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Grandes empreendimentos agroindustriais e evolução de indicadores socioeconômicos: o caso do Polígono Canavieiro Paulista

Grands projets agro-industriels et transformations urbaines: le cas de Polygone de canne à sucre de São Paulo
Large agro-industrial enterprises and evolution of socioeconomic indicators: the case of the São Paulo Sugarcane Polygon
João Jaime de Carvalho Almeida Filho, Jonathas Magalhães Pereira da Silva et Marcos Roberto Martines

Résumés

L'article examine l'évolution des indicateurs socio-économiques et démographiques survenus dans les municipalités de l'intérieur de São Paulo, entre 1975 et 2018, une période coïncidant avec l'expansion et la consolidation du secteur de sucre-énergie, qui utilise près de la moitié des terres agricoles sur ce territoire et installe des usines de canne à sucre dans plus d'un tiers des municipalités de ce que nous appelons Polígono Canavieiro Paulista ou Polygone de la Canne à Sucre de São Paulo. Prétendument générateur de croissance économique, le phénomène pose une question : charges et primes se traduisent-elles par un bilan positif pour la commune où sont implantées les usines de canne à sucre ? Le présent travail aborde cette question en comparant des indicateurs entre groupes de communes avec ou sans présence de usines de la canne à sucre et en spatialisant les résultats. Une tentative est faite pour vérifier l'influence des usines aux niveaux municipal et régional et, dans les municipalités avec usines de canne à sucre, il y a une différenciation discrète, positive et constante quant à l'évolution des indicateurs. Enfin, la recherche nous permet conclure que, par la présence du secteur sucre-énergie, dans la période étudiée, les inégalités s'accentuent entre les communes de São Paulo.

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Texte intégral

1O artigo examina a evolução de indicadores socioeconômicos e demográficos ocorridos nos municípios do interior paulista, entre 1975 e 2018, período coincidente com a expansão e consolidação do setor sucroenergético, que utiliza quase metade das terras agriculturáveis deste território e instala usinas em mais de um terço dos municípios do que chamamos Polígono Canavieiro Paulista. Supostamente gerador de crescimento econômico, o fenômeno implica uma questão: ônus e bônus resultam em saldo positivo ao município onde se instalam usinas? O presente trabalho se debruça sobre essa pergunta, comparando indicadores entre grupos de municípios com ou sem a presença de usinas e espacializando resultados. Procura-se verificar a influência das usinas no âmbito municipal e regional e constata-se, nos municípios com usinas, uma discreta, positiva e constante diferenciação quanto à evolução dos indicadores. Por fim, a pesquisa permite concluir que, a partir da presença do setor sucroenergético, no período estudado, se acentuam desigualdades entre os municípios paulistas.

2A industrialização da agricultura no Brasil representa uma mudança qualitativa fundamental ao longo do processo de transformação da sua base técnica. Em especial nos anos 1970, estabelecem-se os complexos agroindustriais com a integração da indústria, da agricultura (agroindustrial processadora) e as políticas governamentais específicas para esse setor (Silva, 1993). Neste contexto, Santos (1996) estabelece o conceito de “cidades do campo”, que sucedem as “cidades no campo”, como sendo:

quando o sistema urbano é modificado pela presença de indústrias agrícolas não urbanas, frequentemente firmas hegemônicas, dotadas não só de capacidade extremamente grande de adaptação à conjuntura, como também da força de transformação da estrutura, porque têm o poder da mudança tecnológica e transformação institucional (Santos, 1996. PG. 56).

3Tal modificação traz, entre outras transformações, o fato de que a cidade passa a ser o lócus da regulação do que ocorre no campo. Os notáveis deixam de ser as autoridades civis e religiosas, que cedem lugar a profissionais das ciências agrárias e executivos do agronegócio, enquanto os trabalhadores do campo, tanto a mão de obra mais vulnerável – os boias-frias, em processo de redução – quanto os mais qualificados técnicos agrícolas passam a residir na cidade, que deixa, como assim chamou Santos, de ser a cidade no campo, para ser a cidade do campo.

4Elias (2012) se debruça sobre o tema e apresenta o conceito de Regiões Produtivas Agrícolas (RPAs) como:

os novos arranjos territoriais produtivos agrícolas, os territórios das redes agroindustriais, ou seja, os territórios produtivos do agronegócio, escolhidos para receber os mais expressivos investimentos produtivos inerentes ao agronegócio globalizado, representando suas áreas mais competitivas, nelas encontram-se partes dos circuitos espaciais da produção e círculos de cooperação de importantes commodities agrícolas, evidenciando a dinâmica territorial do agronegócio Elias (2012, pg. 3).

