de informações sobre problemas nas estruturas aos órgãos fiscalizadores. Um exemplo disso é que todas as barragens estavam declaradas como estáveis até o rompimento. Isso revela uma problemática entorno da “boa fé” que a legislação deposita nas mineradoras acerca dos dados e informações de segurança que as próprias empresas produzem. Esse sistema de automonitoramento tem se mostrado falho e permitido que as mineradoras continuem operando estruturas que apresentem falhas e/ou condições de insegurança.

62Consoante, além de repensar o modelo de automonitoramento das barragens pelas mineradoras, é necessário tornar o processo de licenciamento ambiental mais rígido e criterioso, de modo a garantir que as mineradoras cumpram o que ali for estabelecido e impedir que situações como as que ocorreram em Mariana e Brumadinho, quando não foram respeitados os manuais de operações das barragens, voltem a ocorrer.

Agradecimentos

63Os autores agradecem à CAPES pela bolsa de doutorado e ao Grupo de Pesquisa RIVUS (Geomorfologia e Recursos Hídricos – CNPq/UFMG).

Haut de page

Bibliographie

ALMEIDA, I. M. et alii. Origens históricas e organizacionais do desastre da barragem do Córrego do Feijão. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 17, n. 1, p. 13-20, 2019.

DOI: 10.5327/Z1679443520190415

ANDRADES, R. et alii. Early evidences of niche shifts in estuarine fishes following one of the world's largest mining dam disasters. Marine Pollution Bulletin, v. 154, p. 1-5, 2020.

DOI: 10.1016/j.marpolbul.2020.111073

BOTELHO, M. R. et alii. Rompimento das barragens de Fundão e da Mina do Córrego do Feijão em Minas Gerais, Brasil: decisões organizacionais não tomadas e lições não aprendidas. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 46, p. 1-11, 2021.

DOI: 10.1590/2317-6369000018519

BRANDT. Estudo de Impacto Ambiental - EIA Barragem de rejeito do Fundão. Samarco Mineração S.A. Nova Lima: Brandt Meio Ambiente, 2005.

BRANDT. Plano Diretor. Herculano Mineração. Nova Lima: Brandt Meio Ambiente, 2015. 264 p.

CALUX, A. S. Gênese e desenvolvimento de cavidades naturais subterrâneas em formação ferrífera no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. 2013. 218 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2018.

CENTRO DE SISMOLOGIA DA USP. Relatório Técnico - Tremores de 05/04/2014 na Mineração Herculano, Itabirito, MG. Departamento de Geofísica, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas. 2015. 5 p.

COSTA, A. et alii. Licenciamento Ambiental de Grandes Empreendimentos Minerários: dos alarmes que ninguém escuta à tragédia no Rio Doce. Revista Geografias, v. 1, n. Edição Especial Vale do Rio Doce, p. 95-113, 2016.

DOI: 10.35699/2237-549X..13469

COTA, G. E. M.; MAGALHÃES JÚNIOR, A. P. Panorama das barragens de rejeito de minério no Quadrilátero Ferrífero (MG) e suas implicações para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG. GeoTextos, v. 17, n. 1, p. 203-225, 2021.

DOI: 10.9771/geo.v17i1.44386

COTA, G. E. M. et alii. Aspectos legais da segurança de barragens de rejeito de minério: implicações para a qualidade ambiental e usos múltiplos da água no alto Rio das Velhas (MG). GEOgraphia, v. 21, n. 45, p. 31-46, 2019.

DOI: 10.22409/GEOgraphia2019.v21i45.a14478

FEAM - FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE. Lista de Barragens. 2014. Disponível em: <http://www.feam.br/gestao-de-barragens/inventario-de-barragens>. Acesso em: 20 mar. 2022.

FEAM - FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE. Inventário de Barragem do Estado de Minas Gerais - Ano 2015. Publicado em 2016. 54 p. Disponível em: <http://www.feam.br/gestao-de-barragens/inventario-de-barragens>. Acesso em: 20 mar. 2022.

FELIPPE, M. F. et alii. O desastre ambiental da Vale S.A. na bacia do rio Paraopeba e o fazer acadêmico: estamos no caminho certo? In: MILANEZ, B.; FELIPPE, M. F. (Org.). Minas esgotada: antecedentes e impactos do desastre da Vale na Bacia do Paraopeba. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2021. p. 12-20.

HARDT, R.; PINTO, S. A. F. Carste em litologias não carbonáticas. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 10, n. 2, p.99-105, 2009.

DOI: 10.20502/rbg.v10i2.134

LEMOS, R. S. A integração da Gestão Territorial a partir da política das águas. 2018. 251 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2018.

