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Elementos para refletir sobre a policentralidade e a fragmentação urbana em cidades médias – Resende e Volta Redonda (RJ)

Elements to reflect on the polycentrality and urban fragmentation in intermediary cities - Resende e Volta Redonda (RJ)
Éléments de réflexion sur la polycentralité et fragmentation urbaine dans des villes moyennes – Resende e Volta Redonda (RJ)
Eliane Melara et William Ribeiro da Silva

Résumés

La restructuration urbaine à Resende et à Volta Redonda a conduit à des processus de redéfinition de la centralité et à l´altération des pratiques spatiales, avec la présence notable des centres commerciaux, des ensembles résidentiels fermés et de lotissements clos et sécurisés, les qualifiant ainsi comme des villes polycentriques et fragmentées. D'après les entrevues, la cartographie et des sources secondaires, nous avons trouvé deux modèles distincts dans la relation entre l´auto-ségrégation et de nouvelles zones de centralité, à Resende la dimension territoriale urbaine et la taille de la population sont réduites, il y a une séparation de zone de localisation du centre commercial - nouvelle zone de centralité - par rapport à l'emplacement des lotissements et des ensembles résidentiels fermés des riches.Tandis qu´à Volta Redonda, en raison d'un modèle plus complexe de structuration urbaine, on identifie une superposition de la nouvelle centralité avec la localisation des lotissement clos de murs et des ensembles résidentiels fermés, ce qui rend évident un clair processus de fragmentation du tissu urbain.

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Texte intégral

1A urbanização brasileira tem passado por novos e importantes processos econômicos e espaciais - especialmente a partir da década de 1970 - pois há alteração na relação entre as cidades e na organização interna dos espaços urbanos. Tais mudanças têm sido já largamente debatidas no âmbito das pesquisas em Geografia Urbana, no Urbanismo, na Sociologia urbana, no Planejamento ou Economia, de tal modo que já se depreende tratar-se de uma mudança estrutural que chega a ser paradigmática, conforme chamou (Silva, 2017b) e que compõe um conjunto de reestruturações que redefinem a produção da cidade no mundo, em especial nas metrópoles e nas cidades médias.

2 Encontra-se na literatura uma relação bastante estreita entre as reestruturações econômicas e as reestruturações urbanas e regionais, conforme pontuou Soja (1993), e as reestruturações das cidades, conforme evidenciado em Sposito (2007). Essa aproximação entre a economia e a cidade é fato já exaustivamente debatido acerca da teoria da urbanização, de tal modo que atribuem-se sentidos à urbanização pela sua capacidade de organizar espacialmente a economia regional e consolidar territórios para a gestão econômica por meio da divisão territorial do trabalho. Essa dinâmica de reestruturação econômica, com destaque à esfera produtiva, foi amplamente analisada a partir de diferentes países e se consolidou teoricamente na chamada Escola de Regulação Econômica (Veltz, 2017; 2014; Harvey, 2009; Boyer e Saillard, 2002; Benko e Lipietz, 1994).

3 Silva (2009) afirma que, além das modificações intraurbanas marcadas por novas morfologias e novas paisagens urbanas, esse processo de reestruturação produtiva pós-fordista ou de acumulação flexível também interfere em mudanças recentes na rede urbana brasileira no que se refere à hierarquia entre as cidades e os papéis que as mesmas desempenham na divisão territorial do trabalho.

4Desse modo, alguns processos fazem parte desse conjunto de reestruturações que interferem na posição das cidades médias na rede urbana brasileira, bem como, internamente às cidades. Primeiramente, temos o processo de concentração e centralização econômica, proporcionada, principalmente, pelos novos meios técnicos e informacionais, pelas lógicas dos grandes grupos econômicos, pela política de atração de empresas, pela concentração de atividades industriais com características pós-fordistas. Segundo, chamamos a atenção em relação a ocorrência de uma melhoria e diversificação dos sistemas de transporte e telecomunicações com baixos custos e alcance de distâncias nacionais e internacionais nessas cidades. Terceiro, destacamos a importante presença de formas econômicas relacionadas aos bens e serviços, como: redes de múltiplas filiais, supermercados e hipermercados, incorporadores imobiliários com os shoppings centers etc. Quarto, muitas cidades médias estão extremamente vinculadas a modernização do setor agropecuário, com a produção de bens e serviços relacionados (SPOSITO, et all, 2007).

5Sposito e Silva (2017), em coletânea que discute as perspectivas da urbanização por meio das reestruturações que envolvem as cidades médias, chamam atenção para o fato de que

[...] o debate sobre as múltiplas formas de reestruturação e suas incidências em cidades médias, tanto quanto o apoio oferecido por elas aos novos vetores que promovem tais reestruturações, foi efetuado por diversos pontos de vista e tomado como referência objetos diferentes – sistemas urbanos, redes urbanas, cidades médias, cidades pequenas, regiões etc. (SPOSITO e SILVA, 2017, p. 23).

  • 1 Sobre a discussão de cidades de porte médio e cidades médias, consultar: Melara (2016), Amorim Filh (...)

6É importante destacar que, a noção de cidade média1 já evidencia uma posição de intermediação na rede urbana, sendo uma área não metropolitana, com funções e papeis importantes de modo a abranger uma região de influência com alcance espacial que engloba as áreas rurais e as cidades pequenas, em vínculo estreito e indissociável com as metrópoles. Fatores relacionados a reestruturação econômica nacional e mundial foram importantes para que essas cidades desempenhassem funções de destaque na rede urbana brasileira atualmente, ao mesmo tempo que tornaram mais complexos seus espaços intraurbanos. Algumas cidades tiveram a indústria pós-fordista como vanguarda no desenvolvimento econômico, outras as atividades do agronegócio foram determinantes, por exemplo. Nesse aspecto, queremos enfocar o fato de que muitos agentes de cunho econômico/imobiliário, por exemplo, perceberam que nessas cidades médias haveria uma grande oportunidade de investimento, devido aos baixos custos para implantação de seus empreendimentos, distâncias intraurbanas relativamente curtas se comparado com as metrópoles e mercado consumidor em crescimento.

7 Desse modo, assim como já evidenciado em muitas metropóles, os espaços intraurbanos das cidades médias também tornou-se complexo. O processo de separação socioespacial das camadas de maior e menor poder aquisitivo - sendo a classe média incluída no primeiro grupo, tem evidenciado os processos de segregação e autossegregação nessas cidades de maneira significativa. Além disso, tem havido uma multiplicação de subcentros, centros secundários, subcentros regionais, condomínios e loteamentos fechados, eixos especializados, desdobramentos de áreas centrais etc, consubstanciando a chamada multicentralidade, com tendências à segmentação social do mercado consumidor e acentuando os processos de fragmentação socioespacial (SPOSITO, 2004).