5Neste sentido, existe uma parcela do interior do estado de São Paulo que se articula como um RPA do setor sucroenergético, já que as especificidades da agroindústria, as grandes instalações industriais, se encaixam no conceito de grandes empreendimentos, formulado por Vainer (2012), que são aqueles que geram rupturas institucionais, urbanísticas, legais, políticas, simbólicas, escalares e na dinâmica imobiliária.

6A expansão do setor sucroenergético nas últimas décadas no interior paulista tem como protagonistas firmas hegemônicas, semelhantes às descritas por Santos (1996). Estas obtêm, a partir dos anos 1990, avanços tecnológicos capazes de remover grandes entraves do setor, sendo o primeiro nas plantações – a queima e colheita manual da cana (FREDO et al., 2014) – e o segundo nas usinas – a destinação do bagaço, que passa a ser aproveitado na cogeração de energia elétrica (TOMAZ et al., 2016), ao mesmo tempo aumentando a rentabilidade. Destravados esses limites e sob condições econômicas favoráveis, somados aos incentivos recebidos, a expansão do setor foi notória a partir do Proálcool, nos anos 1970.

7Com este cenário e baseado nos apontamentos de Santos (1996) sobre as mudanças rápidas e brutais, emergem os seguintes questionamentos que nortearam essa pesquisa: as mudanças são somente econômicas ou socioeconômicas? Isto é, levam a população a se beneficiar pela expansão econômica? Como estarão distribuídos entre os municípios os benefícios relacionados à atividade? Reflete na equidade social, aumentando ou diminuindo as distâncias? Buscando responder essas questões, o presente estudo analisa a dinâmica do conjunto de empreendimentos do setor sucroenergético e sua cadeia produtiva como gerador de impactos em diversas escalas, baseando a análise na dimensão socioeconômica.

8O foco da pesquisa é a realidade socioeconômica vista pelo recorte municipal. Não foi incluída a análise de vulnerabilidades existentes em grupos específicos, nem tampouco localidades específicas. Privilegiamos a visão mais abrangente, procurando medir a relação entre a atividade econômica e a vida da população em geral, sem particularizar os grupos sociais – trabalhadores, profissionais especializados, prestadores de serviço, pequenos e grandes proprietários de terra, proprietários das usinas – cuja condição está diretamente relacionada à atividade sucroenergética, nem tampouco a relação entre tais grupos. Entendemos que tais questões tem grande importância quando se tem no foco uma atividade específica sobre uma região, vem sendo e demandam seguir assim, foco de estudos aprofundados específicos sobre elas.

Contextualização histórica: a expansão do setor sucroenergético no estado de São Paulo entre 1975 e 2018

  • 1 O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi um programa de substituição em larga escala dos combu (...)

9Em que pese a presença da cana-de-açúcar em diversos momentos da história de ocupação do território paulista, é nas últimas décadas do século XX que ocorre a transformação de que tratamos, com o estabelecimento da cana como cultura predominante nas terras das regiões central, norte e oeste do estado de São Paulo, estimulada pelo Proálcool1 e pelo substancial aumento de exportações de açúcar da década de 1990. Entre 2000 e 2015, a produção brasileira aumentou 179,7% (IBGE, 2017), crescimento baseado principalmente na expansão ocorrida no estado de São Paulo. Outros fatores influenciaram esse crescimento, como a alta dos preços do petróleo, a introdução dos veículos flex fuel, os incentivos fiscais à aquisição de veículos novos, o incentivo à produção de combustíveis verdes a partir do Protocolo de Kyoto e a crise de produção de energia elétrica de 2001, que incentivou o aproveitamento dos subprodutos do setor sucroenergético.

10Entre as regiões produtoras de cana no Brasil, o estado paulista tornou-se a melhor alternativa para os empreendedores, em função da ampla oferta de terras aptas ao plantio, da boa infraestrutura produtiva e da proximidade aos maiores mercados consumidores. Segundo o Zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2008), toda a área do estado, à exceção da faixa leste – regiões do litoral, Vale do Ribeira e Vale do Paraíba –, é apta para o plantio, variando apenas o grau de limitação ou restrição ambiental (Figura 1).

Figura 1 – Zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo.

Figura 1 – Zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo.

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.

11Como resultado dessa tendência, em 2018 havia 170 usinas de cana em operação no estado, situadas em 137 municípios, segundo dados do portal NovaCana (Figura 2). Os municípios onde foram instaladas usinas são, em sua maioria, pequenos municípios. Somente duas usinas estão localizadas em sede de região administrativa (Araçatuba) e outras quinze em cidades sede de regiões de governo, ou seja, 120 estão nos menores municípios.. Observa-se que, entre as usinas em operação até 2018, há estabelecimentos fundados entre 1898 e 2014. Inicialmente instalaram-se no eixo da rodovia Anhanguera, principalmente entre Campinas e Ribeirão Preto. A expansão do período de 1975 a 2010 ocorre pela modernização e ampliação das usinas existentes e pela criação de novas, avançando de forma consistente ao extremo norte e a oeste do estado (Rossini et al, 2020).