MILANEZ, B.; FELIPPE, M. F. (Org.). Minas esgotada: antecedentes e impactos do desastre da Vale na Bacia do Paraopeba. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2021. 136 p.

MILANEZ, B. et alii. Minas não há mais: avaliação dos aspectos econômicos e institucionais do desastre da Vale na bacia do rio Paraopeba. Versos – Textos para Discussão PoEMAS, v. 3, n. 1, p. 1-114, 2019.

MINISTÉRIO DA ECONOMIA. Relatório de Análise de Acidente de Trabalho. Rompimento da barragem B I da Vale S.A. em Brumadinho/MG em 25/01/2019. Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Secretaria do Trabalho/Subsecretaria de Inspeção do Trabalho. Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais. SEGUR - Seção de Segurança e Saúde do Trabalhador. [S.l.]: [s.n.], 2019. 237 p. Disponível em: <https://sinait.org.br/docs/305346580-relatorio_bi_-_a_corpo_assinado.pdf>. Acesso em: 10 de fev. 2022.

MORGENSTERN, N. R. et alii. Comitê de Especialistas para Análise da Ruptura da Barragem de Rejeitos de Fundão - Relatório sobre as Causas Imediatas da Ruptura da Barragem de Fundão. [S.l.]: [s.n.], 2016. 83 p. Disponível em: <https://www.fundacaorenova.org/wp-content/uploads/2017/10/relatorio-sobre-as-causas-imediatas-da-ruptura-da-barragem-de-fundao.pdf>. Acesso em: 15 de mar. 2022.

MPF - Ministério Público Federal. Força Tarefa Rio Doce. Procuradoria da República nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo - Denúncia. 2016. 272 p. Disponível em: <http://www.mpf.mp.br/mg/sala-de-imprensa/docs/denuncia-samarco> Acesso em: 10 fev. 2022.

PAEBM DAS BARRAGENS B1, B2, B3 E B4. Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração. Herculano Mineração. Volume I. Geomil – Serviços de Mineração Ltda. 2022. 83 p.

RIBEIRO, L. G. G.; REZENDE, E. N. Mina do Engenho: rompimento de barragem. Homicídio como crime ambiental: uma teratológica acepção de Direito Penal? Revista Direito Ambiental e Sociedade, v. 5, n. 1, p. 7-27, 2015.

DOI: 10.5216/rfd.v39i2.35412

SANTOS, R. S. P. et alii. O Complexo Paraopeba II: estrutura e condições de operação. In: MILANEZ, B.; FELIPPE, M. F. (Org.). Minas esgotada: antecedentes e impactos do desastre da Vale na Bacia do Paraopeba. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2021. p. 47-55.

SAMPAIO, J. A. L. As deficiências do Plano de Ação Emergencial de barragens no Brasil. Revista Brasileira de Direito, v. 12, n. 2, p. 7-17, 2016.

DOI: 10.18256/2238-0604/revistadedireito.v12n2p7-17

SARAIVA, C. M.; FERREIRA, P. T. M. A Lama da Samarco e o Crime Corporativo: uma reflexão necessária. Administração Pública e Gestão Social, v. 9, n. 2, p. 75-83, 2018.

DOI: 10.21118/apgs.v0i0.5150

SEABRA JUNIOR, A. A.; BRANDT, W. Os estudos de paleosismicidade como ferramenta de gestão de riscos: evidências, literatura e futuro. Arquivos do Mudeu de História Natural e Jardim Botânico, v. 24, n. 1/2, p. 44-62, 2015.

SUPRAM - Superintendência Regional de Meio Ambiente Central Metropolitana. Parecer Único nº 211/2014. Protocolo SIAM: 1165006/2014. 2014. 10 p.

SUPRAM - Superintendência Regional de Meio Ambiente Central Metropolitana. Parecer Único nº 344/2016. Protocolo SIAM: 0969354/2016. 2016. 109 p.

WANDERLEY, L. J. et alii. Avaliação dos antecedentes econômicos, sociais e institucionais do rompimento da barragem de rejeito da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG). In: MILANEZ, B.; LOSEKANN, C. (Org.). Desastre no Vale do Rio Doce: antecedentes, impactos e ações sobre a destruição. Rio de Janeiro: Folio Digital – Letra e Imagem, 2016. p. 39-86.

WANDERLEY, L. J.; MILANEZ, B. Notícias de uma trajédia anunciada: antecedentes e o contexto do rompimento da barragem I da Vale S.A. In: MILANEZ, B.; FELIPPE, M. F. (Org.). Minas esgotada: antecedentes e impactos do desastre da Vale na Bacia do Paraopeba. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2021. p. 56-68.