  • 2 Essas cidades estão localizadas na mesorregião Sul Fluminense e na microrregião geográfica do Vale (...)
  • 3 De acordo com a lei, é ilegal fechar um loteamento, por isso é mais correto utilizar o termo loteam (...)
  • 4 Site da ReCiMe: http://www.recime.org/

8 Partindo dessa contextualização, no presente artigo, pretende-se debater a lógica de reestruturação – em particular a redefinição da centralidade e produção da cidade policêntrica em duas cidades médias localizadas em área de forte processo de industrialização – Resende e Volta Redonda-RJ (Figura 1) 2, bem como, analisar elementos que fazem parte dos processos de fragmentação e do par segregação-autossegregação socioespacial. Com o intuito de analisar os segmentos de maior poder aquisitivo e de maior transformação na estruturação urbana, optamos por debater a presença de formas e espacialidades dos shopping centers e dos condomínios e/ou os loteamentos murados3. Note-se que, conforme destacou Silva (2017) trata-se de uma realidade de cidades médias no Brasil que conta com a particularidade de estar inserida entre as duas maiores metrópoles brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, em região de grande interesse histórico nacional – Vale do Paraíba – com forte infraestrutura instalada na energia, transportes e comunicações. De tal sorte que, das cidades estudadas no âmbito da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias4, figuram entre as que a presença da indústria mais se destaca. Sendo assim, a presente análise cerca-se da particularidade da estreita relação entre cidade e indústria e de como esta reverbera ou reforça os processos e formas espaciais apontados anteriormente (Figura 2).

9Tais processos e formas têm tomado força nessas cidades desde a década de 1990, especialmente a partir de 2000. Resende e Volta Redonda, apesar de serem cidades bastante próximas territorialmente, há especificidades quando analisamos essas formas e processos, dadas suas características históricas, econômicas, físicas e sociais. Note-se que ambas cidades foram estruturadas tendo por referência para escolha locacional o curso do Rio Paraíba do Sul, que além de ser utilizado para abastecimento de água, para geração de energia, para uso industrial e para o turismo, influencia decisivamente nas lógicas de localização dos fixos e fluxos urbanos. O rio em certas ocasiões faz a sutura de áreas e em outras a ruptura, permitindo conexão apenas via construções de pontes e passarelas.

Figura 1: Mapa de localização dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ

Figura 1: Mapa de localização dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Base cartográfica do IBGE (2010).Extraída de: Melara (2016, p. 25)

  • 5 Muitos dados empíricos e secundários, bem como algumas reflexões do artigo são provenientes da tese (...)

10Para realização desta pesquisa, além de diversas leituras e busca por dados secundários do IBGE e prefeituras, contamos com a realização de diferentes trabalhos de campo cuja finalidade foi obter informações através de entrevistas com funcionários das prefeituras de Resende e Volta Redonda, incorporadores imobiliários e moradores de espaços fechados. Destaque-se ainda que, esta pesquisa possui uma metodologia própria5, desenvolvida e utilizada para verificar as questões que foram propostas, embora tenham relações com outras pesquisas que são desenvolvidas no âmbito da ReCiMe, que permitem comparações e reflexões ampliadas.

Figura 2: Mapa base dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ

Figura 2: Mapa base dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E./ Fonte: IBGE (2010)

Alguns elementos para entender a reestruturação urbana em resende e volta redonda

11Em recente processo de novas escolhas de localização industrial, processo que se desenvolve no mundo desde os anos de 1960, mas que, no Brasil, é sentido de maneira mais evidente nos anos de 1980 e, sobretudo, de 1990, as denominadas “deseconomias de aglomeração” – das metrópoles consolidadas, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro – fizeram com que as indústrias procurassem, sob fortes incentivos e renúncias fiscais, preço da terra, força de trabalho de menor valorização, entre outros fatores, outras cidades para instalação, especialmente no eixo centro-sul do Brasil. Além disso, as políticas governamentais começaram a dar mais importância às cidades de porte médio com o objetivo de diminuir os problemas nas metrópoles e desenvolver outras áreas e regiões do país (AMORIM FILHO E SERRA, 2000; ANDRADE E SERRA, 2000; STEINBERGER E BRUNA, 2000).

  • 6 A BR-116 (Presidente Dutra) conecta o Estado do Rio de Janeiro a São Paulo e a BR-393, liga a BR-11 (...)

12Nesse sentido, as cidades representadas neste estudo, Resende e Volta Redonda – assim como grande parte da microrregião geográfica do Vale do Paraíba Fluminense – tiveram bastante destaque no período recente, sobretudo devido à sua localização ao longo de eixos viários6 que as ligam aos maiores centros de consumo do Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com significativas mudanças dos quantitativos populacionais e, sobretudo, em seus Produtos Internos Brutos (PIBs) (Tabela 1).

Tabela 1: Resende e Volta Redonda: Crescimento da População, PIB (2000-2010)

Municípios

População residente

Crescimento percentual da População

PIB a preços correntes

Percentual de crescimento do PIB

2000

2010

10 anos

2000

2010

10 anos

Resende

104.549

119.769

14,55%

1.705.986

6.417.158

276,15%

Volta Redonda

242.063

257.803

6,58%

3.859.693

9.076.465

135,16%

Fonte: IBGE (2000 e 2010).Extraída de: Melara (2016, p. 30)

13Historicamente, na região do médio Vale do Paraíba, a base industrial foi a siderurgia e metalurgia, e a formação de mão de obra era mais técnica e voltada para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), implantada em Volta Redonda na década de 1940 por um projeto de desenvolvimento industrial do Estado Brasileiro. Além disso, na década de 1980, houve a instalação de um conjunto de indústrias químicas na cidade de Resende. Porém, desde a década de 1990, outros setores começam a se instalar na região, especialmente nos municípios de Resende, Porto Real e Itatiaia. Percebeu-se o desenvolvimento do setor automobilístico, extração de petróleo e gás. O processo de reestruturação produtiva no estado do Rio de Janeiro não se refere somente a uma desconcentração industrial vinda da metrópole, mas sim de uma reconstrução das bases industriais de novos setores com ligações na rede local, regional, nacional e internacional (OLIVEIRA, 2003).