12A reestruturação produtiva do agronegócio canavieiro está em curso em todo o país, e nela o estado de São Paulo assume o protagonismo no setor. Entre 1975 e 2016, ao mesmo tempo em que o total da produção nacional de cana apresenta forte crescimento, a participação de São Paulo evolui de 38,9% para 57,5% da produção nacional (Castillo et al, 2019), e este polo transborda para os estados vizinhos de Minas gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, onde, concentradas às proximidades das fronteiras de São Paulo, surgem usinas que levam a participação desse quatro estados, no mesmo período, de 11,6% para 24,6% do total nacional, estabelecendo o que estes autores denominam MCMS: macrorregião Sucroenergética do Centro-Sul.

13O desenvolvimento do setor sucroenergético no estado de São Paulo não é linear no período estudado. Castillo e outros (2019) , dividem a evolução em dois períodos. O primeiro abrange os anos entre 1975 – criação do pró-alcool - até 2003, ano em que, após nova crise, o setor toma novo impulso com a valorização dos bio-combusíveis no mercado externo e interno, além do lançamento do carro flex no mercado interno, definindo o início do segundo período, até 2010, com forte investimento de grupos extrangeiros na produção nacional. Rossini e outros (2020, sub-dividem o primeiro período em dois, tomando como divisor o ano de 1990, em que extinto o IAA, Instituto do açúcar e do álcool, marcando o fina da interferência direta do governo brasileiro na procução.

14Uma vez que o foco de nossa pesquisa não é a atividade sucroenergética em si, mas seu impacto socioeconômico sobre os municípios, não nos estenderemos em detalhar a atividade do setor, nem adotaremos suan periodização como instrumento de análise dos dados coletados. Para estra leitura, adotaremos prioritariamente as décdas inteiras, pelo fato de que os principais dados analisados são censitários, ou períodos específicos decorrentes da periodização dos dados disponíveis para onsulta, a exemplo de dados do PIB.

15Nesse contexto mais amplo, a partir do zoneamento agroecológico e da ocorrência de usinas, é possível definir o Polígono Canavieiro Paulista (Figura 2), que consiste em toda a porção do Estado em que o setor sucroenergético está presente, sendo determinante na economia regional. Estão totalmente inseridas no Polígono nove das quatorze regiões administrativas (RAs) do estado: Araçatuba, Barretos, Bauru, Central (São Carlos e Araraquara), Franca, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto; outras duas RAs estão parcialmente incluídas: Campinas e Sorocaba. O polígono inclui, portanto, 442 municípios, em mancha contínua, entre os 544 integrantes das RAs mencionadas. Destes, 426 fazem parte da amostra do estudo, conforme será exposto mais adiante. Não foram incluídos municípios próximos à borda do polígono porque as usinas que possuem são antigas, no final de sua vida útil, com capacidade de produção pouco significativa quando comparadas ao conjunto estudado.

Figura 2 – Ocorrência de usinas de processamento de cana-de-açúcar no estado de São Paulo, 2018.

Figura 2 – Ocorrência de usinas de processamento de cana-de-açúcar no estado de São Paulo, 2018.

Fontes: NovaCana (dados de localização das usinas), empresas e fontes diversas (data de instalação das usinas).

16Levantamento realizado junto às empresas do setor e fontes historiográficas diversas, indica que o investimento no setor, provém inicialmente da busca de alternativas de expansão dos negócios de fazendeiros, para diversificar ou substituir suas fontes de renda, especialmente nas usinas já instaladas quando inciado o período do presente estudo. (Almeida Filho, 2019). A presença de grandes grupos nacionais e internacionais desvinculados do capital agrário tradicional ocorre posteriormente, principalmente após 2003, frequentemente pela compra e ampliação de estabelecimentos existentes, sendo em poucas e recentes ocasiões pela criação de novas plantas. Podemos constatar assim que o processo de expansão do setor vincula-se historicamente aos processos anteriores da atividade rural.

17Como resultado dos investimentos no setor ao longo destas décadas, a produção paulista estimada para a safra 2016/2017 era de 13,7 bilhões de litros de etanol, representando 49,7% da produção brasileira e 11,7% da mundial, e 24,06 milhões de toneladas de açúcar, 62,9% da produção brasileira e 14% da mundial (SÃO PAULO, 2017).

  • 2 Cálculo do autor, elaborado a partir de dados do site da Fundação Seade.