WISE URANIUM PROJECT. Chronology of major tailings dam failures. Disponível em: <https://www.wise-uranium.org/mdaf.html>. Acesso em: 02 fev. 2021.

Haut de page

Notes

1 Apesar de os incidentes envolvendo barragens serem comumente referidos como “rompimento”, o trabalho adota o termo “falha” no contexto do gerenciamento das estruturas, já que abrange outras possibilidades de vazamento de rejeitos que não envolvam necessariamente o colapso do maciço da barragem, assim como ocorre nos eventos de galgamento do rejeito (overtopping).

2 A escala mR indica a magnitude regional de atenuação das ondas sísmicas na litosfera brasileira.

3 O termo “joint venture” corresponde à união de duas ou mais empresas independentes juridicamente para formar uma nova empresa, tendo o objetivo de praticar uma atividade econômica comum (Wanderley et alii, 2016).

4 Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/acidente-em-mariana-o-maior-da-historia-com-barragens-de-rejeitos-18067899>. Acesso em: 22 de julho de 2019.

5 (A) Presença da praia de rejeitos com 300 metros de largura destacando o limite crítico entre lama e areia (linha laranja); (B) Recuo da crista da barragem; (C) Limite crítico do contato entre areia e lama próximos ou no contato com a crista da barragem.

6 Disponível em: <https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/02/01/video-mostra-o-momento-exato-em-que-barragem-da-vale-rompe-em-brumadinho.ghtml>. Acesso em: 15 fev. 2022

7 Disponível em: <https://veja.abril.com.br/brasil/videos-mostram-rompimento-da-barragem-de-brumadinho-por-diferentes-angulos/>. Acesso em: 15 fev. 2022.

Haut de page

Table des illustrations

Titre Figura 1: Disposição das barragens que fazem parte da Mina Retiro do Sapecado.
Crédits Fonte: PAEBM das Barragens B1, B2 e B3, 2022.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-1.png
Fichier image/png, 4,0M
Titre Figura 2: Perfil topográfico com a localização do interflúvio onde está inserida a Mina Retiro do Sapecado.
Crédits Fonte: Brandt, 2015.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-2.jpg
Fichier image/jpeg, 88k
Titre Figura 3: Perfil das barragens B1 e B4 indicando a conexão das estruturas por dutos subterrâneos.
Crédits Fonte: Brandt, 2015.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-3.jpg
Fichier image/jpeg, 69k
Titre Figura 4: Fotografia aérea da década de 1970 et imagem de satélite
Légende Mostrando a existência de feições cársticas na área do empreendimento da Mineração Herculano (1) e após a instalação das barragens, evidenciando a sobreposição das feições (2)
Crédits Fonte: Adaptado de Brandt (2015) e Google Earth Pro (2014).
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-4.jpg
Fichier image/jpeg, 670k
Titre Figura 5: Localização das barragens do Complexo de Germano.
Crédits Fonte: Feam, 2016.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-5.png
Fichier image/png, 879k
Titre Figura 6: Distrito de Bento Rodrigues após o rompimento da barragem de Fundão.
Crédits Fonte: Daniel Marenco - 06/11/2015 / Arquivo O Globo4
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-6.png
Fichier image/png, 645k
Crédits Fonte: Carmo et alii (2017) adaptado de Google Earth.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-8.png
Fichier image/png, 1010k
Crédits Fonte: Morgenstern et alii, 2016.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-10.png
Fichier image/png, 494k
Titre Figura 9: Localização da barragem I e das estruturas que fazem parte do Complexo Paraopeba II.
Crédits Fonte: Juliane Souza; Gil de Carvalho – 01/02/2019 / Arquivo G16
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-11.png
Fichier image/png, 1,6M
Titre Figura 10: Imagem do momento do rompimento da barragem I.
Crédits Fonte: Redação – 01/02/2019 / Arquivo Veja7 via TV Globo/Reprodução.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56590/img-12.png
Fichier image/png, 597k
Haut de page

Pour citer cet article

Référence électronique

Guilherme Eduardo Macedo Cota et Antônio Pereira Magalhães Junior , « As recentes falhas no gerenciamento de barragens de rejeito em Minas Gerais »Confins [En ligne], 62 | 2024, mis en ligne le 21 avril 2024, consulté le 15 juin 2024. URL : http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/56590 ; DOI : https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/confins.56590

Haut de page

Droits d’auteur

CC-BY-NC-SA-4.0

Le texte seul est utilisable sous licence CC BY-NC-SA 4.0. Les autres éléments (illustrations, fichiers annexes importés) sont « Tous droits réservés », sauf mention contraire.

Haut de page
Search OpenEdition Search

You will be redirected to OpenEdition Search