  • 7 A empresa tem unidades espalhadas por várias cidades do Médio Vale, especialmente na região Sudeste (...)
  • 8 Dados obtidos na prefeitura da cidade, no trabalho de campo realizado no ano de 2014 e também algun (...)

14Assim, em período posterior, diante de novo cenário da economia brasileira e concorrência interestados, com isenção de impostos e fornecimento de terrenos, instalaram-se empresas automobilísticas como a Volkswagen - 1996, em Resende; Peugeot-Citröen - 2001, em Porto Real; a Hyundai Industries – 2011, em Itatiaia; a Nissan - 2013, em Resende; e a Jaguar Land Rover - 2016, instalada em Itatiaia. Como a região apresentava uma infraestrutura previamente construída para atender as demandas da CSN e, consequentemente, havia oferta de mão de obra experiente no setor metal-mecânico, o panorama facilitou muito a entrada de empresas vinculadas a esse setor (SILVA, 2017b; BENTES, 2017; GUSMÃO, 2000 e 2017; OLIVEIRA, 2003). A Votorantim Siderurgia foi instalada em Resende a partir de 2009, porém está em Barra Mansa desde 19377. Na figura 3 podemos observar o mapeamento das indústrias de Resende8, e sua área territorial contígua de Porto Real e Itatiaia. Na figura 4 observamos a dimensão territorial ocupada por algumas dessas grandes empresas automobilísticas citadas anteriormente.

Figura 3: Localização das principais indústrias de Resende e proximidades

Figura 3: Localização das principais indústrias de Resende e proximidades

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Dados da Prefeitura Municipal de Resende.Extraída de: Melara (2016, p. 88)

15Em 1993, um dos novos elementos da reestruturação foi a privatização9 da CSN (figura 4), que fez reduzir significativamente o número de empregos na região. Em 1982, a empresa contava com 30.000 trabalhadores, havendo baixado este número, em 2003, para 8.500. Somando-se a isso, a CSN estabeleceu uma nova política administrativa de venda de seus produtos, inviabilizando as indústrias de pequeno e médio porte (OLIVEIRA, 2003). No período mais atual, de acordo com o site da CSN (relatório apresentado em 2014), foi instalada uma nova planta que “começou a operar no final de 2013, e tem capacidade para produzir 500 mil toneladas. É um dos maiores investimentos privados dos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro, cerca de US$ 700 milhões. Gerou cerca de 5 mil empregos durante sua construção e outros 650 permanentes para sua operação.” A receita líquida em 2014 foi de R$16,1 bilhões, sendo a segunda maior exportadora de minério de ferro do país, contando com 22 mil colaboradores.10

Figura 4: Imagens das empresas da Volkswagen e Peugeot-Citroën

Figura 4: Imagens das empresas da Volkswagen e Peugeot-Citroën

Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptado de: Melara (2016, p. 89)

  • 11 A cidade de Resende tem grandes extensões de áreas rurais, possíveis para expansão urbana, ao contr (...)

16Volta Redonda representa um grande potencial industrial pela presença e atratividade da CSN, porém seu perímetro municipal é de dimensões reduzidas, o que consubstancia em dificuldades para expansão urbana industrial, se comparado com Resende, que, pelo contrário, é um município de grande extensão territorial.11 No entanto, o par dialético cidade-indústria reverbera-se em investimentos ora industriais e ora urbanos, promovendo um conjunto de reestruturações em ambas as cidades. Assim, além da importante esfera produtiva, cria-se também uma nova esfera de consumo no interior do Estado do Rio de Janeiro, que redefine a rede urbana regional e termina por reestruturar as cidades sob a égide de grandes agentes econômicos, com novas formas espaciais.

17A reestruturação econômica da região, associada ao crescimento populacional e PIB, tem contribuído para atrair investimentos em empreendimentos urbanos, como shopping centers, loteamentos fechados, condomínios empresariais e residenciais, hipermercados, redes hoteleiras, instituições de ensino etc. Essa lógica (de empreendimentos urbanos) já bastante consolidada nas principais metrópoles do país, vem se tornando significativa em muitas cidades médias brasileiras, em especial a partir dos anos de 1990, quando há um processo de maior difusão dos equipamentos de consumo de grandes redes varejistas e a abertura de maior número de empreendimentos imobiliários para shopping centers e condomínios e loteamentos fechados. Tais questões têm sido detectadas e refletidas pela ReCiMe, que estuda diversas cidades em todas as regiões do Brasil e possui uma base de dados que permite ampla análise comparativa e avanço na compreensão da urbanização brasileira para além das metrópoles. Estas novas lógicas se evidenciam nas questões mais prementes de mudança nos cotidianos urbanos e, particularmente, o caso abordado neste artigo, refere-se a uma particularidade da relação urbano-industrial em cidades médias, que ainda carece de maior atenção, análise e reflexão, o que pretendemos contribuir com este modesto artigo.

Figura 5: Localização da CSN em Volta Redonda

Figura 5: Localização da CSN em Volta Redonda

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Base cartográfica do IBGE (2010) e foto de Diário do Vale (23 de abril de 2014).Extraída de: Melara (2016, p.90)

Sobre a formação das cidades policêntricas, fragmentadas e segregadas

18A centralidade é um atributo inerente ao processo de urbanização e torna imperativa a existência dos centros das cidades, como forma aglutinadora dos fluxos urbanos, do comando e das trocas em geral. Os processos de descentralização e de formação de novas áreas centrais já foram amplamente estudados e estão bastante presentes na literatura, em especial a de origem da Escola de Chicago, desde os anos de 1930. Porém, quando analisamos a formação das cidades policêntricas, não se trata apenas de uma questão de formação de novas áreas, mas também, da criação de áreas que propiciem a convivência específica de determinados grupos sociais, seja por questões socioeconômicas, étnicas, etárias ou culturais. Com isso, o debate da segregação e da fragmentação estão amplamente associados e precisam ser desenvolvidos.

19Nas metrópoles, especialmente, surge a cidade multicêntrica, também chamada de cidade policêntrica, com a sobreposição de várias áreas centrais (SILVA, 2009). Sposito (2013) analisa que essas novas estruturas multi(poli)cêntricas se combinam com ações e práticas de segregação e autossegregação socioespacial, com os novos empreendimentos (shopping centers, centros diversos, condomínios etc.), verifica-se uma diversificação e multiplicação dos espaços de consumo, novas práticas e percursos urbanos, que são a base importante para constituição de uma multi(poli) centralidade, as quais geram segmentações de outras ordens que incluem todas as esferas da vida urbana, que vai além da esfera residencial - há então uma fragmentação do tecido urbano, que inclui o par segregação-autossegregação.