18O suprimento dessa produção requer a utilização de grandes extensões de terras de cultivo. Entre terras próprias e arrendadas pelas usinas ou cultivadas por terceiros, a cultura ocupava em 2012 cerca de 9,6 milhões de hectares ou 45,82%2 de toda a extensão territorial das regiões administrativas do estado que abrigavam a atividade. A rentabilidade para os proprietários de terra, se não é a maior das possibilidades de aplicação de capital, segundo análise da FGV/Bacen/Scot (SCOT CONSULTORIA, 2016), tem sido suficientemente atraente, com baixo risco.

19As 170 usinas instaladas no estado de São Paulo pertenciam em 2018 a 98 diferentes grupos empresariais, sendo que 76 unidades são isoladas, sete grupos controlam duas unidades cada, outros sete grupos controlam três unidades cada, quatro grupos controlam três unidades cada, um grupo controla seis unidades, dois grupos controlam sete unidades cada e finalmente, um grupo controla 23 unidades (NOVACANA, 2018). É perceptível, pela observação da lista de controladores de usinas, o fato de que grandes grupos, nacionais ou internacionais, dividem espaço com grupos menores, proprietários de uma ou duas usinas.

20Para entender de que maneira essa atividade impacta o território, recorremos ao conceito de circuito espacial produtivo e logística agroindustrial, como o tratado por Castillo et al. (2016, p. 276), com duas ideias fundamentais:

1) apreender a unidade das diversas instâncias da produção, isto é, produção propriamente dita, distribuição, troca e consumo e 2) captar o movimento da produção, através da análise de um produto ou setor de atividade econômica e dos diversos agentes e lugares envolvidos na produção.

21Isto posto, podemos inferir que a presença de usinas nos municípios é o fator mais determinante da influência do setor no território, uma vez que a etapa de processamento da matéria-prima e transformação nos produtos do setor ocorre inteiramente nas usinas, sem outro aporte de insumos terceirizados, a não ser a utilização de máquinas, equipamentos e mão de obra, agregando a maior parcela de valor dentro da cadeia produtiva e representando, em consequência, maior arrecadação de impostos, além de maior integração econômica para trás, isto é, maior consumo de bens e serviços necessários à produção e maior massa salarial dos empregados diretos. Os produtos das usinas são em sua maioria destinados ao consumidor final, de modo que as integrações econômicas para frente se dão essencialmente na distribuição e comércio desses bens.

22Finalmente, percebe-se que expressivas são as alterações do campo paulista detectadas a partir da expansão do setor sucroenergético. O mar de cana avança sobre o mar de braquiária (CANO et al., 2007, p. 118), na medida em que se assiste à substituição progressiva da pecuária de leite e corte pelo plantio de cana como atividade predominante. Entre os triênios de 1969 a 1971 e 1999 a 2001, a cultura da cana passou de 737.937 para 2.864.573 hectares, acréscimo de 288%, e as pastagens encolheram de 11.862.786 para 10.362.70 hectares, em recuo de 14%, mesmo seguindo como uso predominante. A cana salta da quarta à segunda maior modalidade de uso agropecuário do solo, superando em larga área todas as demais culturas praticadas no segundo triênio (CANO et al., 2007, p. 118).

23A pesquisa que embasa o presente artigo foi realizada nos anos de 2028 e 2019. Parte significativa dos dados é oriunda dos censos demográficos e portanto, ficaram defasados em quase uma década. Entendemos que tal fato não descaracteriza o fenômeno demonstrado, porém poderá deixar de captar um fenômeno importante, que é o da dependência da economia das pequenas cidades em relação ao grande empreendimento. No universo estudado, houve uma crise econômica no final do período, que levou ao fechamento de usinas. O fenômeno é estudado em pesquisas posteriores à essa (FARIA DOS SANTOS et al, 2022), onde se demonstra a vulnerabilidade social decorrente da concentração do emprego, da geração de renda e outros fundamentos da socioeconomia em setor fortemente sujeito a crises e oscilações decorrentes do cenário econômico mundial.

Materiais e métodos

24A pesquisa iniciou-se com a busca de dados referentes à temática. Foram adotados os dados disponíveis no portal NovaCana (https://www.novacana.com), que conta com acervo de dados bastante rico, o que proporcionou mapear todas as usinas em operação e também dados de produção. As informações complementares, especialmente a data de instalação de cada usina, assim como ampliações, foram obtidos em pesquisa nos portais das próprias empresas, imprensa e outras fontes historiográficas. A etapa seguinte foi comparar a evolução dos indicadores socioeconômicos e demográficos, coletados essencialmente pelo IBGE e acessados pelo portal da Fundação Seade, que sistematiza e disponibiliza os dados dos municípios paulistas.

25As análises foram realizadas em duas escalas geográficas diferentes, sendo a primeira no âmbito municipal e a segunda regional. No presente artigo, apresentamos a análise por município. Para a primeira, separou-se dois grupos de municípios: com e sem ocorrência de usinas dentro dos limites municipais, para se comparar a evolução dos indicadores socioeconômicos. Para a segunda, apoiamo-nos no mapeamento da densidade da ocorrência do processamento da cana para propor uma regionalização específica para o estudo, que entretanto mostrou-se pouco efetiva para a análise das transformnações no período. Nesta pesquisa foram analisados sinteticamente os principais aspectos da evolução dos indicadores socioeconômicos.

26A última etapa foi a elaboração de mapas temáticos, com o objetivo de espacializar os resultados, diferenciando os municípios com ou sem usinas dentro do Polígono Canavieiro Paulista e analisando comparativamente os resultados obtidos.

Definição da área de estudo

27A ocorrência das usinas pelo território paulista se dá em toda a porção norte e oeste do estado (Figura 2). Para a definição da área de estudo foi estabelecido o critério de agrupamento dos municípios em dois níveis de distinção, sendo: a) entre os municípios que têm ou não usinas em seu território e b) entre regiões com maior ou menor presença da atividade, uma vez que o impacto principal da cadeia econômica se dá nas cidades que possuem usinas, mas estende-se por outras que também recebem o plantio de cana.

28A Figura 3 expressa a densidade da ocorrência da atividade canavieira nos municípios e regiões do estado de São Paulo. Esse mapa foi elaborado utilizando-se o estimador Kernel, que demostra a intensidade do fenômeno da moagem de cana pelas usinas, com base nos dados de produção anual prevista para 2018 informado pelas usinas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Observa-se maior intensidade na região de ocorrência mais antiga, no entorno da rodovia Anhanguera, próximo a Ribeirão Preto. A partir daí, em direção oeste, conforma-se uma região de concentração paralela ao Vale do Tietê e ao espaço entre as rodovias Washington Luís e Mareachal Rondon, até as proximidades da divisa com o estado de Mato Grosso do Sul. Outro eixo, a partir do mesmo ponto de origem, configura-se a sul, com leve declinação oeste, até encontrar outro centro, de menor intensidade, no município de Barra Bonita. Outras concentrações são percebidas nos extremos nordeste do estado, próximo a Morro Agudo, e no Vale do Paranapanema, próximo à rodovia Raposo Tavares.

Figura 3 – Densidade de processamento de cana nas usinas do estado de São Paulo.

Figura 3 – Densidade de processamento de cana nas usinas do estado de São Paulo.

Fonte: Dados do Mapa compilados pelo portal NovaCana.

29Dessa forma definiu-se a área de estudo a partir da regionalização, fundamentada na densidade de ocorrência da atividade, onde foram considerados os valores dos limites municipais com o valor médio dos pixels internos. Isso permitiu criar cinco classes de municípios a partir da influência do setor sucroenergético: muito alta, alta, média, baixa, muito baixa (Figura 4)

Figura 4 – Regionalização da influência do setor sucroenergético no estado de São Paulo.

Figura 4 – Regionalização da influência do setor sucroenergético no estado de São Paulo.

Fonte: Dados do Mapa compilados pelo portal Novacana.

Análise de variáveis socioeconômicas

30A partir da definição da área de estudo, assumiram-se duas formas para a comparação da evolução de dados socioeconômicos, visando avaliar os efeitos da associação entre a presença do setor e a evolução socioeconômica. Primeiramente, comparando o grupo de municípios com presença de usinas ou não; em segundo, comparando as classes de municípios a partir da influência do setor.

31Para isso, a pesquisa elencou diversas categorias de análise a partir das questões geradoras, procurando compreender a influência da presença das usinas, em uma série temporal definida entre 1970 e 2018.

32Do Polígono Canavieiro excluímos os nove municípios sede de regiões administrativas, pois tendo dinâmica econômica diversificada, torna-se pouco relevante a associação entre sua evolução e a presença do setor sucroenergético.

  • 3 Segundo Santos, “aqueles territórios que acumulam densidades técnicas e informacionais e, portanto, (...)

33Por esse procedimento, constatamos que a distinção entre os grupos com ou sem usinas se estabelece com clareza e constância dentro das variáveis elencadas, enquanto o mesmo não ocorre em relação às classes regionais, delimitando os efeitos perceptíveis da presença do setor sucroenergético ao âmbito municipal. Em nosso recorte de municípios, a luminosidade,3 associada à dinâmica socioeconômica, aumentou no grupo de municípios com usinas significativamente mais do que no outro grupo, alterando a configuração das desigualdades entre municípios não pelo seu desenho em si, mas pela diferença de brilho entre os pontos. Ou seja: em um período caracterizado por consistente melhora dos indicadores sociais em todos os municípios do polígono, aqueles em que se localizam usinas de cana se destacaram por uma melhora ainda maior.