  • 12 Concordamos com Sposito (2013) que é importante considerar o caráter multidimensional da segregação (...)

20De acordo como a autora, os processos de fragmentação e segregação são processos que se sucedem no tempo. O conceito de segregação12 é mais antigo, construído desde a perspectiva da Escola da Chicago, em espacial na elaboração de Robert Park e nos inúmeros estudos sobre a separação de usos e moradias nas cidades. Assim, a fragmentação socioespacial é “mais recente e mais abrangente, visto que resulta de um arco amplo de dinâmicas, envolvendo diferentes usos e apropriações do espaço”. (SPOSITO, 2013, p. 84). Desse modo, a autossegregação atual vai além de dinâmicas de segmentação no plano residencial, são dinâmicas que geram novas práticas e representações socioespaciais, diminuindo o convívio entre todos, fazendo com que as esferas da vida pública se realizem em espaços que são considerados privados, mas de uso coletivo.

  • 13 Publicado originalmente no Boletim de Geografia Teorética, 1991.

21Em termos semelhantes, Corrêa (2011 [1991], p.145)13 afirma que o espaço urbano é simultaneamente “fragmentado e articulado, reflexo e condição social, e campo simbólico e de lutas”. A fragmentação é produto dos agentes modeladores que consomem e produzem o espaço: proprietários dos meios de produção (grandes industriais, proprietários fundiários, promotores imobiliários), o Estado e os grupos dos excluídos. O espaço urbano é também articulado, representado pelos fluxos de veículos e de pessoas, relacionado a transporte de mercadorias, deslocamentos das pessoas pelos mais diferentes motivos, circulação de ideias, dinheiro, informação etc.

22Referindo-se também a espaços metropolitanos, Sposito e Góes (2013), baseando-se em Salgueiro (2001, p. 115-117), apontam que o aumento da fragmentação tem a ver com o novo regime de acumulação flexível, apresentando: 1) O aparecimento de novas centralidades e perda da hegemonia do centro; 2) Surgimento de áreas mistas, envolvendo também megacomplexos imobiliários – comércio, habitação, lazer; 3) Surgimento de enclaves socialmente diferentes, mas homogêneos internamente, contiguidade sem continuidade; 4) Os fluxos complexos que facilitam as relações, já que não necessitam estar próximas.

23Embora nas cidades médias ainda prevaleça o modelo centro-periferia, muitas cidades têm passado por processos econômicos e urbanos, interferindo na produção de empreendimentos imobiliários residenciais perifericamente localizados, empreendimentos murados e fortemente controlados, em geral os condomínios e loteamentos fechados e a sua relação de grande sinergia com os shopping centers, que juntos redefinem as cidades médias de maneiras bastante impactantes.

24Blakely e Snyder (1997) registram os primeiros antecedentes de gated communities no século XIX com o fechamento de ruas em San Luís (Missouri) e a criação de subúrbios fechados em Tuxedo Park, Nova York. No Brasil, Carlos (1994) analisou o espaço urbano de Cotia, na “Granja Viana”, iniciada em 1950, com a implantação de espaços residenciais fechados. Maricato (1996) analisou o aparecimento das edges cities desde 1970 (SPOSITO & GÓES, 2013, p. 62-63). A partir de 1970, especialmente, segundo Caldeira (2000) esses empreendimentos imobiliários tiveram maior expansão nas grandes cidades do Brasil. Nas cidades médias esse processo iniciou principalmente a partir da década de 1990, e com mais intensidade nos anos 2000, se apresentando em áreas mais periféricas dessas cidades, não formando ainda, megacomplexos imobiliários como citados por Salgueiro (2001). No entanto, são formas urbanas que favorecem os processos de autossegregação urbana e novas centralidades, e tem favorecido uma tendência a fragmentação socioespacial nessa escala de cidade.

25De acordo com Pintaudi (1989) os primeiros shopping centers surgiram nos Estados Unidos na década de 1950. No Brasil, essa forma urbana surgiu pela primeira vez em 1966 em São Paulo. Nas cidades médias, segundo Silva (2017b) esses empreendimentos tiveram maior respaldo após a década de 1990, momento em que houve no Brasil um processo de abertura econômica, com ingresso de mais capital externo, privatizações, fusões e incorporações – acompanhada da intensificação dos processos de reestruturação econômica e urbana, fez haver uma maior proliferação dessa forma urbana na rede urbana brasileira, alcançando assim as cidades médias.

26Silva (2017b) apresenta um debate sobre a instalação de shopping centers no Brasil, e Silva (2017a, p. 208-209) apresenta uma reflexão acerca dos graus de impactos dos shopping centers na produção e organização das cidades médias:

a. o alcance espacial de um empreendimento desse tipo nas cidades médias é suficiente, pela sua escala populacional e territorial, para alterar fluxos urbanos e regionais e competir de maneira bastante direta com seus centros principais; b. o fator de “inovação” ou “modismo” que os shopping centers carregam para essas cidades se expressa nas presença de redes e franquias em cujas lojas a frequência torna-se rapidamente um elemento de Status e diferenciação de consumo; c. sua influência sobre a esfera de governo municipal é ainda mais determinante, pois possui maior capacidade de influenciar, produzir e alterar leis e normativas urbanas, sendo, muitas vezes, os maiores investimentos desenvolvidos no espaço urbano; representam a reprodução de grandes capitais e contam com grande aprovação de parcela significativa da população, visto estarem associados ao ideário de progresso; d. a mobilidade da população de poder aquisitivo médio e alto é reorganizada, na medida em que os shopping centers conseguem atrair não só a instalação de estabelecimentos comerciais e de serviços para seus arredores, como também a produção de moradias, em forma de loteamentos e condomínios fechados, criando áreas reservadas a esse estrato populacional; e. a tendência de se localizarem em rodovias ou em áreas de fácil acessibilidade regional amplia seus alcances espaciais e sua capacidade de influenciar e de competir com os centros principais.

27Dentro dessa contextualização, o foco deste artigo recaiu principalmente sobre a análise das formas urbanas representadas pelos espaços residenciais fechados e controlados, como os loteamentos murados e condomínios fechados em Resende e Volta Redonda e de novos shopping centers, fato que caracteriza a produção da cidade policêntrica, com maior desigualdade socioespacial e menor convivência entre as camadas socioeconômicas com fortes tendências a fragmentação socioespacial.

  • 14 Entrevistas realizadas com frequentadores, em 2017, comprovaram o alcance regional dos shopping cen (...)

28Do ponto de vista das questões particulares, pode-se perceber que se trata de cidades com fortes interações regionais, onde os shopping centers são na sua essência intermunicipais14, bem como os loteamentos e condomínios fechados, pois é bastante comum os moradores destas áreas de Resende, trabalharem em indústrias em Porto Real, em Itatiaia, em Volta Redonda etc, e o oposto também ocorre com frequência.

29Assim, verifica-se uma tendência à formação de novas expressões de centralidades na periferia geométrica do tecido urbano de Resende e Volta Redonda. São empreendimentos de uso coletivo, comerciais e residenciais, que favorecem dialeticamente esses processos, ou seja, a construção de conjuntos habitacionais para classe média-alta atrai investimentos em outros âmbitos da economia, assim como o investimento na área comercial e de serviços, como, por exemplo, a construção de shopping centers também atrai investimentos na área imobiliária residencial, favorecendo processos de autossegregação e fragmentação urbana.

  • 15 Na tese de Melara (2016), temos o mapeamento de renda por bairro, utilizando-se dos dados do IBGE ( (...)

30 Os condomínios fechados ou os loteamentos murados da cidade de Resende estão localizados no setor sudoeste da cidade, área onde se localiza a maior quantidade de pessoas com uma renda alta15 – constituindo um importante eixo de valorização imobiliária. No quadro 1, temos alguns dados caracterizando os condomínios fechados e loteamentos murados. Observamos que muitos deles levam o nome de condomínio, porém são cadastrados como loteamentos na prefeitura e os muros são permitidos por legislação municipal, embora afrontem a legislação federal. Percebemos também que o espaço residencial fechado mais antigo é o Morada das Agulhas (1990), enquanto outros têm sua construção mais recente ou ainda estão em fase de construção, como é o caso do Loteamento Terras Alphaville Resende 1 e 2, aprovado o primeiro em 2011 e o segundo em 2012 (figura 6). O Loteamento Bosque da Limeira, aprovado em 2014, também já está em fase de preparação do terreno e se caracteriza como uma continuação do Condomínio Residencial Limeira Tênis Clube, este aprovado em 2001. O Condomínio Vale Verde também está em fase de construção desde 2012, porém foi aprovado já em 2009.

31Na figura 7, realizamos um mapeamento dos condomínios e loteamentos controlados e murados e shopping centers de Resende. Podemos observar na figura 7 e não no quadro 1 a presença também do condomínio Casa da Lua Clube Campestre, que não é cadastrado como um loteamento na prefeitura, mas que, como visto no trabalho de campo realizado em janeiro de 2015, apresenta características de um condomínio fechado, inclusive cancela e guarda. Notamos que no setor sudoeste da cidade existe um processo de periferização da elite, que tem se autossegregado em condomínios e loteamentos fechados e murados.

32Como observado na figura 7, a cidade conta também com três shopping centers, um na parte central e dois na parte nordeste da cidade. O Shopping Resende (centro – bairro Jardim Jalisco) é mais antigo (1985) e está localizado numa área central cuja população apresenta uma renda elevada, consubstanciando a forte centralidade que existe na área central da cidade. Já o Pátio Mix foi construído recentemente, ano de 2010, numa área ainda pouco ocupada, porém com possibilidades de expansão; um setor da cidade que também apresenta uma quantidade elevada de pessoas com altos salários. Nessa parte nordeste da cidade, temos a localização também do Shopping Resende Graal, além do mercado Spani Atacadista, sendo esses dois últimos empreendimentos inaugurados no ano de 2011, e cuja localização é na direção do bairro Polo Industrial. Esses empreendimentos localizam-se na Via Dutra, exatamente para o alcance espacial regional ser melhor aproveitado.

Quadro 1: Informações sobre os loteamentos murados em Resende (RJ)

Empreendimento

Ano de Aprovação

Condomínio Residencial Morada das Agulhas

1990

Condomínio Residencial Limeira Tênis Clube

2001

Condomínio Residencial Horizontal Limeira Town House

2004

Condomínio Vale Verde

2009

Terras Alphaville Resende (fase 1 concluída)

2011

Terras Alphaville Resende (fase 2 em andamento)

2012

Loteamento Bosque da Limeira

2014

Fonte: Prefeitura Municipal de Resende (seção de divisão de licenciamentos, 2013). Extraído de: Melara (2016, p.136)

Figura 6: Loteamento murado Terras Alphaville 1 e 2

Figura 6: Loteamento murado Terras Alphaville 1 e 2

Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptada de: Melara (2016, p.141)

33Analisamos, diante dessa contextualização, que a área mais nordeste da cidade tem características expressivas que indicam uma nova centralidade para a cidade, pois é uma área com três empreendimentos que funcionam como polos de atração de pessoas e mercadorias, localizados próximos à Dutra (BR 116), abrangendo, assim, não só a escala local mas também a escala regional e nacional. Trata-se da transformação da renda obtida nas indústrias em objetos do mercado imobiliário, que é explorado por empreendedores locais e externos, incluindo grandes incorporadoras nacionais. Representam espaços controlados para convício de parcela específica da população de elevado poder aquisitivo; que também passa a consumir serviços de saúde e educação também seletivos pelo preço, e a consumir bens nos shopping centers, quase que exclusivamente, conforme as entrevistas demonstraram.

  • 16 Devemos salientar que o bairro Retiro tem uma grande extensão territorial, e os condomínios/loteame (...)

34Em Volta Redonda, podemos observar no quadro 2 e na Figura 9 que os condomínios ou loteamentos murados mais antigos, construídos na década de 1980, estão localizados nas áreas mais periféricas da cidade, e muitas vezes em áreas que apresentam um grande percentual da população com renda inferior a 2 salários mínimos, como é o caso dos condomínios do bairro Retiro e Santo Agostinho. 16 No trabalho de campo realizado em fevereiro de 2015, podemos observar que esses condomínios eram bastante simples, caracterizados por uma rua fechada com grade, sem nenhuma vigilância, numa área que apresentava uma quantidade expressiva de população com poder aquisitivo médio-baixo.