34A análise socioeconômica dos municípios foi realizada a partir das variáveis população, PIB, PIB agropecuária, PIB indústria, renda per capita, rendimento dos chefes de família, emprego formal, desigualdade de rendimentos (índice de Gini), receita municipal total, receita municipal própria, IDH-M, índice de coleta e tratamento de esgotos, hierarquia da rede urbana. A estas variáveis foi atribuído um fator significativo interpretativo, de acordo com a inter-relação da variável selecionada com o setor sucroenergético.

35Foi incorporado à análise o fator espacial, ou seja, o mapeamento de dados por município, uma vez que o fenômeno estudado ocorre sobre territórios distintos. Ressalvamos que, ao optar por esse estudo de caso, o fizemos por considerar haver relativa homogeneidade entre o universo de 426 municípios, o que permite a comparação entre eles. Tal fato não significa, entretanto, desconsiderar que os resultados, além de diferenciar os grupos estabelecidos, refletem também as diferenças entre regiões do estado, preexistentes antes da expansão do setor sucroenergético e influenciadas simultaneamente por fatores não considerados aqui.

36A complexidade foi abordada por meio de uma série de mapas temáticos, elaborados em pares, refletindo as variáveis abordadas na pesquisa. Em cada par, o mapa ao alto (A) representa o resultado de uma variável nos municípios com usinas e o que está abaixo (B) o grupo sem usinas. A cor branca representa, no mapa dos municípios com usinas, os municípios sem usinas, e o inverso no outro mapa. O estabelecimento das faixas de quebra das análises foi realizado pelo método “natural breaks (Jenks, 1967).

37Por esse método foram elaborados os mapas:

  • Taxa geométrica de crescimento demográfico, que é a variação do número de indivíduos num determinado espaço de tempo (Figura 5);

  • Razão de crescimento do valor nominal do PIB (Figura 6);

  • Renda per capita (Figura 7);

  • Habitantes por emprego formal, indicador analisado nesta pesquisa pela relação de habitantes por emprego formal, ou seja, quanto menor a relação, mais favorável está a situação (Figura 8);

  • Desigualdade de rendimentos (Índice de Gini) (Figura 9);

    • 4 Para evidenciar a diferença entre os municípios, definimos as faixas de mapeamento do IDHM pelo mét (...)

    Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM, 2010) (Figura 10).4

38Os indicadores foram representados por meio da espacialização e analisados pela percepção visual das relações estabelecidas no espaço, permitindo observar tanto a diferença entre os grupos de municípios com ou sem usinas quanto a diferença entre os diferentes espaços geográficos do estado.

Resultados e discussão

39A observação sistemática dos resultados obtidos em numerosas e extensa tabelas nos permitiu interpretar a realidade. Para oferecer ao leitor uma síntese das observações mais relevantes, criamos o Quadro 1, no qual é apresentada a interpretação da relação do efeito da presença ou ausência de usinas para os municípios analisados. Em destaque, na cor verde, estão os indicadores que refletem melhor a evolução dos municípios com usinas.

Quadro 1 – Síntese da análise de variáveis levantadas nos grupos de municípios com ou sem usinas.

40A Figura 5 apresenta a taxa de crescimento populacional de 1991 a 2000.Nesse período, evidencia-se a predominância das maiores taxas de crescimento nas porções leste e nordeste do estado, correspondendo aos eixos das rodovias Anhanguera e Washington Luís, assim como no arco de municípios a cerca de cem quilômetros da capital, entre as regiões de Sorocaba e Campinas. Na comparação entre municípios com ou sem usinas, percebe-se a maior presença das cores verde e amarela – menores taxas – no mapa dos municípios sem usinas, em oposição à maior presença das cores laranja e vermelho – maiores taxas – nos municípios com usinas. Percebemos, então, dois movimentos na década: tanto a maior taxa de crescimento populacional nos municípios com usinas, também expressa nas análises numéricas, nessa e nas demais décadas do período estudado, quanto as diferenças regionais do estado, também presentes nas demais décadas estudadas, além do presente mapa.

Figura 5 – Taxa geométrica de crescimento anual da população em %, 1991–2000.

Figura 5 – Taxa geométrica de crescimento anual da população em %, 1991–2000.

Fonte: IBGE, censos demográficos de 1991 e 2000.