Figura 7: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados; shopping centers e hipermercados, Resende (RJ)

Figura 7: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados; shopping centers e hipermercados, Resende (RJ)

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Prefeitura Municipal de Resende (seção de divisão de licenciamentos, 2013) / Google Earth. Extraída de: Melara (2016, p.138)

35Além disso, em contato com funcionários da prefeitura de Volta Redonda, tomamos conhecimento de outros condomínios que não estão cadastrados na prefeitura como: Residencial Alzira Cravo (Fazendinha), localizado no bairro Niterói, e o Residencial Jardim Suíça, no bairro Jardim Suíça. Devemos salientar que no bairro Vila Santa Cecília está localizada a CSN, construída ainda em 1946, e também o Sider Shopping, inaugurado em 1989. Essa área concentra as riquezas da cidade, pois muitos setores se desenvolveram a partir da CSN, em cujo entorno surgiram indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, centros comerciais, o shopping center da cidade etc.

Quadro 2: Informações sobre loteamentos murados em Volta Redonda (RJ)

Empreendimento

Data de Aprovação

Loteamento 106 - Retiro

1981

Loteamento 98-Jaraguá - Retiro

1983

Loteamento 111 - Retiro

1984

Loteamento 115 - Retiro

1984

Loteamento 94-Jaraguá - Retiro

1985

Loteamento 942 - Retiro

1986

Loteamento 104 - Retiro

1988

Condomínios Santo Agostinho

1997

Condomínio Flor do Campo - Belvedere

1998

Condomínio Rosa dos Ventos - Belvedere

1999

Alphaville Volta Redonda

2012

Fonte: Prefeitura Municipal de Volta Redonda (seção de divisão de licenciamentos, 2013). Extraído de: Melara (2016, p. 145)

36Já nos bairros Casa de Pedra e Jardim Belvedere, setor sudeste da cidade, os condomínios residenciais são de construção mais recente (final dos anos de 1990). Na base da prefeitura temos os condomínios Flor do Campo e Rosa dos Ventos. No entanto, no trabalho de campo realizado em fevereiro de 2015, observamos muitos outros condomínios fechados nessa área, como, por exemplo, Residencial Santa Luzia e Residencial Cidade Nova. Contudo, devemos salientar que o empreendimento residencial mais importante da cidade é o Loteamento Alphaville Volta Redonda, aprovado em 2012, pois apresenta uma grande quantidade de lotes vendidos numa grande extensão de terras (figura 8).

Figura 8: Loteamento Alphaville

Figura 8: Loteamento Alphaville

Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptada de: Melara (2016, p.150)

  • 17 Nomes fictícios.
  • 18 Muitos entrevistados dos espaços residenciais fechados mencionaram sobre a segurança da área (Traba (...)

37Entrevistamos, em fevereiro de 2015, os dois sócios empreendedores do Alphaville: Carlos (advogado e incorporador imobiliário) e Luiz (engenheiro)17. Segundo os entrevistados, o loteamento oferecerá muitos serviços, como clube, padaria etc. Afirmaram que os compradores destes lotes apresentam uma renda mensal média familiar maior que 15 mil reais. A ocupação profissional dos moradores do Alphaville varia de médicos (cerca de 20% são médicos da UNIMED) advogados, engenheiros, empresários etc. Além disso, mencionaram que muitos compradores dos lotes tinham como objetivo uma opção de investimento. Podemos perceber também que existe uma única rodovia que dá acesso a essa área dos bairros Casa de Pedra e Jardim Belvedere, denominada de Rodovia dos Metalúrgicos, tornando-se uma área de difícil entrada, considerado este fato pelos incorporadores, como algo positivo, já que facilita o controle de quem entra e sai, garantindo maior “segurança”18. Essa rodovia quando encontra a Rodovia do Contorno, chega até a Dutra (BR 116), ponto importante para o acesso regional.

38É importante observar também que, além da localização de condomínios fechados e loteamentos murados nessa área da cidade, temos a presença de dois grandes mercados atacadistas (Spani e Walmart), ao lado o Shopping Park Sul que ainda está em construção, o qual será o maior shopping center da região, como 30.000 m2 de área bruta locável19, e, localizado no bairro Belvedere temos o Shopping Belvedere, de pequeno porte, além da UNIMED20. A UNIMED Volta Redonda foi idealizada, em 1989 por um grupo de médicos do município que se uniu para buscar melhores condições de trabalho e renda. Atualmente, a Cooperativa tem mais de 59 mil clientes, e cerca de 400 médicos cooperadores. (Figura 9).

Figura 9: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados, e outras amenidades, como shopping centers, hipermercados, UNIMED, em Volta Redonda-RJ

Figura 9: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados, e outras amenidades, como shopping centers, hipermercados, UNIMED, em Volta Redonda-RJ

Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Dados fornecidos pela prefeitura de Volta Redonda.Extraída de: Melara (2016, p. 148)

39Então podemos afirmar que, nesse setor sudeste da cidade há a formação de uma nova centralidade, com formas urbanas e possíveis práticas espaciais segmentadas, favorecendo um processo de fragmentação socioespacial no tecido urbano.

A guisa teórica de considerações finais

  • 21 Em entrevistas realizadas com moradores de condomínios e loteamentos murados foi analisada essa rea (...)

40Com este texto foi possível analisar a presença de importantes elementos do processo recente de reestruturação urbana em cidades médias, de características industriais, localizadas em posição geográfica entre as maiores metrópoles do Brasil. Percebe-se que o fato de ocorrer incremento na renda por ocasião da inauguração de indústrias, tem-se uma maior diversificação na oferta de produtos para o consumo em diversas camadas sociais, em especial neste texto, para a camada de mais alta renda. Percebe-se que este estrato populacional passa a consumir e demandar espaços controlados e fechados, com forte apelo para as questões de segurança21, tendo os condomínios e loteamentos fechados a referência para o consumo da moradia e os shopping centers como referência para o consumo de bens e serviços. Ambas formas espaciais estão fortemente relacionadas à reestruturação urbana e derivam de grandes investimentos que tendem a alterar significativamente a forma urbana e os locais de frequência de parcelas da população, ampliando a segregação espacial e criando processos de fragmentação socioespacial. Em todas as entrevistas feitas com moradores de loteamentos e condomínios fechados houve a referência ao consumo nos shopping centers, sendo uma relação que nos parece indissociável, pelo caráter controlado, pela seletividade e pela presença de bens e serviços destinados ao consumo mais sofisticado.

41De acordo com Sposito (2007), para entender como uma cidade se reestrutura, é importante compreender as relações que são estabelecidas entre as escalas local, regional, nacional e internacional, verificando ações não somente de atores que estão alocados nas cidades médias, mas também de atores econômicos e políticos que têm uma força externa sobre a cidade e que acabam fazendo escolhas locacionais com propósitos consumistas, alterando a organização interna da cidade. Assim, foi observado que um conjunto de agentes externos (industrial, comercial, de serviços, imobiliário etc.), bem como a interferência do Estado, tem mudado a zona de influência de Resende e Volta Redonda em escala interurbana e tem alterado a organização interna dessas cidades, acentuando as diferenças socioespaciais e, por consequência, reforçando os processos de policentralidade e de segregação socioespacial.

  • 22 Não se refere exatamente ao número de mercados e hipermercados que existem de fato na cidade, é uma (...)

42Nesse contexto, com o objetivo de compactar as análises realizadas neste artigo, construímos um esquema representando as duas cidades estudadas, tentando mostrar os processos pelos quais elas têm passado nos últimos 30 anos e algumas formas resultantes destes (figura 10). Este esquema demonstra dois padrões distintos da relação entre a autossegregação e das novas áreas de centralidade. Quando analisamos a área central de Resende e Volta Redonda, verificamos que, em ambas cidades, a área central concentra um grande contingente de estabelecimentos de comércio e serviços, bem como a presença de shopping centers ajuda a comprovar a centralidade dessa área22. No entanto se compararmos Resende e Volta Redonda, esta última tem uma concentração de atividades no centro superior a Resende.

43Em Resende, pela sua extensa dimensão territorial urbana, pela forma física do sítio urbano e pela presença fortemente alongada da urbanização em decorrência do leito do Rio Paraíba do Sul como limitador de crescimento, verificamos uma separação da área de localização do shopping center – nova área de centralidade – em relação à localização dos loteamentos e condomínios fechados elitizados. Já Volta Redonda, dada seu maior contingente populacional urbano, seu padrão mais complexo de estruturação urbana e com sua área reduzida para expansão urbana dentro dos limites municipais, se identifica uma sobreposição da nova centralidade com a localização dos loteamentos e condomínios fechados, fato que evidencia um nítido processo de fragmentação do tecido urbano.

Figura 10: Esquema da organização da cidade com elementos produtivos, imobiliários, de rendimento salarial, e processos de novas centralidades, segregação, autossegregação e fragmentação urbana.

Figura 10: Esquema da organização da cidade com elementos produtivos, imobiliários, de rendimento salarial, e processos de novas centralidades, segregação, autossegregação e fragmentação urbana.

Fonte: Dados da prefeitura de Resende e Volta Redonda (2015), Google Maps (2015), IBGE (2010). Adaptado de: Melara (2016, p. 268).

44Ao analisar um processo de autossegregação, podemos inferir que essas formas tendem a provocar um processo de fragmentação socioespacial em ambas as cidades, onde a descontinuidade territorial e as barreiras físicas (Rio Paraíba do Sul, a topografia mamelonar (meia laranja) das formações cristalinas, a área ocupada pela Academia Militar de Agulhas Negras – no caso de Resende e a reduzida área do município de Volta Redonda, cortada pelo Rio Paraíba do Sul, como limitador de expansão e escolha locacional dos condomínios e loteamentos são características marcantes desse processo. De acordo com Silva (2006), tem-se uma formação de enclaves (embasado em Caldeira, 2000) com certa homogeneidade internamente, formando um tecido urbano heterogêneo e segmentado, negando o convívio das diferentes classes sociais. Tanto em Resende como em Volta Redonda, através de entrevistas realizadas com moradores de condomínios e loteamentos, observamos que há uma valorização de espaços fechados e controlados e uma certa desvalorização dos espaços públicos, como praças e parques, por exemplo.

45Portanto, temos duas formas urbanas distintas de expansão urbana e de redefinição da centralidade, porém as lógicas de produção de espaços fechados e controlados para moradia, consumo e lazer, estão presentes nestas duas cidades médias e demonstram uma tendência que poderia consubstanciar novo paradigma da urbanização, com ganho de complexidade na divisão territorial do trabalho.

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Notes

1 Sobre a discussão de cidades de porte médio e cidades médias, consultar: Melara (2016), Amorim Filho e Serra (2000), Andrade e Serra (2000), Sposito (2001, 2004, 2006), especialmente os livros organizados pela Rede de Cidades sobre Cidades Médias (ReCiMe), como: Cidades médias: Produção do espaço urbano e regional (2006), Cidades médias: espaços em transição (2007), a série Agentes econômicos e reestruturação urbana e regional com estudos em várias cidades médias do Brasil. No site da ReCiMe temos importantes publicações: http://www.recime.org/.

2 Essas cidades estão localizadas na mesorregião Sul Fluminense e na microrregião geográfica do Vale do Paraíba Fluminense.

3 De acordo com a lei, é ilegal fechar um loteamento, por isso é mais correto utilizar o termo loteamentos murados. A Lei 6.766/1979 se caracteriza pelo parcelamento do solo urbano, acompanhado de infraestrutura, sendo as ruas e espaços públicos de responsabilidade do município ou Estado. Fechar um espaço desses é inconstitucional, pois deve estar aberto ao público. Já os condomínios fechados seguem a Lei 4.591/1964, que estabelece que os moradores são proprietários de frações ideais de terrenos, das áreas de circulação e das áreas livres. Os moradores também são responsáveis pela manutenção, pois as áreas são de uso coletivo, e precisam pagar o IPTU. Por isso, nesse artigo, usaremos os termos loteamentos murados e condomínios fechados (RODRIGUES, 2013; SOUZA, 2013; SPOSITO & GÓES, 2013).

4 Site da ReCiMe: http://www.recime.org/

5 Muitos dados empíricos e secundários, bem como algumas reflexões do artigo são provenientes da tese de Melara (2016).

6 A BR-116 (Presidente Dutra) conecta o Estado do Rio de Janeiro a São Paulo e a BR-393, liga a BR-116 à BR-040, colocando em contato o Estado a Minas Gerais e ao Nordeste. Além disso, as obras de abertura da Avenida Brasil facilitaram a comunicação com a cidade do Rio de Janeiro (LIMONAD, 1996; OLIVEIRA, 2003).

7 A empresa tem unidades espalhadas por várias cidades do Médio Vale, especialmente na região Sudeste do Brasil. Temos também, por exemplo, a Votorantim Siderurgia em Barra Mansa e a Votorantim Cimentos em Volta Redonda. Ver: < http://www.votorantim.com.br/pt-br/Paginas/home.aspx>.

8 Dados obtidos na prefeitura da cidade, no trabalho de campo realizado no ano de 2014 e também alguns dados do google Earth, 2017.

9 A partir da década de 1980, novas políticas foram adotadas em prol da escala global, e o Estado começa se retirar do setor produtivo, abrindo caminho para as privatizações (HARVEY, 2009 [1989]).