41Em relação à evolução do PIB (Figura 6), a configuração difere da leitura da variável anterior (Figura 5) quanto à questão regional, mas confirma a diferenciação entre municípios com ou sem usinas. Selecionando para a análise o período de metodologia homogênea de cálculo do PIB pelo IBGE, que é 2002–2016, percebemos que, em geral, os espaços com menores taxas de crescimento demográfico são aqueles de maior crescimento econômico, destacando-se aqui as porções oeste e noroeste do estado. Neste tema, a diferenciação dos municípios com a presença de usinas é bem mais marcante, notadamente durante os períodos de implantação de usinas, com impulso maior que apenas durante a operação. Entre os municípios sem usinas, as maiores taxas são raras. O destaque para o Pontal do Paranapanema e extremos oeste e norte é notório: o período de salto do PIB coincide com a chegada de usinas aos municípios em questão, que também têm grande extensão territorial e, além de processar grandes quantidades de cana, são também responsáveis por grandes quantidades de plantio (“NOVACANA, 2018).

Figura 6 – Razão de crescimento do valor nominal do PIB, em reais, 2002–2016.

Figura 6 – Razão de crescimento do valor nominal do PIB, em reais, 2002–2016.

Fonte: IBGE.

42A Figura 7 apresenta a renda per capita em reais para o ano de 2010. Sua configuração espacial é mais próxima à da variável PIB do que ao crescimento demográfico. Na porção oeste e noroeste do estado está o predomínio dos maiores valores. Assim como nos mapas anteriores (Figuras 5 e 6), observa-se no mapa dos municípios com usinas uma ocorrência maior das cores laranja e vermelha, apontado as maiores rendas, e quase ausência do cinza, que representa rendas muito baixas. Quando comparado ao mapa dos municípios sem usinas, percebemos prevalência do verde e amarelo e expressiva participação do cinza.

Figura 7 – Renda per capita, em reais, 2010.

Figura 7 – Renda per capita, em reais, 2010.

Fonte: PNAD–IBGE, 2010.

43A Figura 8 apresenta a relação entre o número de habitantes e o número de empregos formais. Salienta-se aqui, de forma expressiva, a situação mais favorável em que se encontram os municípios com usinas, onde há mais empregos formais. Nesse indicador, em particular, nota-se também uma marcante diferença entre os diferentes espaços do estado. Na medida em que aumenta a distância da capital, aumenta a frequência de municípios com pior desempenho. Essa configuração permanece nos três anos estudados, 1991, 2000 e 2010, e há uma melhoria percebida nos dados, especialmente entre 2000 e 2010, que ocorre em toda a área de estudo.

Figura 8 – Habitantes por emprego formal, 2010.

Figura 8 – Habitantes por emprego formal, 2010.

Fonte: MTE

44A Figura 9 apresenta o indicador desigualdade de rendimentos, representado pelo Índice de Gini para o ano de 2010. Os piores resultados, que apontam maiores desigualdades, estão representados nas cores amarela, verde e particularmente cinza e aparecem com maior frequência no mapa dos municípios sem usinas. O mapa mostra uma situação em 2010 discretamente mais favorável nos municípios com usinas, o que é significativo quando considerado que é um dado que ocorre simultaneamente à maior renda per capita. Nesta variável, não identificamos variações significativas quanto às regiões do estado.

Figura 9 – Desigualdade de rendimentos (índice de Gini), 2010.

Figura 9 – Desigualdade de rendimentos (índice de Gini), 2010.

Fonte: Datasus.

45Os dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 2010 (Figura 10) apresentam melhores indicadores nos municípios com usinas. Assim como no índice de Gini (Figura 9), não identificamos padrões de diferenciação entre as regiões do estado.

Figura 10 – IDHM, 2010.

Figura 10 – IDHM, 2010.

Fonte: PNUD, Ipea, FJP, IBGE, Fundação Seade.

Conclusões

46A metodologia de análise empregada neste estudo permitiu identificar que a presença das usinas altera discretamente a evolução dos indicadores socioeconômicos dos municípios analisados, assim como que os municípios que não receberam o investimento do setor sucroenergético evoluem mais lentamente. Com isso surgem, ou acentuam-se, maiores desigualdades entre municípios em decorrência da presença ou não do setor sucroenergético, ainda que o panorama geral aponte, em princípio, evoluções semelhantes.

47Essa leitura é possível quando observamos que, no conjunto de quatorze variáveis levantadas, nove delas indicam uma clara diferenciação entre os grupos de municípios. Entre estas, sete carregam intrinsecamente aspectos qualitativos e indicam que a variação é positiva para os municípios com usinas. As demais variáveis não expressam uma melhor evolução, porém também não expressam o movimento contrário, ou seja, de piora ou estagnação da situação com a presença das usinas.