10 http://www.csn.com.br/irj/go/km/docs/csn_multimidia/csn/imagens/Relat%C3%B3rio%20Anual%202014/Relatorio%20Anual%20CSN%202014.pdf.

11 A cidade de Resende tem grandes extensões de áreas rurais, possíveis para expansão urbana, ao contrário da cidade de Volta Redonda. De acordo com o IBGE (2010), a área territorial de Resende é de 1.093,119 Km2, com uma densidade demográfica de 109,35 hab/km2, enquanto Volta Redonda apresenta uma extensão territorial de 182,483 km2, com uma densidade demográfica de 1.412,75 hab/km2. Além disso, muitas áreas que poderiam ser usadas para expansão urbana em Volta Redonda pertencem a CSN.

12 Concordamos com Sposito (2013) que é importante considerar o caráter multidimensional da segregação, podendo agregar ao conceito de segregação – social, espacial, sócio-espacial, urbana, residencial, étnica. A autora acrescenta ainda que, levando em conta as noções e conceitos que tratam das dinâmicas de segmentação socioespacial, a segregação é aquela que tem um maior grau de relação com a questão espacial.

13 Publicado originalmente no Boletim de Geografia Teorética, 1991.

14 Entrevistas realizadas com frequentadores, em 2017, comprovaram o alcance regional dos shopping centers de Resende e Volta Redonda.

15 Na tese de Melara (2016), temos o mapeamento de renda por bairro, utilizando-se dos dados do IBGE (2010). Foi observado que as áreas centrais, sudoeste e nordeste da cidade concentram uma porcentagem maior de pessoas por bairro que apresentam uma renda alta (mais de 10 salários mínimos).

16 Devemos salientar que o bairro Retiro tem uma grande extensão territorial, e os condomínios/loteamentos fechados estão mais próximos da área central da cidade, próximo da Vila Santa Cecília e da CSN, área onde há uma maior concentração de renda. Para analisar essas informações, é preciso consultar o mapa base deste artigo e a tese de MELARA (2016), onde foi realizado um mapeamento dos dados por bairro referente a renda, utilizando-se dados do IBGE (2010). Observou-se que a área central e o setor sudeste da cidade concentram uma porcentagem maior de pessoas que recebem mais que 10 salários mínimos.

17 Nomes fictícios.

18 Muitos entrevistados dos espaços residenciais fechados mencionaram sobre a segurança da área (Trabalho de campo, fevereiro de 2015).

19 No trabalho de campo realizado em julho de 2017 visitamos o escritório do Shopping Park Sul, e entrevistamos o diretor comercial.

20 Disponível em: <http://www.unimedvr.com.br/historia>. Acesso em: outubro de 2015.

21 Em entrevistas realizadas com moradores de condomínios e loteamentos murados foi analisada essa realidade de sensação de insegurança urbana, tema desenvolvido na tese de Melara (2016).

22 Não se refere exatamente ao número de mercados e hipermercados que existem de fato na cidade, é uma relação aproximada com a realidade.

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Table des illustrations

Titre Figura 1: Mapa de localização dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Base cartográfica do IBGE (2010).Extraída de: Melara (2016, p. 25)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-1.jpg
Fichier image/jpeg, 364k
Titre Figura 2: Mapa base dos municípios de Resende e Volta Redonda-RJ
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E./ Fonte: IBGE (2010)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-2.png
Fichier image/png, 2,8M
Titre Figura 3: Localização das principais indústrias de Resende e proximidades
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Dados da Prefeitura Municipal de Resende.Extraída de: Melara (2016, p. 88)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-3.jpg
Fichier image/jpeg, 476k
Titre Figura 4: Imagens das empresas da Volkswagen e Peugeot-Citroën
Crédits Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptado de: Melara (2016, p. 89)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-4.jpg
Fichier image/jpeg, 128k
Titre Figura 5: Localização da CSN em Volta Redonda
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Base cartográfica do IBGE (2010) e foto de Diário do Vale (23 de abril de 2014).Extraída de: Melara (2016, p.90)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-5.jpg
Fichier image/jpeg, 312k
Titre Figura 6: Loteamento murado Terras Alphaville 1 e 2
Crédits Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptada de: Melara (2016, p.141)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-6.jpg
Fichier image/jpeg, 176k
Titre Figura 7: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados; shopping centers e hipermercados, Resende (RJ)
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Prefeitura Municipal de Resende (seção de divisão de licenciamentos, 2013) / Google Earth. Extraída de: Melara (2016, p.138)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-7.jpg
Fichier image/jpeg, 508k
Titre Figura 8: Loteamento Alphaville
Crédits Fonte: Trabalho de campo (2015). Adaptada de: Melara (2016, p.150)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-8.jpg
Fichier image/jpeg, 140k
Titre Figura 9: Localização dos condomínios fechados e loteamentos murados, e outras amenidades, como shopping centers, hipermercados, UNIMED, em Volta Redonda-RJ
Crédits Org.: DRUMOND, R. & MELARA, E. / Fonte: Dados fornecidos pela prefeitura de Volta Redonda.Extraída de: Melara (2016, p. 148)
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-9.jpg
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Titre Figura 10: Esquema da organização da cidade com elementos produtivos, imobiliários, de rendimento salarial, e processos de novas centralidades, segregação, autossegregação e fragmentação urbana.
Crédits Fonte: Dados da prefeitura de Resende e Volta Redonda (2015), Google Maps (2015), IBGE (2010). Adaptado de: Melara (2016, p. 268).
URL http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/docannexe/image/16121/img-10.jpg
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Pour citer cet article

Référence électronique

Eliane Melara et William Ribeiro da Silva, « Elementos para refletir sobre a policentralidade e a fragmentação urbana em cidades médias – Resende e Volta Redonda (RJ) »Confins [En ligne], 38 | 2018, mis en ligne le 22 décembre 2018, consulté le 22 juin 2024. URL : http://0-journals-openedition-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/confins/16121 ; DOI : https://0-doi-org.catalogue.libraries.london.ac.uk/10.4000/confins.16121

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Auteurs

Eliane Melara

Pós-doutoranda em Geografia na UFRJ, geocalcitapiti@yahoo.com.br

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William Ribeiro da Silva

Professor Associado do Departamento de Geografia e Programa de Pós-graduação em Geografia da UFRJ, williamribeiro@hotmail.com

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Le texte seul est utilisable sous licence CC BY-NC-SA 4.0. Les autres éléments (illustrations, fichiers annexes importés) sont « Tous droits réservés », sauf mention contraire.

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