48Podemos observar que tanto a constância do movimento de melhoria nos indicadores socioeconônicos observado, apontando para a mesma direção de leitura nas diversas variáveis quanto sua permanência no tempo, uma vez que as séries históricas não apresentam diferenças relevantes entre as décadas analisadas, corroboram a leitura obtida, assim como a própria dimensão das diferenças entre grupos, numericamente significativas de modo geral.

49Particularmente no caso da redistribuição das receitas arrecadadas, há políticas públicas, como repasse de ICMs (lei estadual 8.510/93) e FPM (fundo de participação dos Municípios, segundo art. 159, inciso I, alínea “b” e ADCT art. 34, § 2º, incisos I e III) da Constituição Federal, que minimizam os efeitos do aumento da concentração econômica em alguns municípios, já que a receita pública total auferida é redistribuída por habitante, componderações pela renda per capta, tornando a arrecadação per capta bastante semelhante em todo o conjunto de municípios estudados, não privilegiando aqueles com usinas instaladas.

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Bibliographie

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Notes

1 O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi um programa de substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool combustível, financiado pelo governo do Brasil a partir de 1975 devido à crise do petróleo em 1973 e, mais grave, à crise de 1979 (IBGE, 2017).

2 Cálculo do autor, elaborado a partir de dados do site da Fundação Seade.

3 Segundo Santos, “aqueles territórios que acumulam densidades técnicas e informacionais e, portanto, se tornam mais aptos a atrair atividades econômicas, capitais, tecnologia e organização são denominados territórios luminosos. Os espaços onde estas características estão afastadas são chamados de territórios opacos” (Santos, 2006).

4 Para evidenciar a diferença entre os municípios, definimos as faixas de mapeamento do IDHM pelo método natural breaks, e não pelas faixas utilizadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), classificando entre muito baixo e muito alto o valor de cada município.

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Table des illustrations

Titre Figura 1 – Zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo.
Crédits Fonte: Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-1.jpg
Fichier image/jpeg, 341k
Titre Figura 2 – Ocorrência de usinas de processamento de cana-de-açúcar no estado de São Paulo, 2018.
Crédits Fontes: NovaCana (dados de localização das usinas), empresas e fontes diversas (data de instalação das usinas).
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-2.jpg
Fichier image/jpeg, 403k
Titre Figura 3 – Densidade de processamento de cana nas usinas do estado de São Paulo.
Crédits Fonte: Dados do Mapa compilados pelo portal NovaCana.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-3.jpg
Fichier image/jpeg, 382k
Titre Figura 4 – Regionalização da influência do setor sucroenergético no estado de São Paulo.
Crédits Fonte: Dados do Mapa compilados pelo portal Novacana.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-4.jpg
Fichier image/jpeg, 372k
Titre Figura 5 – Taxa geométrica de crescimento anual da população em %, 1991–2000.
Crédits Fonte: IBGE, censos demográficos de 1991 e 2000.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-5.jpg
Fichier image/jpeg, 666k
Titre Figura 6 – Razão de crescimento do valor nominal do PIB, em reais, 2002–2016.
Crédits Fonte: IBGE.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-6.jpg
Fichier image/jpeg, 592k
Titre Figura 7 – Renda per capita, em reais, 2010.
Crédits Fonte: PNAD–IBGE, 2010.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-7.jpg
Fichier image/jpeg, 601k
Titre Figura 8 – Habitantes por emprego formal, 2010.
Crédits Fonte: MTE
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Titre Figura 9 – Desigualdade de rendimentos (índice de Gini), 2010.
Crédits Fonte: Datasus.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-9.jpg
Fichier image/jpeg, 617k
Titre Figura 10 – IDHM, 2010.
Crédits Fonte: PNUD, Ipea, FJP, IBGE, Fundação Seade.
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/56430/img-10.jpg
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Pour citer cet article

Référence électronique

João Jaime de Carvalho Almeida Filho, Jonathas Magalhães Pereira da Silva et Marcos Roberto Martines, « Grandes empreendimentos agroindustriais e evolução de indicadores socioeconômicos: o caso do Polígono Canavieiro Paulista  »Confins [En ligne], 62 | 2024, mis en ligne le 20 mars 2024, consulté le 19 juin 2024. URL : http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/56430 ; DOI : https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/confins.56430

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Auteurs

João Jaime de Carvalho Almeida Filho

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PosUrb-Arq PUC-Campinas), Orcid 0000-0001-7345-0078, j.jaime.almeida.fo@gmail.com

Jonathas Magalhães Pereira da Silva

Pontifícia Universidade Católica de Campinas. (PosUrb-Arq PUC-Campinas, Orcid 0000-0002-8186-9626, jonathasmps1963@gmail.com

Marcos Roberto Martines

Universidade Federal de São Carlos (UFScar Sorocaba), Orcid 0000-0002-7464-2431, mmartines@ufscar.br

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